Palácio Tiradentes: há 100 anos um símbolo da democracia brasileira
Localizado no centro histórico do Rio de Janeiro, o Palácio Tiradentes completa 100 anos como um dos mais importantes marcos da Engenharia, da Arquitetura e da vida política do país. Mais do que sede do Poder Legislativo Fluminense, o edifício ocupa um terreno que concentra cerca de quatro séculos da História do Brasil. Antes mesmo da construção do palácio, o local já exercia papel central na administração pública, desde o período colonial. Por volta de 1640, foi erguido ali o primeiro edifício que abrigava a Câmara da cidade, onde atuavam três vereadores eleitos de forma indireta, com mandatos de apenas um ano. A eles cabia a gestão da cidade e das finanças públicas, cujo dinheiro era guardado em um cofre conhecido como “burra”, que só podia ser aberto com três chaves, uma sob responsabilidade de cada vereador. Prisão de Tiradentes No mesmo espaço funcionava também a antiga cadeia da cidade, chamada “Cadeia Velha” ou “Cadeia da Relação”. Foi nesse local que esteve preso por três dias o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, figura central da Inconfidência Mineira. Após permanecer detido por 1.072 dias na Ilha das Cobras, ele foi transferido para a Cadeia da Relação, de onde partiu, após três dias, para sua execução, em 21 de abril de 1792,um dos episódios mais emblemáticos da história brasileira. O Palácio A antiga edificação foi demolida em 1922, já em condições precárias, para dar lugar a um novo projeto arquitetônico monumental. Inspirado no Grand Palais de Paris, o Palácio Tiradentes foi projetado em estilo eclético pelos arquitetos Archimedes Memória e Francisco Couchet, sendo inaugurado em 6 de maio de 1926. Durante mais de três décadas, entre 1926 e 1960, quando o Rio de Janeiro ainda era a capital do país, o edifício sediou a Câmara dos Deputados, período em que recebeu a posse de todos os presidentes da República, de Washington Luís a Juscelino Kubitschek. O Palácio também atravessou momentos marcantes da história política nacional, como o Estado Novo (1937–1945), quando o Parlamento foi fechado por Getúlio Vargas e o prédio passou a abrigar o Ministério da Justiça e o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão responsável pela censura do regime. Sede da Alerj Com a transferência da capital federal para Brasília, em 1960, o Palácio Tiradentes iniciou uma nova fase, passando a sediar a Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara. Em 1975, com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, tornou-se a sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Desde 2021, o Palácio Tiradentes funciona como sede histórica da Alerj e local para sessões solenes, enquanto a sede administrativa e o plenário das sessões ordinárias foram transferidos para o Edifício Lúcio Costa Cultura e memória Além de sua relevância política e institucional, o Palácio Tiradentes também se consolidou como espaço de cultura e memória. Desde a criação do projeto de visitação guiada, em 1998, o local passou a receber visitantes interessados em conhecer de perto sua história, arquitetura e importância para a democracia brasileira. As suas escadarias, galerias, corredores e espaços como o plenário Barbosa Lima Sobrinho, a biblioteca e o salão nobre também abrigam manifestações culturais, apresentações artísticas e atividades abertas ao público. Ao completar um século de existência, o Palácio Tiradentes reafirma seu papel como um dos principais símbolos da democracia no Brasil, um espaço onde passado, presente e futuro se encontram na construção contínua da história nacional. Fonte: Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) Confira o vídeo.
Dia do(a) Engenheiro(a) Cartógrafo(a)
No dia 6 de maio é comemorado o Dia do(a) Engenheiro(a) Cartógrafo(a). Instituída pela Sociedade Brasileira de Cartografia (SBC), a escolha da data faz referência ao primeiro trabalho cartográfico realizado no Brasil em 1500, pelo Mestre João, astrônomo da frota de Pedro Álvares Cabral, que determinou a latitude da Baía de Cabrália. O curso de Engenharia Cartográfica foi regulamentado pelo Ministério da Educação – MEC, e as atividades desempenhadas pelos profissionais formados na área foram normatizadas pela Resolução Nº 197 publicada em 16 de outubro de 1970 pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Os(as) profissionais dessa área são responsáveis por executar mapeamento, processamento, análise e representação gráfica de dados geoespaciais, atuando em projetos que envolvem planejamento urbano, construção civil, meio ambiente, recursos naturais e transporte. O papel dos engenheiros(as) cartógrafos(as) é fundamental no desenvolvimento. Eles(as) trabalham por meio da coleta, análise e interpretação de dados geográficos para criar mapas, plantas e modelos 3D mais precisos. Graduação Com uma carga horária média que gira em torno de 3.600 a 4.600 horas, distribuídas em um período de 5 anos, equivalente a 10 semestres, o curso de Engenharia Cartográfica confere o título de bacharelado ao aluno. A grade curricular inclui disciplinas como Topografia, Geodésia, Fotogrametria, Sensoriamento Remoto, Cartografia Digital e SIG (Sistemas de Informações Geográficas), preparando o estudante para se tornarem especialistas em em ciência, tecnologia e Geografia. Durante a graduação, há também um intenso trabalho prático, com um alto índice de atividades em laboratório, por meio da utilização de softwares e hardwares de ponta, além de trabalho de campo. Essas práticas, juntas das disciplinas, ajudam a preparar os estudantes para se tornarem especialistas em ciência, tecnologia e Geografia. Pós-graduação e áreas de atuação A pós-graduação pode ser realizada em formato presencial ou EAD, durando em torno de 12 a 15 meses, seguindo a grade curricular planejada de acordo com as diretrizes de cada instituição de ensino . As aulas trabalham aprofundando conceitos como Geotecnologias, Geodésia, Fotogrametria e Sensoriamento Remoto. O seguimento da carreira de um(a) engenheiro(a) cartógrafo(a) é promissor, com as oportunidades no mercado de trabalho variando entre órgãos governamentais, empresas de Engenharia, mineração e consultorias ambientais. É uma área que busca regularmente meios inovadores e sustentáveis para os desafios encontrados. Veja algumas áreas de atuação: – Aerofotogrametria e Sensoriamento Remoto: nesta área, o(a) engenheiro(a) cartógrafo(a) possui atuação estratégica e técnica, trabalhando na coleta, processamento e análise de dados da superfície terrestre. O mapeamento muitas vezes é feito por meio de drones (UAVs/RPAS), para adquirir imagens de alta resolução. – Geodésia: os(as) profissionais que desempenham esse papel lidam com a medição e representação da Terra, incluindo suas formas, dimensões e campos gravitacionais. Ao mapear grandes áreas, é necessário sistemas de coordenadas, projeções cartográficas e cálculos para garantir uma maior precisão. – Cadastro Técnico Municipal/Ambiental: é uma área voltada para o planejamento urbano e espacial, por meio da coleta e processamento de dados, onde serve de base para o planejamento urbano e a gestão ambiental. – Sistemas de Informação Geográfica – SIG: os(as) profissionais designados para esta função, desenvolvem bancos de dados geográficos, bem como análise espacial e criação de mapas digitais, visando a tomada de decisão em logística, marketing e saúde. Fonte: Gov.br, Sienge Confira o vídeo.
CREA-RJ vai participar da Semana Acadêmica da UCAM em Campos dos Goytacazes
O CREA-RJ vai participar da Semana Acadêmica da Universidade Cândido Mendes (UCAM), em Campos dos Goytacazes, que será realizada entre os dias 11 e 15 de maio de 2026, das 18h às 22h, na Avenida Anita Peçanha, 100 – Parque São Caetano. Com o tema “Do Campus ao Mercado: Caminhos para Profissionais de Excelência”, o evento tem como objetivo aproximar a formação acadêmica das exigências do mercado de trabalho, reunindo estudantes de Engenharia da instituição e de outras universidades da região em uma programação composta por palestras, workshops, dinâmicas e atividades de interação com profissionais e empresas. A participação do CREA-RJ ocorrerá no dia 12 de maio, das 20h30 às 22h, em uma mesa redonda que contará com a presença do coordenador da Regional Norte do Conselho, engenheiro Sebastião Petrucci, representando a instituição. Na ocasião, serão abordados temas como a importância do Conselho, seus benefícios e as formas de participação dos futuros profissionais no Sistema. O debate contará ainda com a participação de um representante da OAB, ampliando a discussão para um diálogo interdisciplinar entre as áreas de Direito e Engenharia, com foco no papel dos conselhos profissionais na sociedade.
Alunos de São Gonçalo conquistam 1º lugar na First Lego League 2026, competição internacional de robótica realizada em Londres

Estudantes de São Gonçalo conquistaram o primeiro lugar em uma das principais competições internacionais de robótica educacional, a FIRST LEGO League 2026, realizada em Londres. A equipe We.Bot, formada por alunos do Colégio Odete São Paio, venceu na categoria Design de Engenharia, que avalia critérios como concepção, funcionalidade e eficiência dos projetos desenvolvidos. O grupo foi orientado pelo professor Eduardo Andrade, reconhecido durante o evento como melhor treinador da competição. O projeto apresentado consistiu no desenvolvimento de um robô capaz de executar tarefas específicas em uma arena de desafios, com todas as etapas conduzidas pelos próprios estudantes, desde a concepção até a programação. A equipe, que se destacou entre participantes de diversos países, também apresentou um trabalho técnico estruturado em formato de iniciação científica, detalhando o processo de desenvolvimento e a aplicação de conceitos de Engenharia. A conquista foi resultado da trajetória iniciada na etapa nacional da competição, na qual os alunos já haviam se destacado. Na fase internacional, os jurados avaliaram aspectos como consistência técnica, estratégia adotada e clareza na apresentação, fatores que contribuíram para o reconhecimento da equipe.
CREA-RJ e Bonus Track terão Acordo de Cooperação Técnica para eventos
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA- RJ) e a Bonus Track estão em tratativas para a assinatura de um termo de cooperação técnica para todos os eventos a serem realizados no Rio de Janeiro. A Bonus Track esclarece que, ao longo dos últimos dias, esteve colaborando com o CREA-RJ na análise de todas as contratações realizadas para o projeto Todo Mundo No Rio. A fiscalização focou na revisão de toda a documentação necessária de capacidade técnica, e contou com a colaboração da empresa contratante. Até a presente data, após análise inicial, foi constatada a regularidade das contratações que foram analisadas. A fiscalização do CREA-RJ informa que atua antes, durante e depois de cada evento.
CREA-RJ participa do Conecta Petrópolis e reforça atuação no desenvolvimento regional

O fortalecimento do ambiente de negócios e a integração entre diferentes setores produtivos no estado do Rio de Janeiro pautaram a realização do Conecta Petrópolis, promovido no dia 27 de abril, no município de Petrópolis. A iniciativa, que contou com o patrocínio do CREA-RJ, foi promovida pelo SEBRAE em parceria com a FACERJ (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Rio de Janeiro) e reuniu empreendedores, lideranças empresariais, representantes do poder público, estudantes e instituições em uma programação voltada à promoção de conexões, inovação e desenvolvimento regional. Estruturado em painéis temáticos, o evento abordou temas estratégicos como inovação e tecnologia, cidades inteligentes, sustentabilidade, competitividade, turismo e formação de capital humano. Os debates reuniram especialistas e lideranças, com foco na troca de experiências e na apresentação de soluções aplicadas aos desafios contemporâneos. O CREA-RJ participou da abertura institucional, representado pelo chefe de Gabinete, Rodrigo Machado, que falou sobre a nova ART e como as atualizações no documento podem impactar positivamente o mercado. “A ideia é possibilitar que o CREA-RJ atue como um agente de informação estratégica para formulação de políticas públicas e tomadas de decisão”, afirmou. Rodrigo também participou do painel “Cidades Inteligentes, Sustentabilidade e Resiliência”, no qual ressaltou a contribuição das profissões ligadas ao Conselho para a criação de soluções voltadas ao desenvolvimento urbano e à construção de cidades mais resilientes. Além da participação na programação, o CREA-RJ também manteve um ponto de atendimento e informações, voltado à orientação de profissionais e à divulgação de suas ações e serviços junto ao público participante. A programação incluiu ainda sessão de negócios, voltada à aproximação entre fornecedores e compradores, com o objetivo de estimular parcerias e gerar oportunidades comerciais. Realizado em diferentes municípios fluminenses, o Conecta tem se consolidado como uma importante plataforma de integração entre empresas, instituições e agentes públicos, promovendo soluções colaborativas e fortalecendo o ambiente de negócios em todo o estado do Rio de Janeiro.
Câmara de Teresópolis revoga lei que ampliava gabarito; CREA-RJ alertou prefeitura

Após meses de intensos debates e pressão popular, a Câmara Municipal de Teresópolis aprovou este mês a revogação da Lei Complementar nº 351/2025. A norma, agora anulada, permitia a construção de edifícios de até 20 andares no bairro do Alto, o que gerou fortes críticas de entidades técnicas como o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ). O Ministério Público também teve papel decisivo, recomendando a suspensão da lei devido à falta de estudos de impacto urbano e ambiental. Com a decisão unânime do legislativo, os parâmetros de construção anteriores são restabelecidos, preservando o perfil horizontal e a identidade visual da cidade. O prefeito Leonardo Vasconcellos sinalizou que respeitará a decisão da Câmara, encerrando o polêmico projeto de verticalização acelerada no município. Em março, o CREA-RJ havia alertado a prefeitura de Teresópolis para os riscos técnicos do aumento do gabarito, pedindo a suspensão da lei que alterava o perfil urbano de Teresópolis. A comunicação foi feita pelo ofício de nº 0035/2026-GABI, assinado pelo então presidente do Conselho, o engenheiro civil Miguel Fernández. Nesse ofício enviado à Prefeitura de Teresópolis – cidade com cerca de 176 mil habitantes e a 871 metros acima do nível do mar –, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia manifestou preocupação com o aumento do gabarito de prédios e apontou a falta de estudos sobre impactos na infraestrutura e segurança geológica da cidade. “Não se trata, Senhor Prefeito, de obstar o progresso municipal, mas de garantir que o desenvolvimento urbano ocorra dentro do marco civilizatório estabelecido pela República. A ausência de diálogo com órgãos técnicos, a falta de estudos prévios multidisciplinares e a acelerada tramitação legislativa em temas estruturais podem alimentar percepções de descoordenação federativa e fragilizar a necessária governança metropolitana na Região Serrana”, diz um trecho do ofício. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) formalizou contundente posição técnica contra a Lei Complementar nº 351/2025, que flexibilizava o gabarito máximo de edificações em Teresópolis. Na ocasião, o Conselho solicitou ao prefeito Leonardo Vasconcellos que suspendesse temporariamente os efeitos da medida, alertando para o risco de um crescimento desordenado, ignorando as fragilidades geológicas e a capacidade da infraestrutura local. A principal crítica do órgão foi sobre a velocidade da tramitação legislativa e a ausência de estudos prévios multidisciplinares. Segundo o CREA-RJ, a alteração profunda no perfil urbanístico de uma cidade montanhosa como Teresópolis exige rigor técnico, especialmente por envolver áreas sensíveis sujeitas a tragédias climáticas. Para o conselho, o aumento do número de pavimentos — que, na prática, permitia prédios de até 20 andares em regiões como o bairro do Alto — teria reflexos diretos em diversos sistemas urbanos que já operam próximos ao limite. Entre os pontos de alerta destacam-se: Capacidade viária: O adensamento populacional tende a aumentar o tráfego em vias já saturadas. Saneamento e Água: Dúvidas sobre a capacidade de abastecimento, coleta de esgoto e drenagem urbana. Serviços Públicos: A oferta de saúde, educação e lazer pode não acompanhar a nova demanda habitacional. Riscos Geotécnicos: O Conselho enfatiza a necessidade de perícias rigorosas antes de autorizar cargas maiores sobre solos em áreas de encosta.
CNPq lança edital do novo Programa de Capacitação Institucional no valor de R$ 120 milhões

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) publicou edital do novo Programa de Capacitação Institucional (PCI), com investimento total de R$ 120 milhões ao longo de quatro anos, financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A iniciativa tem como objetivo apoiar projetos institucionais de pesquisa voltados ao fortalecimento da capacidade científica e tecnológica de instituições vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A chamada marca uma reestruturação do PCI, que deixa de operar por meio de quotas institucionais e passa a adotar um modelo baseado em ampla concorrência por projetos. Nesse formato, pesquisadores das instituições elegíveis podem submeter propostas e atuar como coordenadores, ampliando a autonomia na definição das agendas de pesquisa e na alocação de recursos. Os projetos poderão solicitar até R$ 1,5 milhão, com possibilidade de aplicação dos recursos em bolsas e despesas de custeio, estas limitadas a 10% do valor total. O edital estabelece ainda a exigência de alinhamento das propostas à missão institucional, formalizada por meio de declaração da direção da entidade proponente. Do total de recursos, no mínimo 30% serão destinados a instituições localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, como forma de promover maior equilíbrio na distribuição territorial dos investimentos em ciência e tecnologia. As propostas podem ser submetidas até 27 de maio de 2026, conforme cronograma estabelecido na chamada pública. As candidaturas deverão ser encaminhadas ao CNPq exclusivamente via internet, utilizando-se o Formulário de Propostas online disponível na Plataforma Integrada Carlos Chagas. O CNPq realizará um webinário explicativo, com o objetivo de sanar dúvidas sobre as novas regras e o preenchimento de propostas na Plataforma Integrada Carlos Chagas. Acesse a página da chamada para mais informações.
Milton Santos e os cem anos de um pensamento que transformou a Geografia brasileira

O centenário de nascimento de Milton Santos, celebrado em 3 de maio de 2026, marca a trajetória de um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX e uma das principais referências mundiais da Geografia. Cem anos após seu nascimento, seu pensamento permanece atual na interpretação das desigualdades, da urbanização, da globalização e das relações entre sociedade e território. Nascido em 1926, em Brotas de Macaúbas, Milton Santos desenvolveu uma obra que redefiniu a forma de compreender o espaço geográfico no Brasil. Em um período no qual a Geografia era fortemente associada à descrição física do território, o pesquisador baiano ajudou a consolidar uma perspectiva crítica voltada à análise das relações econômicas, sociais e políticas que produzem o espaço urbano e regional. Sua produção intelectual ganhou força especialmente a partir das décadas de 1950 e 1960, quando passou a estudar os processos de urbanização e desenvolvimento em países periféricos. Ao analisar as transformações das cidades brasileiras, Milton Santos introduziu interpretações inovadoras sobre pobreza urbana, circuitos da economia, desigualdade territorial e exclusão social. Seus estudos contribuíram para aproximar a Geografia de temas centrais da vida contemporânea, como infraestrutura, mobilidade, técnica, acesso aos serviços e concentração de renda. Perseguido pela ditadura militar após o golpe de 1964, Milton Santos foi preso e posteriormente viveu no exílio durante mais de uma década. Nesse período, lecionou em universidades da França, do Canadá, dos Estados Unidos, da Venezuela e de países africanos, ampliando o alcance internacional de sua produção acadêmica. A experiência do exílio também aprofundou sua leitura crítica sobre dependência econômica, globalização e desenvolvimento desigual entre países centrais e periféricos. Ao retornar ao Brasil, consolidou-se como uma das principais vozes da Geografia crítica latino-americana. Entre suas contribuições mais influentes está a formulação do conceito de “território usado”, entendido não apenas como espaço físico, mas como resultado das relações sociais, econômicas, técnicas e políticas que organizam a vida cotidiana. A partir dessa perspectiva, Milton Santos passou a interpretar o território como elemento ativo da sociedade e não apenas como cenário das ações humanas. Outra contribuição decisiva foi sua crítica ao processo de globalização. Em obras como “Por uma Outra Globalização”, o geógrafo argumentou que o avanço técnico e informacional, embora apresentado como promessa de integração mundial, aprofundava desigualdades e concentrava poder econômico. Ao mesmo tempo, defendia a possibilidade de construção de formas mais solidárias e humanas de organização social. A relevância de sua obra ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em 1994, Milton Santos tornou-se o primeiro latino-americano a receber o Prêmio Vautrin Lud, considerado a principal premiação internacional da Geografia. O reconhecimento consolidou a projeção mundial de um pensamento construído a partir da realidade do Sul Global e das contradições sociais presentes nas cidades e territórios periféricos. As homenagens promovidas no centenário têm ressaltado justamente essa permanência de sua produção intelectual. Universidades, entidades científicas e instituições culturais têm destacado a atualidade de suas reflexões diante de temas como desigualdade urbana, segregação socioespacial, concentração de infraestrutura, mudanças tecnológicas e exclusão territorial. Mais do que um geógrafo, Milton Santos tornou-se um intérprete do Brasil e das transformações do mundo contemporâneo. Sua obra ajudou a ampliar o papel da Geografia no debate público brasileiro, aproximando a disciplina das discussões sobre cidadania, desenvolvimento, planejamento urbano e justiça social. Cem anos após seu nascimento, seu pensamento segue como referência para compreender os desafios do território e da sociedade brasileira. Fontes: IEB-USP, FFLCH-USP, Jornal da Unicamp, UFMG e AGB
Dia Nacional da Ética na Engenharia
O dia 2 de maio marca o Dia Nacional da Ética na Engenharia, data que reforça a relevância da atuação ética para os profissionais e para a sociedade. A celebração evidencia o papel do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA ao destacar a responsabilidade social e profissional inerente às atividades das Engenharias, da Agronomia e das Geociências. A Lei nº 5.194/1966 regulamenta o exercício dessas profissões, tratando de aspectos como atribuições, uso do título profissional, fiscalização, registro de profissionais e empresas, além das penalidades aplicáveis em casos de descumprimento. O normativo também estabelece direitos relacionados à autoria de projetos e define mecanismos de controle do exercício profissional por meio dos conselhos federal e regionais. Instituído em 1971, o Código de Ética Profissional acompanha o exercício cotidiano dessas áreas e está alinhado ao que estabelece a legislação vigente, que define o caráter social das profissões regulamentadas pelo Sistema Confea/Crea. Esse conjunto de normas orienta a conduta dos profissionais, considerando a relevância de suas atividades para a coletividade. Entre 2014 e 2015, o Confea instituiu um Grupo de Trabalho com o objetivo de atualizar o Código de Ética a partir de contribuições das Comissões de Ética dos Creas. Esse processo resultou na elaboração da Resolução nº 1.090, que regulamentou o conceito de “crime infamante” e suas respectivas penalidades. A versão mais recente do Código de Ética foi atualizada em 2024, sendo sua 15ª edição, anexo da Resolução no 1.002, de 26 de junho de 2002. O documento reúne princípios que orientam a prática profissional e é considerado um instrumento central para a valorização das profissões e para a busca pela excelência nas áreas abrangidas pelo Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA. A área tecnológica, entendida como a aplicação de métodos científicos e empíricos para o uso dos recursos naturais, está presente em diferentes dimensões da vida cotidiana, tanto no campo material quanto intelectual. Nesse contexto, os profissionais desenvolvem soluções tecnológicas que impactam diretamente a sociedade, o que amplia sua responsabilidade para além da execução técnica, alcançando também a forma como exercem sua atuação profissional. Entre os pontos destacados pelo Código de Ética, estão a necessidade de atuação dentro dos limites da qualificação profissional, a garantia do salário mínimo profissional e a proteção da propriedade intelectual das criações técnicas. O documento também prevê a existência de Comissões de Ética nos Creas para julgamento de infrações em primeira instância, enquanto o Plenário do Confea atua como instância final nesses processos. Acesse aqui o Código de Ética Profissional. Confira o vídeo.