Urbanismo no Rio é tema de debate organizado pelo Fórum Global de Inovação e Tecnologia em Sustentabilidade

O diagnóstico dos problemas urbanos do Rio é praticamente o mesmo entre os especialistas e pesquisadores. A cidade tem nada menos que 22% de sua população vivendo em favelas; 33% dos cariocas vivem na informalidade, sem condições de declarar renda e, por isso, sem conseguir crédito até mesmo para comprar uma casa própria. A falta de financiamento também contribui para um déficit habitacional da cidade estimado em 312 mil moradias. A cidade tem atualmente cerca de mil favelas, sendo que cem delas surgiram nos últimos 20 anos. Com o crescimento das favelas, aumenta a dificuldade de o estado fornecer serviços básicos, como o de saneamento. Cinquenta e sete por cento da população carioca vivem em áreas dominadas pelo crime organizado (tráfico e/ou milícia). Essas e outras questões serão debatidas em painéis do FITS Urbanismo 2024, o seminário organizado pelo FITS (Fórum Global de Inovação e Tecnologia em Sustentabilidade), em parceria com o Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do RJ) e o CAU/RJ (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do RJ). O evento será na terça-feira, dia 20 de agosto, a partir das 9h, na sede do CAU, no Centro (Av. República do Chile, 230 – 2º andar), o evento tem conexão com os ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, da ONU. Patrocinado pela Cedae, o Fórum visa ser um ambiente de fomento à inovação e à tecnologia, com atenção ao processo produtivo, à competitividade e ao desenvolvimento sustentável dos espaços urbanos em suas três dimensões: ambiental, econômica e social. “O FITS Urbanismo trará abordagens distintas, mas integradas, do urbanismo no Rio de Janeiro, com debates sobre saneamento, energia, habitação e mobilidade. Experiências e conhecimentos locais alinhados aos ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Situações vivenciadas em nosso dia a dia que reverberam para todo o país e para o mundo. Serão 25 palestrantes que pensam e fazem urbanismo no RJ compartilhando suas vivências e trazendo a visão do desenvolvimento do espaço urbano de forma sustentável ambiental, econômica e socialmente, com inovação e tecnologia”, explica Lúcia Martins, diretora-executiva do FITS. Presidente do Crea-RJ: “Nos últimos 20 anos, a Rocinha dobrou de tamanho” O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), o engenheiro civil Miguel Fernández, ressalta que é a primeira vez que é realizado no Rio um evento em conjunto com o CAU/RJ, fruto de um termo de cooperação firmado entre os dois conselhos profissionais em 17 de janeiro, logo depois que Fernández assumiu a presidência do Crea. “Só por isso, já é um marco. Os temas que estão sendo discutidos sobre a questão urbana, ainda mais num momento eleitoral como o de agora, são fundamentais para o desenvolvimento da cidade. Vou dar destaque para a questão da habitação e das favelas. Mas há outros temas relevantes, como a questão do saneamento. Queremos que esses temas sejam incluídos nos programas dos candidatos à prefeitura do Rio”, assinala o presidente do Crea-RJ. Fernández defende que se repense as políticas públicas sobre urbanização de favelas no Rio, que já têm 40 anos e não conseguem organizar o crescimento das favelas na cidade. “Precisamos fazer uma autocrítica. São 40 anos de políticas públicas sobre urbanização de favelas com propostas de forma que nesses 40 anos as favelas só crescem, gerando problemas sociais, urbanos e de saúde pública”, afirma Miguel Fernández, observando que “a questão do problema habitacional nos grandes centros urbanos é histórica”. “O Rio de Janeiro tem a primeira favela do Brasil, a do Morro da Providência, que fica numa área bastante visada pelo poder público, que é a região do Porto”, lembra Fernández. “Há 40 anos os projetos que vêm sendo abordados em relação às favelas é o mesmo. Qual o resultado alcançado até agora? É uma expansão cada vez maior dessas áreas. Nos últimos 20 anos, a Rocinha dobrou de área ocupada, o que pode ser verificado por meio de fotografias feitas por satélites, unindo-se à Favela do Vidigal. Então temos que discutir se de fato esse é o modelo habitacional que nós desejamos para a nossa cidade”, destaca o presidente do Crea-RJ, para quem um case de solução habitacional é o conjunto da Cruzada São Sebastião, no Leblon, onde o IPTU mais caro do Brasil está em torno daquela solução habitacional que foi dada naquela área, entre Leblon, Ipanema e Lagoa. “A gente não defende remoção, mas requalificação do espaço que entenda a lógica de viver em comunidade, como acontece na favela, mas que pode avançar e mudar a história do Brasil”, observa Fernández. Presidente do CAU/RJ: “Há uma descontinuidade nas políticas públicas de habitação e urbanismo no Rio” O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU/RJ), arquiteto e urbanista Sydnei Meneses, ressalta que o que falta nas políticas públicas de habitação popular e urbanismo do Rio “é continuidade”. “As políticas do setor são implementadas e depois abandonadas; isso tem sido cíclico. Os governantes iniciam as obras, depois as abandonam. Essa é a principal causa da falência dessas políticas públicas habitacionais e de urbanização do Rio. Com isso, aumenta o déficit habitacional, o crescimento desordenado das favelas, assim como as doenças provenientes da falta de saneamento básico”, afirma Sydnei. Com uma experiência de 40 anos como arquiteto e urbanista do município, o presidente do CAU está convencido de que a falta de continuidade tem sido a principal causa dos problemas de habitação e urbanismo. “Foram gastos rios de dinheiro na urbanização de favelas. Tenho o exemplo concreto da Favela da Rocinha, que tinha um excelente projeto de urbanização no governo Rosinha, que jamais foi implementado. O teleférico que foi construído no Complexo do Alemão, no governo Cabral, consumiu recursos do PAC e está parado”, destaca Sydnei. Presidente do IPP: debate sobre urbanismo segue a Agenda 2030 Para o presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, o arquiteto Manoel Vieira Gomes, “discutir o urbanismo é algo muito importante para arquitetos, urbanistas e engenheiros” porque esse debate possibilita maior otimização dos recursos públicos disponíveis para a
Mensagem do presidente do Crea-RJ aos estudantes: “Vocês vão oxigenar o Sistema”

Guilherme Neto, Ana Paula Masiero, Miguel Fernández e Eduardo Santos na apresentação do novo Crea Júnior Enquanto crescia em 32,8%, a receita dos serviços de Engenharia e Arquitetura, no Brasil, em 2005, dois estudantes de Engenharia se uniam para participar de um projeto ousado: a criação do Crea Estudante, a iniciativa do Crea-RJ que tinha o objetivo de preparar os universitários para o ingresso no mercado de trabalho. Os estudantes eram Miguel Fernández e Guilherme Neto, que eram, respectivamente, líderes estudantis na UFRJ e na Uerj. Eles foram incentivados pelo então presidente do Crea-RJ, Reynaldo Barros. Dezenove anos depois, Miguel Fernández é o atual presidente do Crea-RJ e Guilherme Neto gestor do Crea Júnior, que está sendo reformulado e contando com muito mais atrações para os estudantes de Engenharia do estado do Rio de Janeiro. “Quando participamos da criação do Crea Júnior, naquela época chamado de Crea Estudante, profetizaram que daquele grupo sairia um presidente do Crea-RJ. Agora, quem profetiza sou eu: desse grupo de estudantes vai sair um presidente do Crea; espero que daqui saiam também as propostas mais loucas da nossa gestão. Vocês vão oxigenar o Sistema”, afirmou o engenheiro Miguel Fernández, entusiasmado em ver a participação dos jovens em reunião no auditório da sede do Crea-RJ, nesta quarta-feira, dia 26 de junho. Estudantes de diversas universidades participam de reunião com o presidente do Crea-RJ Estudantes de Engenharia, Agronomia e Geociências agora podem se associar à Mútua Estudantes de Engenharia de diversas universidades – entre as quais UFRJ, Uerj, UFRRJ, (Rural), IFRJ, Cefet, Celso Lisboa, Estácio e Universo – participaram da reunião, onde tomaram conhecimento dos projetos do novo Crea Júnior, assim como da grande novidade para o estudante: o acesso dos universitários aos benefícios da Mútua, a entidade assistencial do Sistema Confea/Crea, que a partir de agora vai estender aos jovens uma série de vantagens. E o melhor de tudo: sem precisar gastar nem um centavo. “Ontem (dia 25 de junho), a Diretoria da Mútua Nacional aprovou a criação do Programa Mútua Júnior, que permite que os graduandos vinculados ao Crea Júnior tenham acesso a benefícios específicos oferecidos pela Mútua, ao portal Conecta Mútua, que oferece mais de 50 cursos gratuitos, Clube Mútua de Vantagens com diversos descontos, entre os quais cursos de capacitação, e acesso ilimitado ao conteúdo normativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, destacou a diretora administrativa da Mútua-RJ, Ana Paula Masiero. A Mútua RJ já patrocina iniciativas que beneficiam os estudantes, como aulas de reforço e semanas de Engenharia e eventos na área de Engenharia, Agronomia e Geociências. O Programa Mútua Júnior ainda será oficialmente lançado no Rio pelo presidente da Mútua Nacional, Francisco Almeida. A reformulação do Crea Júnior tem um projeto robusto com iniciativas que visam à integração dos estudantes de Engenharia de todo o estado. No ano passado, as Engenharias formaram 5.500 profissionais em 47 faculdades no estado do Rio. Um dos principais objetivos do Crea Júnior é acompanhar o estudante desde os primeiros passos na universidade até o ingresso dele no mercado de trabalho. “O nosso presidente foi um dos fundadores do Crea-RJ. Nosso objetivo é que o estudante se integre ao Sistema desde o início do curso e não apenas depois de formado, quando ele pode pensar, ao pagar a anuidade, que o Crea é um cartório. Na verdade, o Crea-RJ oferece benefícios ao profissional e à sociedade. Estamos produzindo diversas atividades para trazer o estudante para dentro do Conselho”, explica Eduardo Santos, assessor da Presidência e coordenador do novo Crea Júnior. Entre as atividades planejadas até 2027, estão visitas técnicas a grandes canteiros de obras (a primeira será à Ponte Rio-Niterói, que acabou de completar 50 anos), palestras e workshops, cursos e treinamentos, competições e visitas guiadas à sede do Crea-RJ para entender como funciona o Conselho. “Nós vamos trabalhar para que os estudantes cheguem mais bem preparados ao mercado de trabalho”, afirmou Guilherme Neto, o gestor do Crea Júnior do Crea-RJ.
Crea-RJ abre diálogo inédito com empresários do setor

Pela primeira vez em sua história, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) criou um canal de comunicação com o segmento empresarial. O engenheiro Miguel Fernández, desde janeiro na presidência do Conselho, liderou nesta terça-feira, dia 25 de junho, o café empresarial que reuniu representantes de entidades e empresas de Engenharia, no Salão Pão de Açúcar do Edifício Argentina, na Praia de Botafogo, Zona Sul do Rio. Diante da bela vista do Pão de Açúcar e do Morro Cara de Cão, onde foi fundada a cidade do Rio de Janeiro em 1565, o presidente do Crea-RJ se reuniu com os empresários que saudaram os 90 anos do Conselho e a iniciativa inédita de diálogo com empresas de Engenharia, entre as quais aquelas que pertencem ao setor da Construção Civil, que é responsável por 4,3% do PIB do Estado do Rio, por meio da atuação de cerca de mil empresas. O Crea-RJ reúne cerca de 110 mil profissionais do setor das engenharias e geociências, além de 20 mil empresas. “Essa aproximação do Crea-RJ com o setor empresarial é muito importante. Nós dependemos do Crea, o Crea depende da gente. A gente tem que unir forças. Esse é o primeiro encontro; vários outros vão acontecer, a gente assim espera, para melhorar a situação das empresas e do Crea também”, afirmou o presidente do Fórum Setorial da Construção Civil da Firjan, empresário Marcelo Dias Kaiuca. A iniciativa do café empresarial do Crea-RJ foi anunciada por Miguel Fernández em reunião no Fórum Setorial da Construção Civil da Firjan em 30 de abril deste ano. Ao abrir a reunião hoje, o presidente do Crea-RJ voltou a destacar a importância do diálogo com o segmento empresarial, criando um canal de comunicação entre o Conselho e as empresas de Engenharia com a finalidade de aprimorar a prestação de serviços do Crea-RJ. “Queremos estar atentos às necessidades do mercado, institucionalizando dentro do Conselho um canal de comunicação com as empresas do setor das engenharias”, destacou o presidente do Crea-RJ, Miguel Fernández, anunciando a criação de um Grupo de Trabalho para discutir e aprimorar a prestação de serviços do Conselho às empresas. Ele apresentou aos empresários o engenheiro Leonardo Dutra, que é superintendente técnico do Crea e vai fazer a mediação entre o Conselho e os representantes das empresas. “Nosso principal objetivo é diminuir as exigências e mudar a cultura a fim de se reduzir os entraves”, afirmou Leonardo Dutra. A iniciativa do café empresarial do Crea-RJ foi aplaudida por vários empresários, entre os quais o vice-presidente da Associação das Empresas de Engenharia do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Brizzi Benevides, que é sócio-administrador da Dimensional. “É muito importante essa iniciativa de união. Queremos o desenvolvimento do Rio de Janeiro. A velocidade de deterioração do Rio está cada vez maior. O estado precisa de obras estruturantes. As empresas de Engenharia só querem o cumprimento da lei”, disse Brizzi. Outro entusiasmado com a ideia do café empresarial foi o engenheiro Áureo Salles de Barros, da A. Salles Engenharia, fundada em 1938 e especializada na climatização de ambientes. “Quero parabenizar a iniciativa do presidente do Crea-RJ de propor um Grupo de Trabalho, pois de fato temos encontrado dificuldades para obter a Anotação de Registro Técnico (ART) para as empresas”, afirmou Áureo, que tem mais de 400 ART em nome dele. O empresário levou uma placa comemorando os 90 anos do Crea, entregue ao presidente do Conselho, que agradeceu e disse que vai incluir a homenagem na agenda do aniversário da entidade. Além de responsáveis por empresas privadas, participaram da reunião representantes de entidades como a Associação das Empresas de Engenharia do Estado do Rio de Janeiro, a Associação Brasileira de Telecomunicações, o Sindicato da Indústria de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento do Ar do Rio de Janeiro (Sindratar-RJ), o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação, o Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Rio de Janeiro e o Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva. Live sobre Urbanismo no Rio de Janeiro Durante a reunião, a diretora executiva do Fórum Global de Inovação e Tecnologia em Sustentabilidade (FITS), Lucia Martins, anunciou que vai realizar em agosto o FITS Urbanismo 2024, um seminário que contará com a participação do Crea-RJ e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RJ). Entre outros temas, o Fórum vai discutir urbanização em favelas, macrodrenagem em centros urbanos, soluções voltadas à urbanização, experiências de inovação, políticas públicas e apresentações sobre o G20, que vai acontecer no Rio em novembro, e a COP 30, que será realizada em Belém (PA) no próximo ano. Nesta sexta-feira, 28, às 11h, o FITS vai exibir uma live sobre urbanismo no Rio de Janeiro com a participação dos presidentes do Crea-RJ e do CAU/RJ, além do presidente do Instituto Municipal Pereira Passos, Manoel Vieira Gomes Júnior, e do vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, George Neder.
Presidente do Crea-RJ defende plano de ação das engenharias em seminário sobre ‘cidades resilientes’

Principal alvo da campanha Construindo Cidades Resilientes, liderada pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos (UNDRR), as mudanças climáticas registradas ao redor do globo foram o tema do seminário “Cidades Resilientes: Gestão de Riscos e Sustentabilidade”, realizado nesta segunda-feira, dia 24/06, na sede da Fundação Getúlio Vargas, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Após agradecer o convite feito pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade e Gestão de Riscos (CESGRi), da FGV, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), engenheiro Miguel Fernández, apresentou propostas para o enfrentamento dos eventos climáticos extremos. O presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández, participa de seminário na FGV: propostas para o setor das engenharias enfrentar os eventos climáticos, em apoio às autoridades estaduais e municipais “Como os setores de engenharia devem agir? O principal ponto é termos um plano de ação com equipes treinadas, da ponta até na recuperação emergencial necessária. Não podemos nos dar ao luxo de longos prazos para licitar, enquanto as famílias estão em condições difíceis. O Crea-RJ vem avançando num convênio com o Instituto Brasileiro de Avaliações de Perícia de Engenharia (Ibape) para obter laudos sobre as construções afetadas, no menor tempo possível. É preciso haver um componente profissional treinado para reagir com a velocidade necessária. Precisamos de projetos de engenharia dentro de uma política pública de estado, que estejam em plataformas on-line colaborativas, que tornem esses projetos perenes”, defendeu Miguel Fernández, ressaltando que os governos precisam também alertar os órgãos de controle para “se acabar com lógica da contratação de serviços pelo menor preço, mas, sim, pelo melhor preço para mantermos o mercado de engenharia nacional e regional do Estado do Rio de Janeiro”. Participante da mesa intitulada “Os limites e possibilidades do nosso estado no planejamento para a resiliência”, ao lado do pesquisador Sérgio Ruy Barbosa, ex-secretário de Planejamento do Estado do Rio, Miguel falou sobre os desafios dos eventos climáticos para o setor das engenharias. Ele também colocou o sistema Crea-RJ à disposição do Centro de Operações Rio para colaborar com a construção de estratégias a fim de propor soluções rápidas e eficientes para lidar com os eventos climáticos extremos. Especialista em engenharia urbana, Miguel Fernández, ressaltou que, para tornar as cidades resilientes, “as tomadas de decisão precisam ser de estado”. “A gente vê chuvas ou falta de chuvas, que impacta seriamente a disponibilidade hídrica, como aconteceu em São Paulo em 2015; há várias crises, sanitárias, como foi a Covid, crises sociais e de segurança pública, que a gente vive quase que constantemente aqui no Rio. A questão transcende as chuvas e deslizamentos de terra”, observou Miguel, elogiando a atitude heroica de bombeiros, policiais e integrantes da Defesa Civil na atuação emergencial. A abertura do evento foi feita pela coordenadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade e Gestão de Riscos (CESGRi) da Fundação Getúlio Vargas, Carmen Migueles. O seminário foi promovido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade e Gestão de Riscos da FGV-EBAPE e pelo FGV In Company, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Segurança Pública do estado, e buscou apresentar soluções para aumentar a resiliência e segurança das cidades do Estado do Rio de Janeiro. O primeiro a palestrar foi o coronel bombeiro Márcio Romano, subsecretário estadual de Defesa Civil, representando o comandante-geral da corporação, Leandro Monteiro. Romano lembrou que desde 2017 o Estado do Rio participa do programa MCR 30 (Making Cities Resilient), da ONU, que tem uma ferramenta para monitoramento da participação de cada município integrado ao programa. Do total de 92 municípios do Estado do Rio, 73 estão participando do programa. Os 19 municípios restantes precisam ser integrados à campanha, observou o coronel Romano, mas isso só ocorrerá se cada prefeito se conscientizar da importância deste movimento em defesa das cidades. O Centro de Operações Rio, representado pelo chefe-executivo Marcus Belchior, apresentou todas as iniciativas adotadas pela Prefeitura do Rio no sentido de preparar a capital fluminense para eventos climáticos extremos. O chefe-executivo do COR compartilhou experiências vividas na gestão pública municipal e falou sobre os desafios e os próximos passos do equipamento público. “O grande diferencial do Centro de Operações foi conseguir integrar diversos órgãos das esferas estadual, municipal e federal num único lugar. Após construído, ainda em 2010, fomos aprendendo a gerir o COR. E chegamos ao momento atual: dados sistematizados e metas claras de ações de mitigação e adaptação climática. Nosso desafio agora é implantar a Inteligência Artificial em até dois anos”, destacou Belchior, comprovando com números como houve aumento de eventos climáticos por ano no estado. A frequência passou de um evento a cada seis anos (entre 1931 e 1996) para um evento por ano (entre 2010 e 2024). Também participaram do seminário autoridades como Claudia Mello (secretária estadual de Saúde), Maurílio Nunes (subsecretário estadual de Segurança Pública), Fernando Maia (vice-presidente do Grupo Energisa) e o ex-secretário de Planejamento do estado, Sérgio Ruy Barbosa. Pesquisador associado do CESGRi, Barbosa lembrou de pesquisa da Casa Fluminense, de que 22 cidades da Região Metropolitana do Rio têm 1 milhão e 100 mil residências em áreas de alagamento, o que equivale quase um terço das habitações da Baixada Fluminense. Para Barbosa, a boa notícia é que pesquisa da Quaest constatou que 64% da população associa os desastres ambientais às mudanças climáticas.
Parabéns a todas as engenheiras no Dia Internacional das Mulheres na Engenharia
Dia Internacional das Mulheres na Engenharia Criado em 2014 pela Women’s Engineering Society (WES) do Reino Unido, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia é comemorado anualmente em 23 de junho. A data tem como objetivo fortalecer o espaço que as engenheiras seguem ganhando na profissão, antes majoritariamente ocupada por homens. De acordo com a pesquisa “Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, realizada desde 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres são as que mais conseguem um diploma de ensino superior no país, mas cada vez menos concluem graduação nas áreas das ciências exatas. Os dados demonstram que a participação delas como concluintes entre os cursos CTEM (relacionados à ciência, tecnologia, engenharia e matemática) já era baixa e ainda teve ligeiro recuo em uma década, passando de 23,2% em 2012 para 22% em 2022. Baixa adesão às ciências exatas Em cursos de graduação, elas estão em minoria entre os alunos nas áreas ligadas às ciências exatas e maioria entre as funções ligadas a cuidados e educação. Representam, por exemplo, mais da metade das matrículas em áreas como serviço social (88,3%), ciências sociais e comportamentais (70,4%) e educação (65,6%), mas apenas 13,3% do total de inscrições em Computação e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e 21,6% dos cursos de Engenharia e profissões correlatas. Em entrevista ao jornal O Globo, Leonardo Athias, pesquisador do IBGE, explica que a maior inserção profissional das mulheres em cursos de bem-estar guarda relação com as expectativas que se tem em torno do papel da mulher na sociedade. “Tem a ver com estrutura (social). As mulheres são responsáveis pelos cuidados, serviços domésticos e participam menos do mercado de trabalho. É socialmente esperado que elas participem de cursos relacionados à educação, serviço social. E isso é uma coisa que acontece no mundo todo”. Ele lembra que o panorama é o mesmo em países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. As mulheres chegam a representar, em média, 33% das licenciadas em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM), setor que é tradicionalmente dominado pelos homens, enquanto 77% delas estão nas áreas da saúde e no bem-estar. Ainda que a representação feminina nas engenharias requeira mais espaço, é inegável que, ao longo do tempo, houve um aumento significativo de sua participação nesse campo, tanto em termos de matrículas em cursos de engenharia, quanto no mercado de trabalho. Os desafios persistem: como os estereótipos de gênero, discriminação e disparidade salarial. Consciente dessas questões e da importância de seu papel na sociedade, o Crea-RJ, por meio de seu Programa Mulher, vem trabalhando ativamente para promover a igualdade de oportunidades e garantir que as mulheres sejam valorizadas e reconhecidas em suas carreiras nas diversas modalidades não só da Engenharia, mas de todas as profissões ligadas ao Sistema Confea/Crea. Comemoração no Sistema O Programa Mulher foi instituído no Confea em setembro de 2019 e já está em pleno funcionamento nos 27 Conselhos Regionais, no Crea-RJ, já há mais de 10 anos. O objetivo é ampliar o protagonismo das mulheres no Sistema Confea/Crea, estimulando a presença feminina em cargos de liderança e alta gestão. O Programa Mulher promove a equidade de gênero e atende ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) n° 05 da Agenda 2030 da ONU. Como parte das ações de 2024, foi realizado um evento especial em alusão ao Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, com uma palestra da presidente do Instituto Nós Por Elas, advogada Natalie Alves, sobre “Programas, ações, projetos e atividades de valorização das mulheres” . O painel que contou com a participação da ativista e embaixadora do Instituto Nós Por Elas, Luiza Brunet, marcou o lançamento da cartilha ABNT PR 1019/2023 – “Boas práticas no combate à violência contra as mulheres”. A coordenadora do Programa Mulher no Crea-RJ, Iara Nagle, e a Conselheira Federal pelo Rio de Janeiro, Carmen Petraglia, estiveram presentes, participando do encontro.
Presidente do Crea-RJ é homenageado com a medalha Amigos da Agenersa

Presidente do Crea-RJ é homenageado com a medalha Amigos da Agenersa O presidente do CREA-RJ, engenheiro Miguel Fernández, mostra a medalha e o certificado recebidos das mãos do conselheiro Portela Filho, ao lado do presidente da Agenersa, Rafael Menezes O presidente do Crea-RJ, engenheiro Miguel Fernández, foi homenageado com a medalha “Amigos da Agenersa” entregue pelo conselheiro da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro, José Antônio de Melo Portela Filho, na Casa G20 (Teatro Laura Alvim), na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, na noite desta sexta-feira, dia 21 de junho. A homenagem foi decidida pelo conselho diretor e pelo presidente da agência, Rafael Menezes. Criada em 6 de junho de 2005, a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio é a responsável pela regulação técnica, econômica e comercial dos contratos de concessão e permissões de serviços públicos nas áreas de saneamento e energia do estado. Fernández foi agraciado ao lado dos seguintes homenageados: o governador do estado, Cláudio Castro; o deputado federal Hugo Leal, vice-presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos deputados; o prefeito de Macaé, Welberth Rezende; o promotor de Justiça Rodrigo Terra; o defensor público do Estado do Rio Eduardo Chow de Martino Tostes; e o presidente da Associação Brasileira de Agências Reguladoras, Vinicius Fuzeira de Sá e Benevides. Os sete agraciados com a medalha Amigos da Anegersa com o presidente e conselheiros da agência O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Rodrigo Bacellar; o deputado estadual Carlos Minc; o secretário de Estado da Casa Civil, Nicola Moreira Miccione; e o presidente da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado, Luiz Zveiter, também foram agraciados, mas não puderam comparecer à cerimônia. O presidente da Anegersa, Rafael Menezes, ressaltou que a agência funciona sobre três pilares: governança, transparência e capacitação. Um dos agraciados, o governador Cláudio Castro, destacou que tem trabalhado “para que a agência seja forte e isenta para fazer do Rio o melhor lugar para se empreender na área de energia e saneamento”. Representando os agraciados com a medalha, o deputado Hugo Leal reforçou a importância de as agências de regulação “serem organismos de estado e não de governo”. Concedida pela primeira vez, a medalha “Amigos da Agenersa” foi criada pelo presidente da Agência, Rafael Menezes, por meio de portaria em 23 de outubro do ano passado. A medalha de bronze tem formato circular. Ao centro, tem a logomarca da Agenersa (o desenho de uma gota d’água) e no verso a inscrição Dia Mundial do Meio Ambiente. A homenagem é concedida a quem prestou relevantes serviços na área de energia e abastecimento de água no estado. A medalha foi concedida pela primeira vez “Estou recebendo essa homenagem de uma instituição de extrema relevância para os setores das engenharias, a Agenersa, na minha área de atuação profissional. Desejamos todo sucesso aos colegas que estão à frente da agência, num momento fundamental com novos desafios com as concessões de abastecimento de água e saneamento. Podem contar conosco, no Crea”, afirmou Miguel Fernández. Com 41 anos, Miguel Fernández é o presidente mais jovem da história do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), autarquia federal que completou em 5 junho 90 anos. O Conselho tem hoje cerca de cem mil engenheiros em todo o Estado do Rio de Janeiro. Miguel Fernández é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ (2009) e tem Mestrado em Engenharia Urbana também pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ (2019). É engenheiro civil hidráulico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor do curso de Engenharia Civil do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – CEFET/RJ. Ele tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Recursos Hídricos e Saneamento, já tendo trabalhado anteriormente no setor na empresa de projetos/consultoria da Aquacon Engenharia (2006-2010) e na Companhia Estadual de Esgotos e Água do Rio de Janeiro, Cedae (2010-2015).
Orlando Valverde: Uma vida dedicada à defesa da Amazônia e da justiça social

Orlando Valverde: Uma vida dedicada à defesa da Amazônia e da justiça social Orlando Valverde, nascido na cidade do Rio de Janeiro, em 1917, foi um dos geógrafos mais influentes do século XX, no Brasil. Sua trajetória profissional e militante o coloca como um dos principais nomes na luta pela defesa da Amazônia e da reforma agrária no país. Formado pela Faculdade Nacional de Geografia, hoje UFRJ, Valverde encontrou na Geografia a sua verdadeira paixão. Ingressou no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em 1941, tornando-se um dos primeiros geógrafos com carteira assinada da instituição. Sua atuação no IBGE, o levou a conhecer de perto as diversas regiões do Brasil, especialmente a Amazônia, que se tornaria o foco principal de seus estudos e ativismo. Valverde também se dedicou à docência, lecionando na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio e em diversas universidades estrangeiras, como a Universidade de Heidelberg na Alemanha e a Universidade de Bordeaux na França. Sua produção acadêmica é vasta, com diversos livros e artigos publicados sobre geografia agrária, desenvolvimento regional e questões socioambientais. Ex-oficial da Marinha, expulso por participar da Intentona Comunista de 1935, Valverde nunca abandonou suas convicções políticas. Seus estudos e análises geográficas sempre estiveram atrelados à defesa dos direitos sociais e da justiça ambiental. Fundou a Campanha Nacional de Defesa e pelo Desenvolvimento da Amazônia (CNDDA) em 1970, tornando-se um dos principais porta-vozes na luta contra a devastação da floresta e a exploração predatória de seus recursos. Defendia a reforma agrária como fundamental para o desenvolvimento social e econômico do Brasil, realizando estudos e análises sobre a concentração de terras e a desigualdade no campo. Foi pioneiro da Geografia crítica no Brasil, defendendo que essa ciência estivesse engajada na luta por justiça social e ambiental, contrapondo-se à visão tradicional da disciplina como ciência neutra e apolítica. O geógrafo e professor Orlando Valverde foi homenageado com o Prêmio Crea-RJ de Meio Ambiente, na primeira edição, em 1998, recebendo o troféu das mãos do geógrafo Sérgio Velho e do então presidente do Conselho, José Chacon de Assis, criador da premiação. Orlando Valverde faleceu em 2006, mas, por seus estudos sobre a Amazônia e a reforma agrária, abordagens consideradas referenciais para a compreensão dos desafios socioambientais do Brasil contemporâneo, continua a inspirar gerações de geógrafos, ambientalistas e militantes sociais em todo o país.
Parabéns ao município de Natividade por seus 77 anos!
A história da colonização das terras que fazem parte do Município de Natividade tem seu início entre 1821 e 1831, por meio do desbravador da região foi José Lannes (ou de Lana) Dantas Brandão que, segundo alguns autores, teria pertencido à Milícia de D. João VI e, segundo outros, teria sido desertor da força pública de Ponte Nova, Minas Gerais. O núcleo populacional composto inicialmente por familiares e parentes de José Lannes foi denominado como Nossa Senhora da Natividade e transformado em Freguesia, em 1861, e elevado à categoria de Vila em 1885, com o nome de Vila de Itaperuna. Várias modificações político-administrativas se processam na região, até 1890, quando foi criado o município de Natividade do Carangola, sendo a sede do povoado elevada à categoria de Vila. O município foi extinto um ano depois e restabelecido em 1947. A economia era baseada na cafeicultura, e mais tarde, na pecuária. Posteriormente, a construção da linha da Estrada de Ferro Leopoldina possibilitou o desenvolvimento econômico da localidade. Houve também uma diversificação das atividades agrícolas, com a produção de arroz, milho e feijão. Atualmente, a principal atividade econômica do município é o turismo rural em suas fazendas históricas e o turismo religioso, devido aos relatos da aparição de Nossa Senhora de Natividade no local, nos anos de 1966 e seguintes. Natividade também possui uma pecuária muito forte, com gado de corte e gado leiteiro. O setor de serviços cresce a cada ano, diminuindo a taxa de desemprego na cidade. O Crea-RJ parabeniza Natividade por seus 77 anos, celebrando todos os profissionais do Sistema Confea/Crea que atuam no município, trabalhando pelo desenvolvimento da região! Fonte: IBGE e Wikipédia
Você sabe o que é energia nuclear? Confira!

O que é Energia Nuclear? A energia nuclear sempre foi um tema envolto em controvérsias e mitos. As preocupações com a segurança e os impactos ambientais associados a essa fonte energética frequentemente geram debates acalorados. No entanto, é essencial compreender que a ciência nuclear é uma área avançada, com tecnologias complexas e necessidade de alta capacitação técnica, possuindo, desta forma, regulamentações rigorosas que visam a garantir a segurança nos seus processos e aplicações diversas. Alguns dos principais questionamentos à energia nuclear estão relacionados ao receio de acidentes e ao material nuclear residual, equivocadamente chamado de lixo atômico. É compreensível esse tipo de preocupação, especialmente após os acidentes nas centrais nucleares de Chernobyl, Ucrânia, em 1986, e Fukushima, Japão, em 2011. No entanto, é importante destacar que esses foram eventos isolados e que as lições aprendidas a partir deles foram incorporadas ao desenvolvimento de novas tecnologias e à melhoria dos critérios de projeto e protocolos de segurança em todo mundo. Os setores nuclear e o da aviação são reconhecidos por implementarem melhorias em suas instalações e processos a cada ciclo de aprendizado e/ou inovações, visando sempre ao aumento da segurança operacional, sem detrimento de aumentos de custos. A maior parte dos reatores que operam nas centrais nucleares do mundo são da chamada segunda geração, com até 60 anos de operação. Estão gradativamente sendo substituídos por outros das terceira e quarta gerações, onde os avanços dos critérios de projeto, de materiais e da forma de construção ampliam sobremaneira a segurança intrínseca (também chamada de sistemas passivos), baseado no aprendizado da experiência operacional mundial desde seu início nos anos 1950. O mesmo acontece para a disposição provisória dos combustíveis e materiais usados na produção de energia, na medicina e nas demais áreas de aplicações da tecnologia nuclear, onde modernas técnicas de estocagem, controles e monitoração garantem a segurança e adequada disposição dos resíduos do setor, que devem ser chamados de rejeito radioativo, e não de lixo atômico. Afinal, o lixo é enviado para os aterros sanitários e/ou descartado sem controle. O rejeito radioativo é controlado por normas nacionais e internacionais, e por toda a sua existência. Até que venha a ser reciclado, através das tecnologias ora em desenvolvimento, deve ser adequadamente condicionado, armazenado e controlado, sendo submetido às inspeções de conformidade por especialistas e autoridades nacionais e internacionais. É importante destacar que a quantidade de resíduos radioativos produzidos nas usinas nucleares é relativamente pequena se comparada com outras fontes de energia. O custo-benefício para o meio ambiente pode ser facilmente comprovado quando avaliamos a capacidade do átomo de prover grandes blocos de energia com mínimo impacto ao meio ambiente, em especial quanto ao efeito estufa e o consequente aquecimento global. Em termos de energia que pode ser gerada, uma única pastilha de dióxido de urânio (cerca de 6g) é equivalente a uma tonelada de carvão, ou 21.000 litros de óleo ou 482.000 litros de gás, sendo que no caso do combustível urânio praticamente não há geração de gases contribuintes para o efeito estufa. Além de serem construídas com múltiplas camadas de proteção, as usinas que geram energia através da fonte nuclear possuem medidas de segurança que incluem sistemas de refrigeração de emergência, sistemas de contenção de radioatividade, redundância de equipamentos, capacitação contínua do pessoal e protocolos de emergência bem definidos. No caso do Brasil, as atividades dos reatores nucleares nacionais são reguladas, inspecionadas e auditadas por órgãos competentes, como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Elemento Combustível O Brasil figura entre os dez países com mais recursos de urânio no mundo, com apenas 30% do seu território prospectado, elemento com alta densidade energética, o que pode possibilitar a geração de grandes quantidades de eletricidade em um espaço reduzido. Isso demonstra que a energia nuclear é uma opção altamente estratégica para o desenvolvimento sustentável do país e uma enorme oportunidade para se reduzir a dependência de combustíveis fósseis, desempenhando papel importante para ampliação da diversificação da matriz energética brasileira de forma ainda mais limpa. A energia nuclear não é a única solução para os desafios energéticos do Brasil. O Crea-RJ defende a adoção de fontes renováveis diversificadas, cuidadosamente planejadas, integradas e sustentáveis, a fim de alcançarmos a melhor eficiência energética possível. O progresso tecnológico e a busca por soluções sustentáveis são caminhos que devem ser percorridos com responsabilidade, conhecimento e correção científica. Neste sentido, a energia nuclear pode e deve desempenhar um papel importante para a sociedade e o futuro do Brasil, desde que sejam adotados uma visão e um programa estratégico para o setor e seja mantida a sua identidade característica de transparência e compromisso contínuo com a segurança operacional e a preservação do meio ambiente. Com informações do artigo ‘Energia Nuclear no Brasil’, do engenheiro químico João da Silva Gonçalves, superintendente de Engenharia do Combustível da INB – Indústrias Nucleares do Brasil.
Prêmio de meio ambiente, do Crea-GO, chega à 22ª edição com tema sobre mudanças climáticas

Um dos maiores prêmios de meio ambiente do Brasil, o Troféu Seriema, organizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), está com inscrições abertas até o dia 22 de julho deste ano. Em sua 22a. edição, a premiação traz como tema “Mudanças Climáticas: a Hora de Agir é Agora”. É aberta a participação de projetos realizados em todo o país nas categorias de Imprensa, Elementos Naturais, Biodiversidade, Sociedade Sustentável, Inovação, Produção Acadêmica e Gestão Empresarial para os ODS (Objetos de Desenvolvimento Sustentável). O prêmio nacional tem o intuito de reconhecer trabalhos da sociedade que provocam mudanças, transformar o mundo, concretizam ideias e realizam sonhos. O objetivo é conscientizar toda a sociedade sobre suas práticas e os impactos que causam no meio ambiente. Os interessados de todo o Brasil já podem inscrever seus projetos no Troféu Seriema por meio do site www.trofeuseriema.org.br. É só acessar a plataforma, ler o regulamento de participação, escolher uma modalidade e inscrever a iniciativa. As inscrições são gratuitas e serão efetivadas somente on-line. Os concorrentes devem anexar ao formulário de inscrição os arquivos digitais contendo a apresentação do projeto, fotos, vídeos, slides e outros tipos de mídia para a complementação das informações prestadas. Cada participante pode inscrever mais de um trabalho, mas o mesmo trabalho não pode ser inscrito em mais de uma modalidade. Todas as candidaturas válidas serão avaliadas por uma comissão julgadora composta por membros de notório saber no tema socioambiental e os três finalistas de cada modalidade serão apresentados na solenidade de premiação que será realizada presencialmente, em Goiânia, e com transmissão nas redes sociais do Crea-GO, em novembro deste ano, quando serão revelados os grandes vencedores. Ao projeto vencedor será destinado o Troféu Seriema. Os autores e coautores dos trabalhos premiados receberão certificados. Podem concorrer ao Troféu trabalhos executados por profissionais, personalidades, entidades e instituições públicas e privadas, pessoas físicas e jurídicas ou propriedades rurais, em prol da preservação, recuperação, defesa ou conservação do meio ambiente. O Troféu Seriema tem apoio institucional do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), dos Creas e da Caixa de Assistência dos Profissionais do Sistema (Mútua). A ave Seriema é o símbolo da premiação desde sua primeira edição, em 2001. Encontrada principalmente na Região Central do Brasil, ela se destaca pela capacidade de adaptação e sobrevivência. O conceito foi traduzido artisticamente e deu forma de traços lisos e harmoniosos à estatueta, que se tornou a identidade do prêmio, considerado o Oscar da sustentabilidade no Brasil, uma vez que já reconheceu centenas de projetos. Conheça as modalidades do Troféu Seriema •Elementos Naturais – abrange iniciativas com foco na conservação, manutenção e recuperação do solo, da água e do ar; •Biodiversidade – iniciativas de manutenção e preservação das inter-relações e ecossistemas que envolvam flora ou fauna; •Sociedade Sustentável – abrange iniciativas que envolvam as relações de dependência entre a sociedade e os recursos naturais, educação e conscientização ambiental, ou mesmo projetos de restauração e conservação de patrimônio histórico, cultural e urbanístico; •Inovação – iniciativas que apresentem ferramentas inovadoras que contribuam efetivamente na preservação dos recursos naturais e que apresentem viabilidade técnica, econômica e socioambiental; •Imprensa – Material jornalístico, produzido por qualquer meio de comunicação que tenha contribuído ou promovido efeitos socioambientais positivos; * Produção Acadêmica – abrange pesquisas científicas realizadas no âmbito da academia (instituições de ensino superior), que visam a produção de conhecimento por meio de investigações práticas dos processos relacionados à sustentabilidade; * Gestão Empresarial para os ODS – conjunto de ações empresariais e como elas se alinham aos Objetivos Globais do Desenvolvimento Sustentável, os ODS, utilizando de seus recursos financeiros, estruturais e humanos, com foco na inserção da Agenda 2030 na estratégia de negócios. Fonte: Crea-GO