Supertalls redefinem os limites da construção vertical e engenheira brasileira lidera o segmento no país

A engenheira civil Stéphane Domeneghini ocupa hoje um dos postos mais desafiadores da engenharia estrutural brasileira: liderar a concepção e execução dos chamados “supertalls”, edifícios com mais de 300 metros de altura, que demandam soluções técnicas de última geração. Com formação sólida, mais de 15 anos de atuação e especialização em estruturas verticais, ela comanda projetos de referência nacional, como a One Tower e a Epic Tower, além do icônico Senna Tower — futuro edifício residencial mais alto do mundo. O Senna Tower, em construção em Balneário Camboriú (SC), terá mais de 500 metros de altura e está sendo edificado sobre uma das formações rochosas mais resistentes do planeta. Para viabilizar essa obra, a equipe de engenharia sob sua coordenação precisou investir em estudos geotécnicos avançados, modelagens computacionais de alta precisão e simulações sísmicas e eólicas em túnel de vento. Inovação em estabilidade estrutural, BIM e integração multidisciplinar Entre os destaques técnicos do Senna Tower está a adoção do sistema Tuned Mass Damper (TMD), uma tecnologia de controle passivo de vibração que será aplicada pela primeira vez em um edifício na América Latina. Trata-se de um amortecedor de massa sintonizada posicionado próximo ao topo da edificação, que atua como contrapeso dinâmico para reduzir os efeitos de forças horizontais, especialmente do vento, que incidem sobre a estrutura. Esse tipo de solução é comum em torres de grande altura, como a Taipei 101 (Taiwan) ou o Burj Khalifa (Emirados Árabes), e sua aplicação no Brasil representa um salto tecnológico no setor. Stéphane também aposta no uso extensivo da modelagem BIM (Building Information Modeling), não apenas para a representação tridimensional do projeto, mas como ferramenta de gestão integrada entre as disciplinas de estrutura, instalações, fachada e fundações. Essa abordagem garante maior previsibilidade na execução, redução de conflitos em obra e otimização de prazos e custos. “A precisão e a interoperabilidade entre as áreas técnicas são vitais em construções dessa magnitude”, ressalta a engenheira. Sustentabilidade e certificação LEED Além da inovação estrutural, a sustentabilidade é pilar central dos projetos liderados por Stéphane. O Senna Tower busca obter a certificação LEED Platinum, o mais alto nível do selo internacional de construções sustentáveis. Para isso, estão sendo considerados critérios como uso racional de água, eficiência energética, materiais de baixo impacto ambiental e qualidade do ar interior. “Em um edifício com mais de 100 pavimentos, cada sistema precisa ser eficiente e integrado desde a concepção, para garantir performance ambiental e conforto aos usuários”, explica. Desafios de solo, vento e verticalização extrema Os desafios enfrentados vão além do convencional. A atuação em Balneário Camboriú, cidade com presença marcante de ventos costeiros e solos rochosos, exige um grau de engenharia diferenciado. As fundações dos supertalls são executadas com estacas de grandes profundidades, com controle de recalques milimétricos, e toda a estrutura é projetada com sistemas de núcleos rígidos e contraventamentos que asseguram o desempenho sob cargas dinâmicas. Apesar de estar em um ambiente historicamente dominado por homens, Stéphane Domeneghini tornou-se referência técnica e inspiração para uma nova geração de engenheiras. Sua recente participação como única brasileira no júri técnico do Congresso do CTBUH (Council on Tall Buildings and Urban Habitat) demonstra o reconhecimento internacional de seu trabalho, baseado na excelência técnica, visão estratégica e inovação contínua. Fonte: Confea

Enaldo Cravo Peixoto: o engenheiro visionário da Guanabara

Nascido em Penedo (Alagoas) em 1920 e radicado no Rio de Janeiro a partir dos anos 1940, Enaldo Cravo Peixoto foi uma figura central na engenharia sanitária brasileira, deixando um legado definitivo no desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro, especialmente no antigo Estado da Guanabara, que forma o atual Estado do Rio de Janeiro. Sua atuação foi marcada por uma visão inovadora e um compromisso com a melhoria da infraestrutura e da qualidade de vida da população. Cravo Peixoto veio para o Rio de Janeiro a fim de estudar engenharia na antiga Universidade do Brasil, atual Escola Politécnica da UFRJ, onde se formou em 1942. Na época, o então Distrito Federal era administrado pelo prefeito nomeado Ângelo Mendes de Moraes que, entre outras grandes obras, construiu o Estádio Mário Filho, o Maracanã, na época o maior do mundo. “Logo depois de formado, Enaldo começou a trabalhar em 1945 na City, concessionária do sistema de esgotos desde a época de Dom Pedro II, em 1853. Com o fim da concessão, Enaldo participa da transição e atua no Departamento de Água e Esgoto do Distrito Federal. Ele já tinha um grande plano de saneamento para o Rio”, lembra Núbia Melhem, curadora da exposição inédita sobre o arquivo do engenheiro Enaldo Cravo Peixoto, que será aberta nesta sexta-feira, dia 23 de maio, no Centro Cultural da SEAERJ (Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro), em comemoração aos 90 anos da entidade.  A trajetória de Enaldo Cravo Peixoto ganhou destaque na gestão do governador Carlos Lacerda, entre 1960 e 1965. Ele foi secretário de Viação e Obras do antigo Estado da Guanabara e depois presidente da Superintendência de Urbanização e Saneamento (Sursan). Nesse período, Enaldo esteve à frente de obras de grande porte que transformaram a paisagem carioca e trouxeram soluções essenciais para os desafios urbanos da época. Dentre as iniciativas mais notáveis, destacam-se a Adutora do Guandu, um projeto fundamental para o abastecimento de água da cidade, inaugurado em 1955; a conclusão do Túnel Santa Bárbara, que revolucionou o trânsito e a conexão entre as zonas Norte e Sul, construído em 1963; a perfuração do Túnel Rebouças; e o Aterro e Parque do Flamengo, uma obra de engenharia audaciosa que criou uma nova área de lazer e beleza natural para a cidade, de 1965. O aterro é considerado um dos mais expressivos projetos de urbanização paisagística do Brasil. Essas obras são a certificação de sua capacidade técnica e de sua visão de futuro. Em 1982, após nova ampliação, o Guandu passou a ser o maior parque de produção de água da América Latina. Hoje, o Sistema Guandu é responsável pelo abastecimento de 80% da água consumida na Região Metropolitana do Rio, que tem cerca de 11 milhões de habitantes Além de sua atuação direta em projetos de engenharia, Enaldo Cravo Peixoto foi um grande articulador e visionário institucional. A convite de Carlos Lacerda, em 1960, ele ingressou na Sursan, órgão que se tornou crucial para o planejamento e a execução de políticas públicas na área de saneamento e urbanismo no estado da Guanabara. Sua liderança na Sursan permitiu a implementação de uma abordagem mais integrada e eficiente para os desafios da cidade. Enaldo foi fundamental também para a criação e desenvolvimento de projetos de saneamento, como o Interceptor Oceânico, de 1971, e o Emissário Submarino de Esgotos.  A influência de Enaldo se estendeu também ao âmbito associativo, sendo um dos fundadores da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES). A criação da ABES foi um marco para a engenharia sanitária no Brasil, consolidando um espaço para a troca de conhecimentos, o aprimoramento profissional e a defesa dos interesses da área. Enaldo Cravo Peixoto, com sua participação, contribuiu significativamente para a formação de uma comunidade profissional engajada e para a elevação dos padrões técnicos no setor. O impacto de Enaldo Cravo Peixoto transcendeu as décadas. Suas obras continuam a beneficiar milhões de pessoas, e as instituições que ajudou a fundar permanecem relevantes no cenário da engenharia brasileira. Ele é lembrado como um engenheiro sanitarista à frente de seu tempo, um gestor público exemplar e um visionário que dedicou sua vida a construir um futuro melhor para o Rio de Janeiro e para o Brasil. Após sua morte, em 1985, Enaldo Cravo Peixoto deu nome a uma rua de 353 metros de extensão em frente ao Shopping Tijuca, naquele bairro da Zona Norte do Rio, na gestão do prefeito Marcello Alencar. Em 1997, na gestão do prefeito César Maia, Enaldo deu nome também a um túnel de 153 metros de extensão na Linha Amarela.  ESTA MATÉRIA INAUGURA A SÉRIE “O ENGENHEIRO QUE VIROU RUA”, QUE VAI APRESENTAR A BIOGRAFIA DE PROFISSIONAIS DA ENGENHARIA QUE DERAM NOME A LOGRADOUROS PÚBLICOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.  Confira a exposição sobre Enaldo Cravo Peixoto na SEAERJ

Dia Internacional da Biodiversidade Biológica

Para promover a conscientização e a necessidade de proteger a biodiversidade em todos os ecossistemas, no dia 22 de maio é comemorado o Dia Internacional da Biodiversidade Biológica. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 e é também uma homenagem ao dia da aprovação do texto final da Convenção da Diversidade Biológica, chamado Nairobi Final Act of the Conference for the Adoption of the Agreed Text of the Convention on Biological Diversity.   A Biodiversidade refere-se à multiplicidade de vida no planeta Terra, o que inclui a diversidade genética, as espécies e os ecossistemas, ou seja, todos os seres vivos existentes, como plantas, animais de grande e pequeno porte, os microorganismos e sua interação com o meio ambiente. É o que garante o funcionamento e o equilíbrio da vida, seja nos mais distintos lugares e condições, de desertos a florestas tropicais. O termo Biodiversidade foi introduzido, em 1988, pelo entomologista americano Edward O. Wilson.  E além de um ambiente mais plural e sustentável, a preservação da saúde dos ecossistemas garante o acesso a alimentos e outros recursos essenciais, como os princípios ativos de determinados medicamentos contidos em plantas e ervas. Também contribuem para a purificação do ar e da água, a regulação do clima e a prevenção de enchentes. As maiores ameaças à conservação da biodiversidade são a conversão dos ambientes naturais para outros usos, especialmente em áreas agrícolas, além da expansão urbana e industrial. Além disso, a degradação, exploração excessiva dos recursos naturais, a introdução de espécies animais e vegetais exóticas têm levado muitas espécies à extinção, assim como as mudanças climáticas. Os tamanhos das populações de mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis viram uma queda média alarmante de 68% desde 1970, índice somente comparável a eventos de extinção em massa. Atualmente, usa-se 25% mais recursos naturais do que o planeta é capaz de fornecer. O alto índice de desperdício também aumenta ainda mais a exploração excessiva, acelerando o processo de esgotamento dos recursos naturais.  Diminuir o desmatamento, investir no reflorestamento e na conservação de áreas naturais, incentivar o uso de energias renováveis (solar, eólica, biomassa e hidrelétricas), preferir utilizar biocombustíveis (etanol, biodiesel) a combustíveis fósseis (gasolina, óleo diesel) são algumas das possibilidades para reverter essas mudanças prejudiciais à vida.  Biodiversidade brasileira O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo, espalhadas nos seis biomas terrestres e nos três grandes ecossistemas marinhos. Devido a sua vastidão territorial, ocorrem níveis climáticos que levam a variações ecológicas (os biomas), entre eles estão: a Floresta Amazônica, maior floresta tropical úmida do mundo; o Pantanal, maior planície inundável; o Cerrado de savanas e bosques; a Caatinga de florestas semiáridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical pluvial da Mata Atlântica.  Com mais de 124 mil espécies da fauna, mais de 44 mil espécies da flora e mais de 8 mil espécies de fungos conhecidos no país, distribuídas pelos seis biomas terrestres e três grandes ecossistemas marinhos, o Brasil também possui uma costa marinha de 3,5 milhões km², que inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântano, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.  A situação da biodiversidade brasileira é acompanhada de perto também pela Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), que tem papel na discussão e implantação das políticas sobre a biodiversidade, bem como identificar e propor áreas e ações prioritárias para pesquisa, conservação e uso sustentável dos componentes da biodiversidade. E uma das preocupações do governo é com as espécies brasileiras ameaçadas de extinção por meio da exploração excessiva, não-sustentável, em com consequências negativas serão prejudiciais do ponto de vista quantitativo, qualitativo, econômico, social ou ambiental. O processo de extinção está relacionado ao desaparecimento de espécies ou grupos de espécies em um determinado ambiente ou ecossistema. Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática; Unesco e WWF. 

CREA Aqui: inscreva-se no maior encontro da Engenharia, Agronomia e Geociências do Rio de Janeiro

CREA AQUI: o maior encontro da Engenharia, Agronomia e Geociências do Rio de Janeiro Em 2025, o CREA-RJ comemora 91 anos de história! Para marcar essa trajetória de compromisso com a excelência profissional, promovendo a ética e em defesa da sociedade, será realizado o CREA Aqui, um evento inovador que não apenas homenageia o passado e exalta o presente, mas também projeta o futuro das profissões tecnológicas. No dia 5 de junho, a Marina da Glória será o ponto de encontro de profissionais, estudantes, especialistas, entidades, instituições públicas, privadas e empresas, reunindo cerca de 3 mil participantes em um ambiente dinâmico de debates estratégicos e networking qualificado. CONFIRA A PROGRAMAÇÃO E INSCREVA-SE

Sementes brasileiras viajam ao espaço em missão histórica

Elas nasceram no solo brasileiro, passaram por processos avançados de melhoramento genético e, agora, deram um salto extraordinário: sementes de grão-de-bico e mudas de batata-doce desenvolvidas pela Embrapa cruzaram a fronteira da Terra a bordo de um foguete da Blue Origin. A viagem espacial, realizada em 14 de abril de 2025, teve como destaque a presença da cantora Katy Perry e marcou a primeira missão da Blue Origin com uma tripulação composta exclusivamente por mulheres. Mas, discretamente, foram as sementes brasileiras que protagonizaram um capítulo importante na união entre ciência agropecuária e exploração espacial. Transportadas pela engenheira aeroespacial e ex-cientista da NASA Aisha Bowe, as sementes integram um projeto da Rede Space Farming Brasil, iniciativa vinculada à Agência Espacial Brasileira (AEB), que busca desenvolver sistemas agrícolas sustentáveis para o cultivo de alimentos em ambientes extraterrestres. A escolha das espécies não foi por acaso. A batata-doce é reconhecida por seu crescimento rápido, resistência, valor nutricional e adaptabilidade a condições adversas — atributos essenciais para a agricultura espacial. Já o grão-de-bico é rico em proteínas e possui grande potencial para melhorias genéticas que o tornem mais eficiente em ambientes de microgravidade. O objetivo é claro: entender como essas plantas se comportam no espaço, onde a ausência de solo fértil, a radiação intensa e a microgravidade impõem desafios extremos. Os resultados poderão beneficiar não apenas futuras missões tripuladas a outros planetas, como Marte, mas também gerar soluções inovadoras para problemas enfrentados na Terra, como a escassez de água e nutrientes em regiões vulneráveis. Assim, o que começou como uma simples semente plantada em solo nacional agora germina possibilidades que cruzam fronteiras planetárias. Um passo pequeno para a agricultura brasileira — mas um salto promissor para a ciência que alimenta o futuro.

Crea-RJ promove 12º Congresso Estadual de Profissionais

Com o tema “Engenharia, Agronomia e Geociências no desenvolvimento das cidades”, o Sistema Confea/Crea mobiliza profissionais de todo o Brasil para a construção coletiva de propostas que serão debatidas no 12º Congresso Nacional de Profissionais (CNP). A iniciativa é promovida pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) em parceria com os Conselhos Regionais (Creas), entre eles o Crea-RJ, que conduz as etapas regionais e estaduais no estado do Rio de Janeiro. Para consolidar as propostas que serão levadas ao Congresso Nacional, o processo conta com duas etapas preparatórias: os Encontros Regionais e o Congresso Estadual de Profissionais (CEP). No estado do Rio de Janeiro, o Crea-RJ realiza os Encontros Regionais em diversas cidades onde mantém inspetorias, reunindo profissionais para debater os temas propostos, aprovar teses e eleger delegados para o CEP. Durante os Encontros Regionais, os participantes discutem os eixos temáticos definidos pelo Confea, aprovam proposições e elegem os delegados que representarão suas regiões no Congresso Estadual. Entre os temas deste ciclo estão: O CEP-RJ é responsável por sistematizar as propostas, integrando-as ao debate nacional e ampliando o diálogo entre o Sistema Profissional e a sociedade. Profissionais registrados e com a anuidade de 2025 quitada podem participar dos Encontros Regionais, enviando propostas dentro dos temas estipulados. Os trabalhos aprovados seguem para apreciação no 12º CEP, etapa em que apenas os delegados eleitos poderão votar. Nos Encontros Regionais, todos os participantes têm direito a voto. O 12º CNP representa uma oportunidade estratégica para fortalecer o protagonismo da Engenharia, da Agronomia e das Geociências no desenvolvimento nacional. A participação ativa dos profissionais é fundamental para garantir que as propostas reflitam as reais necessidades do setor e se transformem em ações concretas para o país. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas antecipadamente acessando aqui. Para mais informações, acesse www.crea-rj.org.br/12cep ou entre em contato pelo email [email protected] 

Palácio Gustavo Capanema celebra 80 anos de história e reabre ao público, após 10 anos fechado

Após uma década fechado e seis anos de obras de restauração, o Palácio Gustavo Capanema, localizado no centro do Rio de Janeiro, será reaberto ao público nesta terça-feira, 20 de maio. A data marca também os 80 anos de inauguração deste que é considerado um marco da arquitetura modernista brasileira e um símbolo da cultura nacional. O edifício, originalmente projetado para abrigar o então Ministério da Educação e Saúde Pública, foi concebido por uma equipe liderada por Lúcio Costa, com participação de Oscar Niemeyer (à época ainda um jovem arquiteto), Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Machado Moreira e Ernani Vasconcellos. A consultoria internacional ficou a cargo de Le Corbusier, referência do modernismo na Europa. Entre os artistas que contribuíram para sua concepção estão nomes consagrados como Cândido Portinari, Alberto Guignard, Pancetti, Bruno Giorgi, além dos jardins suspensos idealizados por Roberto Burle Marx. O Palácio Gustavo Capanema foi construído entre 1936 e 1945 e é considerado o primeiro prédio modernista da América Latina. O edifício introduziu inovações importantes para a arquitetura brasileira, como o uso de pilotis, fachada envidraçada, brise-soleils (quebra-sóis), planta livre e integração de arte e arquitetura, todos princípios do modernismo difundidos por Le Corbusier. As fachadas adornadas com azulejos de Portinari e a harmonia entre os elementos artísticos e arquitetônicos fazem do prédio uma referência internacional. Restauração e modernização A reabertura do palácio é resultado de um amplo processo de restauração iniciado em 2019, com investimento de R$ 84,3 milhões do Governo Federal, por meio do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A obra incluiu a atualização das redes elétrica, hidráulica, de combate a incêndio e telecomunicações, além da recuperação de obras de arte, mobiliário e elementos arquitetônicos históricos. Os tradicionais brise-soleils de amianto, por exemplo, estão sendo substituídos por réplicas em fibra de vidro, garantindo maior segurança sem alterar o projeto original. O edifício ocupa uma área de 27.536 m² e sua recuperação foi realizada respeitando rigorosamente as diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma das instituições que agora ocupará o espaço. Novo uso e acesso ao público Com a reabertura, cerca de 60% do palácio será destinado a atividades culturais, incluindo exposições, apresentações artísticas, oficinas e eventos. O prédio também volta a abrigar uma biblioteca com mais de 100 mil itens e inaugura um café no jardim suspenso do 16º andar, com vista panorâmica para o centro do Rio. Os demais 40% serão ocupados por órgãos vinculados ao Ministério da Cultura: Iphan, Funarte, Ibram e Fundação Casa de Rui Barbosa. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou que a reabertura do Palácio Capanema representa um momento simbólico de valorização da cultura, da memória e do patrimônio brasileiro. A cerimônia de reinauguração contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante de sua relevância histórica e arquitetônica, o governo federal planeja submeter o Palácio Gustavo Capanema à candidatura de Patrimônio Mundial da Unesco. O prédio já é tombado pelo Iphan desde 1994 e também pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e pelo município do Rio de Janeiro. Quem foi Gustavo Capanema? Gustavo Capanema Filho (1900–1985) foi um político, intelectual e gestor público brasileiro, cuja atuação teve papel central na institucionalização da cultura e da educação no país durante o século XX. Assumiu o Ministério da Educação e Saúde Pública em julho de 1934, durante o governo de Getúlio Vargas, e permaneceu no cargo até 1945, tornando-se o ministro mais longevo da história da pasta. Durante sua gestão, promoveu importantes reformas educacionais e políticas culturais. Foi responsável pela criação do  Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1937, com o objetivo de preservar o patrimônio cultural brasileiro. Além disso, Capanema incentivou a criação da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e do Serviço Nacional de Teatro, em 1937, visando ao desenvolvimento e à promoção das artes cênicas no país. Capanema cercou-se de importantes nomes da cultura brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, que foi seu chefe de gabinete, Mário de Andrade, Villa-Lobos, Cândido Portinari e Sérgio Buarque de Holanda. Essa aproximação com os modernistas permitiu a implementação de políticas culturais inovadoras e a integração das artes nas ações do Estado. Após deixar o ministério, continuou sua carreira política como deputado federal por Minas Gerais em diversas legislaturas entre 1946 e 1971, e como senador entre 1971 e 1978. 

Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2024 tem coleta iniciada pelo IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou, em 14 de abril de 2025, a coleta de dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) 2024. Essa etapa, com duração prevista de sete meses, até outubro, visa levantar informações sobre os serviços de limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais em todos os 5.571 municípios brasileiros. Os resultados estão programados para serem divulgados no segundo semestre de 2026. A pesquisa coleta dados junto aos prestadores de serviços municipais, abordando temas como coleta seletiva, limpeza urbana e de praias, disposição final de resíduos sólidos, além de mapeamento, monitoramento e manutenção da infraestrutura de drenagem e manejo de águas pluviais. Essas informações complementam os dados obtidos pela Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), que investiga a gestão municipal do saneamento básico. Fernanda Malta, gerente da PNSB, destaca que a integração com a Munic permitiu uma visão mais detalhada sobre a gestão municipal do saneamento, resultando em um questionário mais abrangente e alinhado com a gestão pública dos serviços. Cristiane Moutinho, coordenadora de População e Indicadores Sociais (Copis), ressalta que os temas abordados são essenciais para um diagnóstico atualizado dos serviços de saneamento no país, embora encontrar o informante adequado para responder sobre os serviços ofertados seja um desafio. A PNSB também aborda questões relacionadas à sustentabilidade e impactos ambientais. O manejo de resíduos sólidos inclui todas as etapas, desde a geração até a disposição final, abrangendo práticas como coleta seletiva, compostagem doméstica e logística reversa. Além disso, são investigados os Ecopontos, locais de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho, grandes objetos e resíduos recicláveis. No que diz respeito ao manejo de águas pluviais, a pesquisa examina sistemas de controle do escoamento da água da chuva, como galerias pluviais, bueiros e piscinões urbanos, que visam a minimizar problemas como enchentes, erosão e contaminação de corpos d’água. Outras soluções incluem o uso de pavimentos permeáveis e jardins de chuva, que permitem a infiltração da água no solo, reduzindo a sobrecarga do sistema de drenagem. A PNSB 2024 é uma iniciativa fundamental para avaliar a oferta e a qualidade dos serviços de saneamento no Brasil, além de analisar as condições ambientais e suas implicações na saúde e na qualidade de vida da população. Fonte: Agência Gov/ EBC

Dia Mundial da Reciclagem

No dia 17 de maio, é celebrado o Dia Mundial da Reciclagem. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância da reciclagem para a manutenção da sustentabilidade, como o descarte correto dos resíduos, construção de hábitos de consumo pensados para a qualidade do meio ambiente e reutilização de matérias que seriam desperdiçadas.  Segundo a Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a reciclagem é o processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes. Assim, a prática de reciclar combate também a poluição, tanto do ar quanto do solo, diminuindo a exposição a gases tóxicos, como o metano e o CO2, e materiais particulados, prejudiciais à saúde humana.  E para além dos efeitos na saúde, a degradação do meio ambiente por resíduos podem causar a destruição de habitats naturais e a perda da biodiversidade, levando ao aumento da disseminação de doenças transmitidas por animais, como a malária, a dengue e a febre amarela. A contaminação de solos agrícolas e recursos hídricos tem impacto direto na segurança alimentar e nutricional da população.  No Brasil, apenas 4% de 82 milhões de toneladas de lixo produzidas é reciclado, segundo o levantamento feito pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) com dados do  Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2023. Com o baixo índice de reciclagem, muito abaixo de países de mesma faixa de renda e grau de desenvolvimento econômico, como Chile, Argentina, África do Sul e Turquia, que apresentam média de 16% de reciclagem, segundo dados da International Solid Waste Association (ISWA), os resíduos sólidos recebem, em sua maioria a destinação errada.  Na pesquisa realizada pelo Ministério das Cidades, mostra que 14,3% dos descartes ainda são enviados para lixões e 11,9% para aterros controlados, locais onde o lixo é disposto com cobertura de solo, mas sem que haja impermeabilização do solo ou sistema de tratamento dos gases e do chorume dispensados. Ambas as formas são consideradas irregulares para o tratamento do lixo.  Reciclagem e a economia A reciclagem é também uma fonte de renda: dados divulgados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil perde R$14 bilhões por ano com a falta de reciclagem adequada do lixo. São cerca de 12 milhões de toneladas de resíduos sólidos que, ao invés de gerar emprego e renda, acabam sendo descartados no meio ambiente.  Os catadores de materiais recicláveis somam mais de 20 milhões de pessoas no mundo, sendo cerca de 4 milhões na América Latina e mais de 800 mil no Brasil. Eles coletam 58% dos plásticos, abastecendo a cadeia produtiva e diminuindo a poluição, contribuindo para a economia de recursos naturais, a vida útil dos aterros sanitários, a diminuição de poluentes, a limpeza das cidades e a saúde pública. A reciclagem é fonte de trabalho e renda para a população e, quando organizados coletivamente, catadores atuam em associações e cooperativas autogestionárias e solidárias. Porém, a categoria é constantemente desvalorizada e invisibilizada.  Uma das alternativas apresentadas para lidar com a quantidade de resíduos gerados no país é a incineração. No entanto, ela compete com a reciclagem e compromete a geração de trabalho e renda dos catadores. A reciclagem reduz as emissões 25 vezes mais do que a incineração. A incineração se enquadra dentro do princípio da economia linear, gera poucos postos de trabalho e destroi a matéria-prima. Por outro lado, a reciclagem é economia circular, gerando postos de trabalho e renda para trabalhadores excluídos. Como descartar de forma correta os resíduos:  – Resíduos recicláveis: conhecidos popularmente como lixo seco, os resíduos recicláveis são compostos por itens limpos e secos feitos de papel, plástico, vidro ou metal. Ou seja, uma garrafa PET de refrigerante é um item reciclável, desde que seja limpa e seca. Não é necessário limpar algum produto de limpeza em específico, mas passar uma água e depois deixar todos os itens recicláveis para secar é fundamental. Entram nesta categoria embalagens de alimentos industrializados, revistas, latinhas, embalagens plásticas de shampoo, sacolas plásticas, papelão, tampinhas e outros.  – Resíduos orgânicos: quase metade dos resíduos produzidos em casa são orgânicos, sejam estes restos de comida, como talos, cascas e bagaços. Quando este tipo de resíduo vai para a lixeira comum, ele chega ao aterro sanitário, onde gera metano, um gás 23 vezes mais poluente que o CO2. A forma é diminuir o desperdício alimentar e transformar resíduos orgânicos em adubo por meio de compostagem.  – Resíduos especiais: são resíduos que não são recicláveis, mas que também não podem ser direcionados para o lixo comum porque envolve algum tipo de risco em seu manuseio, sendo necessário levar para um local especializado para o descarte. Assim, pilhas, baterias e eletrônicos que possuem metais pesados, são ideais para serem levadas para um Ponto de Entrega Voluntária (PEV); lâmpadas que possuem gases tóxicos e medicamentos, este sendo descartado em farmácias ou em postos de saúde.  – Rejeitos: é o que não é possível reciclar e nem compostar, o que neste caso vai para o aterro sanitário, mas que corresponde a apenas 10% dos resíduos produzidos em casa. Nesta categoria entram papéis higiênicos usados, fraldas descartáveis, absorventes, camisinhas e até mesmo resíduos muito sujos ou contaminados para serem reciclados, como lata de tinta e pote de vidro com resto de esmalte.  Cores da coleta seletiva Sendo um meio facilitador de descarte nos centros urbanos, as lixeiras dispostas em espaços públicos ajudam no destaque do correto descarte dos materiais e incentivam os cidadãos a contribuir para os caminhos de uma vida mais equilibrada. As cores e seus respectivos significados são:  Fontes: Abrema; Agência Gov e WWF

Live do Programa Mulher debate o equilíbrio entre maternidade, parentalidade e carreira

Maternidade, Parentalidade e Carreira: Como Equilibrar Tudo? Este é o tema da próxima live do Programa Mulher CREA-RJ, que acontecerá no dia 22 de maio e contará com a presença da engenheira civil Camila Jannotti e da engenheira agrônoma Fernanda Villarinho. Camila Jannotti é engenheira civil e especialista em orçamentos de obras. Fez história ao se tornar a primeira mulher a coordenar a fiscalização interna do Crea-RJ e tem ampla experiência em regulação de concessões rodoviárias na AGETRANSP.  Fernanda Villarinho é engenheira agrônoma e engenheira de segurança do trabalho, conselheira titular na Câmara Especializada de Agronomia – CEAgro do CREA-RJ pela AEARJ, sócia e responsável técnica de empresa especializada na gestão de áreas verdes com mais de 15 anos de atuação no mercado público e privado. Ambas são mães e enfrentam o desafio diário de conciliar a maternidade com o trabalho. A live acontece no dia 22 de maio, às 19h, pelo Instagram do programa: @programamulhercrearj Não perca essa oportunidade de desenvolvimento e troca de experiências!