Quando a fantasia entra na avenida, a Engenharia sustenta o espetáculo

Matéria originalmente publicada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Quando a bateria esquenta, as luzes se refletem nos tecidos e milhares de corpos se movem em perfeita sintonia, o Carnaval revela muito mais do que brilho e ritmo. Enquanto o público vê plumas, paetês e cores vibrantes, a Engenharia enxerga sistemas, cálculos e escolhas técnicas cuidadosamente planejadas. Por trás de cada fantasia que cruza a avenida, há um engenheiro que transformou criatividade em estrutura, arte em desempenho e espetáculo em segurança. É justamente essa harmonia entre imaginação e ciência que faz do Carnaval brasileiro não apenas o maior espetáculo da Terra, mas também uma verdadeira aula de Engenharia em movimento. De acordo com o engenheiro têxtil Brenno Henrique, toda fantasia começa como um projeto técnico. “Uma estrutura têxtil é, na verdade, um sistema complexo; ela resulta da combinação técnica de diversas variáveis”. Antes mesmo de pensar em brilho ou plumas, entram em cena decisões fundamentais: será malha, tecido plano ou não tecido (TNT)? Tela, sarja ou cetim? Cada escolha define como a fantasia vai se comportar no corpo do componente durante o desfile. Para garantir mobilidade total, que é essencial para quem samba por mais de uma hora, a Engenharia aposta em estruturas de malharia de alta performance. Elas permitem que o corpo se mova livremente, sem deformar a peça. Já quando o desafio é sustentar volumes, adereços e alegorias vestíveis, entram tecidos planos como Ripstop ou Oxford, conhecidos pela estabilidade e resistência à tração. O equilíbrio entre força e conforto também passa pelas fibras. O poliéster entrega durabilidade, enquanto algodão e modal oferecem toque agradável à pele. E um detalhe quase invisível faz toda a diferença na avenida. “A introdução de elastano – muitas vezes em proporções pequenas, em torno de 3% – viabiliza bastante a recuperação elástica necessária para o dinamismo coreográfico da avenida”, comenta Brenno, que é subcoordenador do curso de Engenharia Têxtil na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Muito além da escolha estética, o papel da Engenharia Têxtil no ramo carnavalesco é traduzir as exigências do desfile em soluções técnicas precisas. “Cabe ao engenheiro têxtil calibrar parâmetros fundamentais como a torção e a densidade linear dos fios, a gramatura do tecido e a aplicação de acabamentos químicos funcionais, que incluem proteção UV, repelência à água e tecnologias de gerenciamento de umidade”, explica o professor que trabalha no emprego de nanotecnologia em materiais têxteis, com destaque para o desenvolvimento de tecidos funcionais, como os antimicrobianos e os que protegem a pele de raios ultravioleta (UV). “A Engenharia Química também contribui de forma decisiva para o desenvolvimento de produtos com excelente desempenho e múltiplas funcionalidades”, frisa Catia Lange, doutora na área pela UFSC, com cerca de 20 anos de atuação em beneficiamento químico têxtil, desenvolvimento de produtos, tratamento de efluentes, além de controle e otimização de processos industriais. O trabalho do engenheiro químico no setor têxtil inclui, por exemplo, desenvolver corantes mais eficientes e estáveis ao longo tempo; otimizar em larga escala o consumo de água e energia; e propor soluções sustentáveis, como a reciclagem de tecidos e o uso de corantes naturais. Fantasia é Engenharia em camadas Uma fantasia de Carnaval não é uma peça única, mas um verdadeiro “sanduíche” de materiais: tecidos leves e pesados, estruturas internas, costuras, colagens e aplicações. Para que tudo funcione sem machucar, pesar ou rasgar, a integração dessas camadas precisa ser milimetricamente pensada. A costura não é apenas acabamento; mas é elemento estrutural. Tecidos elásticos pedem pontos específicos para acompanhar o movimento. A escolha errada do equipamento ou da densidade de pontos pode gerar o temido “efeito serrilha”, quando a agulha fragiliza o tecido e provoca rasgos prematuros. Quando a costura não dá conta, entram as colagens. Mas nem toda cola serve. “O princípio fundamental é a compatibilidade química entre o adesivo e o polímero da fibra”, salienta Brenno. Uma colagem mal planejada cria rigidez excessiva, zonas de atrito e até ferimentos. “Por isso, a engenharia têxtil seleciona polímeros adesivos que mantenham a memória elástica do tecido, garantindo que a fantasia se mova em harmonia com o corpo”, acrescenta o especialista. Nessa lógica de camadas que precisam funcionar como um único organismo, a engenheira têxtil Fernanda Steffens ressalta que o segredo está no rigor técnico na fase de confecção. A realização de ensaios preliminares é crucial para identificar ajustes necessários na modelagem ou na aplicação de adereços, evitando recortes ou estruturas que possam comprometer o conforto do folião ou não entregar o efeito visual esperado na avenida. “É importante seguir à risca as informações da ficha técnica apresentadas pelos fornecedores, como a quantidade correta de pontos por centímetro na costura de uma malha ou a temperatura de fusão adequada para fixar adereços termocolantes”, alerta a doutora em Engenharia Têxtil pela Universidade do Minho, em Portugal, docente na UFSC e especialista em desenvolvimento de têxteis técnicos e inteligentes. Fernanda reforça que o controle de qualidade ao longo da manufatura é decisivo para eliminar não conformidades antes que as peças cheguem aos componentes, assegurando que a fantasia permaneça íntegra, segura e confortável durante todo o desfile. Brilho, proteção e segurança: Engenharia a serviço da folia O impacto visual das fantasias que hipnotiza o público nasce, muitas vezes, nos laboratórios. Processos de acabamento, chamados de beneficiamento secundário e terciário, transformam tecidos comuns em superfícies dignas da Sapucaí. A calandragem, por exemplo, usa pressão e temperatura para achatar a superfície das fibras e, assim, cria aquele aspecto vitrificado que reflete a luz da avenida. Já os efeitos metálicos mais intensos surgem com metalização superficial ou aplicação de resinas poliméricas especiais. “Nesses casos, a Engenharia Têxtil deve garantir que o ligante, ou a ‘cola’ química que fixa o brilho, mantenha a flexibilidade necessária, evitando que o acabamento ‘quebre’ ou descasque com a movimentação constante do folião, o que comprometeria tanto a estética quanto a durabilidade da peça”, detalha Brenno Henrique. Além da estética, entram em cena acabamentos funcionais. Tecidos respiráveis, de secagem rápida e com proteção UV já fazem parte do mercado
CREA-RJ promove capacitação gratuita sobre Orçamento de Obras para profissionais e estudantes do Sistema
No dia 28 de fevereiro de 2026, sábado, o CREA-RJ, em uma iniciativa conjunta do Programa Mulher CREA-RJ, Abenc – Associação Brasileira de Engenheiros Civis e Programa Progredir, vai realizar a capacitação gratuita online “Orçamento de Obras”. O objetivo é promover a capacitação de estudantes e profissionais do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA na elaboração e análise de orçamentos de obras, promovendo maior domínio técnico sobre custos, planejamento financeiro e práticas orçamentárias, contribuindo para a valorização profissional e a execução de obras com mais segurança, lucratividade e responsabilidade técnica. Palestrante A palestra será ministrada pela engenheira civil Ana Carolina Tavares. Com 10 anos de experiência na construção civil e mais de 50 obras e projetos gerenciados e planejados, Ana Tavares é Coordenadora da Fiscalização Interna CREA-RJ; sócia da Ferpe Engenharia; especialista em Planejamento de Obras; mentora; palestrante e professora do curso Técnico em Edificações do Sebrae/Firjan. Por que participar? Dominar a composição de custos e o planejamento orçamentário é um diferencial competitivo no mercado atual. Além de garantir a viabilidade econômica dos projetos, o conhecimento técnico sólido em orçamentos assegura a responsabilidade técnica e evita prejuízos comuns em obras mal planejadas. Detalhes do Evento Data: 28/02/2026 (sábado) Horário: 08h30 às 12h30 Carga Horária: 4 horas Vagas: 100 vagas (Formato Online) Inscrições As inscrições estão sendo realizadas exclusivamente pela plataforma Sympla. Como as vagas são limitadas a 100 participantes presenciais, recomenda-se que os interessados garantam sua participação o quanto antes.Link de inscrição: Clique aqui
CREA-RJ determina a apuração das circunstâncias da queda de andaime em Copacabana
A Presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) determinou a apuração imediata das circunstâncias da queda do andaime ocorrida hoje, 7 de fevereiro de 2026, na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Constante Ramosem Copacabana, na Zona Sul do Rio. A Fiscalização do CREA constatou que as duas empresas que atuam na obra têm responsáveis técnicos registrados no Conselho e possuem as Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) emitidas e vigentes. No entanto, ainda não é possível informar as causas do acidente, uma vez que não há conclusão do trabalho de perícia da polícia técnico-científica. A equipe da Fiscalização do CREA-RJ apurou que a empresa responsável pela obra estava fazendo a movimentação do andaime que fora montado desde novembro. O CREA-RJ vai oficiar o condomínio e a Polícia Civil para ter o relatório da perícia. A Fiscalização vai relatar as informações apuradas e as responsabilidades pelo incidente e encaminhar o processo para as respectivas Câmaras Especializadas de Engenharia a fim de obter parecer se será ou não aberto processo ético. Essa medida pode resultar em suspensão cautelar dos registros dos responsáveis técnicos. A Gerência da Fiscalização do CREA-RJ ressalta a importância de toda obra ou serviço de Engenharia ter sempre um responsável técnico para o projeto e execução da montagem de andaimes e que eles têm o dever de calcular e acompanhar a montagem desses equipamentos, considerados de extrema sensibilidade, uma vez que, frequentemente, são utilizados em vias públicas e com cargas de pessoas trabalhando neles.
Carros alegóricos unem arte, técnica e segurança na avenida

Matéria originalmente publicada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Em fevereiro tem carnaval, neste ano, entre 14 e 16 de fevereiro, e, enquanto o Brasil inteiro se entrega à festa, a Engenharia segue trabalhando intensamente nos bastidores para que o “maior espetáculo da Terra” aconteça com segurança, técnica e precisão. Nada ali é improviso: do primeiro risco no barracão à construção das alegorias que cruzam a avenida, cada etapa depende do olhar criterioso de profissionais habilitados. No Rio de Janeiro, onde a celebração atinge proporções monumentais, só no ano passado mais de oito milhões de pessoas participaram da festa que se espalha por toda a cidade, o trabalho técnico ganha ainda mais relevância. Na Sapucaí, cerca de 500 mil pessoas acompanham os desfiles da Série Ouro e do Grupo Especial, o que exige estruturas seguras, fluxos bem planejados e carros alegóricos construídos com rigor. Segundo o engenheiro Edson Marcos Gaspar, responsável técnico da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), a presença de profissionais habilitados é indispensável em todas as etapas. “Definido o enredo, todo o planejamento, o cronograma e a execução passam por profissionais habilitados. Há, sim, uma Engenharia por trás do carnaval”, afirma. Avaliados no quesito “Alegorias e Adereços”, que considera concepção, beleza, acabamento e adequação ao enredo, os carros alegóricos são verdadeiras obras de engenharia que desfilam pela Sapucaí. Neste ano, mais de 150 alegorias entram na avenida, somando as escolas do Grupo Especial, da Série Ouro e as escolas mirins. “Esses veículos podem chegar a 25 toneladas. Por isso, são estruturas essencialmente multidisciplinares, que exigem a atuação integrada de profissionais das áreas mecânica, elétrica, civil e de segurança do trabalho para garantir funcionalidade, estabilidade e segurança durante o desfile”, explica Gaspar. Em entrevista ao CREA-RJ, o diretor de carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos, destacou a importância da parceria com o Conselho para a realização do carnaval em plenas condições de segurança. Presidente da Estação Primeira de Mangueira entre 1995 e 2001, Elmo reúne ampla experiência nos desfiles das escolas de samba e ressaltou a satisfação em atuar em conjunto com os engenheiros do CREA-RJ para contribuir com as ações de fiscalização. O presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández, por sua vez, reforçou que a fiscalização do Conselho tem como principal objetivo orientar os profissionais do Sistema CONFEA/CREA, assegurando que a sociedade seja beneficiada pela segurança dos serviços e das obras. Com esse propósito, foi criada a Equipe de Trabalho de Grandes Eventos, que, durante os preparativos do Sambódromo no ano passado, identificou a atuação de 95 profissionais da Engenharia, vinculados a 51 empresas registradas no Regional. Por trás de cada carro alegórico que cruza a avenida, há cálculo, técnica e responsabilidade. A atuação integrada de profissionais habilitados e a fiscalização do Sistema CONFEA/CREA asseguram que a cidade, vitrine mundial durante o carnaval, seja também um exemplo de segurança e planejamento. Fonte: CONFEA – www.confea.org.br
Mudanças climáticas forçam a utilização de neve artificial nas Olimpíadas de Inverno 2026

As Olimpíadas de Inverno 2026, que tiveram início hoje em Milão-Cortina, na Itália, evidenciam ainda mais os impactos climáticos que o planeta vem sofrendo. As altas temperaturas no inverno europeu causam a escassez de neve natural nos Alpes Italianos, onde os jogos estão sendo realizados, e, com isso, se torna necessária a utilização de neve artificial. O Comitê Olímpico Internacional (COI) providenciou mais de 3 milhões de jardas cúbicas (2,3 milhões de metros cúbicos) de neve para viabilizar a competição de provas ao ar livre. A medida já foi amplamente utilizada nos Jogos de Pequim em 2022, marcada por ser a primeira Olimpíada de Inverno a usar 100% de neve artificial, implementando mais de 100 geradores e 300 canhões de alto rendimento, com a finalidade de cobrir as pistas de esqui. O aumento das temperaturas do planeta também implica na crescente limitação de sedes possíveis. De acordo com um estudo do próprio COI, apenas 10 nações serão capazes de sediar os esportes de neve dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno até 2040. Um levantamento feito pela Climate Central reforça esse panorama, onde o mesmo mostra que as 19 cidades que sediaram os Jogos Olímpicos de Inverno desde 1950 registraram o fenômeno, com uma média de 2,7°C até 2021. As modalidades mais afetadas pelo baixo acúmulo de neve são o esqui alpino, snowboard e bobsled, em que o equilíbrio da competição é comprometido com temporadas mais curtas, pistas mais instáveis e maior risco de lesões. O problema se estende também aos treinos, exigindo que atletas se desloquem por grandes distâncias para buscar locais em que o volume de neve e gelo é o suficiente para a prática do esporte. Diante do cenário climático cada vez mais agravante, o COI planeja alterar a data das próximas edições, antecipando de fevereiro para janeiro, visando a aproveitar o clima mais frio e a maior quantidade de neve. Como consequência, os Jogos Paralímpicos também devem ser antecipados, visto que o mês de março – período em que são disputados – é mais próximo da época de degelo da primavera. Entre a população europeia, há uma forte preocupação com o futuro dos esportes de inverno.
CREA-RJ protocola pedido de impugnação ao Edital da Caixa para exigir vistoria presencial e engenheiros em avaliações de imóveis

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) protocolou nesta quinta-feira (5) um pedido de impugnação ao Edital de Credenciamento 12/2026-5688, da Caixa Econômica Federal. A autarquia contesta critérios da licitação que, segundo o órgão, comprometem a segurança da sociedade e restringem ilegalmente o exercício profissional de engenheiros. O principal ponto de divergência é a permissão para o uso de modelos automatizados (AVM) que dispensam a vistoria física dos bens. De acordo com o documento apresentado pelo Conselho, a ausência de inspeção presencial impede a identificação de patologias e vícios construtivos, o que gera um risco sistêmico para o Sistema Financeiro Nacional. O CREA-RJ sustenta que a avaliação de imóveis não é um mero cálculo matemático passível de substituição por algoritmos, mas uma análise técnica que envolve verificação de estruturas, solo e instalações elétricas, exigindo cumprimento rigoroso das normas da ABNT (NBR 13.752 e NBR 14.653) e a emissão de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). O Conselho argumenta ainda que a avaliação de bens é atividade privativa de engenheiros e arquitetos, conforme a Lei 5.194/66, e que o edital abre brechas para a atuação de empresas sem a devida habilitação legal. Outro ponto questionado é a exigência de qualificações consideradas desproporcionais, como títulos de Doutorado em Ciência de Dados para serviços de engenharia, o que excluiria injustamente escritórios técnicos e empresas regionais da disputa. O CREA-RJ reafirmou que manterá a fiscalização para garantir que a precisão técnica e a segurança das edificações não sejam suplantadas por modelos estatísticos.
Quando a Engenharia vira samba

Matéria originalmente publicada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). O som que move o Carnaval brasileiro nasce, em grande parte, de instrumentos de percussão submetidos a condições extremas de uso. Durante horas ininterruptas, surdos, caixas, repiques, tamborins, cuícas, agogôs, pandeiros e chocalhos são tocados com intensidade máxima, muitas vezes expostos ao calor, à umidade e até à chuva. Para que essa engrenagem sonora funcione sem falhas, há um trabalho silencioso de Engenharia por trás da festa. Esses instrumentos podem ser compreendidos como sistemas vibroacústicos, nos quais materiais, forma, tensão e ressonância precisam estar em equilíbrio para garantir qualidade sonora e resistência mecânica. No caso do surdo — base rítmica da bateria —, por exemplo, o desafio é fazer com que o instrumento suporte impactos repetidos por longos períodos sem perder afinação ou integridade estrutural. Entram em cena a Engenharia de Materiais, na escolha entre madeira, aço ou alumínio, e o desenvolvimento de peles sintéticas capazes de manter estabilidade mesmo sob forte tensão. A Engenharia Acústica também desempenha papel central. Afinar uma bateria de escola de samba ou de bloco não é apenas uma questão de ouvido musical, mas um verdadeiro quebra-cabeça de frequências. O grave do surdo não pode “embolar” com os médios do repique, nem competir com os agudos do tamborim. Cada instrumento ocupa uma faixa específica do espectro sonoro, organizada de forma a produzir clareza, potência e identidade rítmica. Instrumentos como a cuíca evidenciam ainda mais essa complexidade. Seu som característico — muitas vezes descrito como “chorado” — resulta do atrito controlado entre a haste interna e a pele do instrumento, combinando princípios de fricção, ressonância e amplificação acústica. É física pura traduzida em expressão popular. A relação entre música e tecnologia, no entanto, não é recente. Desde a Antiguidade, a fabricação de instrumentos depende do domínio de técnicas construtivas e do conhecimento empírico dos materiais disponíveis. O que muda, ao longo do tempo, é o grau de sistematização desse conhecimento — algo que a Engenharia moderna passa a oferecer. No Brasil, essa aproximação entre ciência, tecnologia e música ganhou impulso acadêmico no início dos anos 2000. Em 2003, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estruturaram um grupo multidisciplinar dedicado à investigação da acústica musical e de suas aplicações tecnológicas. A iniciativa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Centro Virtual de Pesquisa e Desenvolvimento em Música, Artes e Tecnologias (MusArtS), reunindo docentes das áreas de Engenharia Mecânica, Engenharia Civil, arquitetura e música. A proposta era compreender os instrumentos musicais não apenas como objetos artísticos, mas como sistemas complexos, capazes de gerar conhecimento aplicável a setores como a indústria fonográfica, a construção civil e até o setor automotivo. Ao mesmo tempo, os pesquisadores chamavam atenção para um desafio persistente: embora o país detenha vasta tradição musical e artesanal, ainda depende do exterior em relação às tecnologias mais avançadas de projeto e fabricação de instrumentos. No Carnaval, essa distância entre ciência formal e saber popular é, muitas vezes, encurtada na prática. Mestres de bateria, luthiers e ritmistas acumulam um conhecimento técnico sofisticado, ainda que nem sempre nomeado como Engenharia. A festa, assim, se revela também um laboratório a céu aberto, onde física, materiais e som se organizam para transformar cálculo em emoção — e Engenharia em samba. Fonte: CONFEA – www.confea.org.br
Após pressão do CREA-RJ, Prefeitura de Niterói Abre Licitação para a Recuperação da Ponte de Madeira que liga a Ilha da Conceição à Ilha do Caju
Após quase dois anos de intenso trabalho de fiscalização e da realização de Audiência Pública, no dia 23 de janeiro de 2026, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro – CREA-RJ conseguiu pressionar a Prefeitura de Niterói a lançar o edital de licitação para contratação de empresa que fará a recuperação estrutural da ponte que liga a Ilha da Conceição à Ilha do Caju, no município, na Região Metropolitana Leste Fluminense. O CREA-RJ, em defesa da sociedade e da valorização profissional, posicionou-se diante da negligência da Prefeitura de Niterói em relação à necessidade de reparos urgentes da ponte, que está sob ameaça de colapso. Desde novembro de 2024, a Presidência do CREA-RJ vem denunciando os riscos de queda da ponte de madeira. A Fiscalização do Conselho realizou várias ações no local e alertou a Prefeitura de Niterói, por meio de ofícios, sobre as péssimas condições estruturais da ponte. Audiência Pública No dia 23 de janeiro de 2026 foi realizada uma Audiência Pública com a finalidade de informar à população e ao Poder Público sobre o péssimo estado de conservação, bem como promover a transparência e o diálogo com a sociedade acerca das condições estruturais e de segurança da ponte. A Audiência Pública foi realizada de forma presencial na Inspetoria do CREA-RJ em Niterói, localizada na Avenida Roberto Silveira 245, em Icaraí. Durante a Audiência Pública, o presidente do CREA-RJ, engenheiro civil Miguel Fernández, anunciou que o Conselho entraria com uma ação civil pública exigindo que a Prefeitura de Niterói tomasse providências para reparos urgentes da ponte. Ações de Fiscalização As ações da Fiscalização do CREA-RJ no local tiveram início em 2024, com base em denúncias feitas ao Conselho. A Fiscalização retornou outras duas vezes à ponte em 2025, mas nunca recebeu nenhuma resposta satisfatória por parte da Prefeitura de Niterói. Até o final de janeiro de 2026, pelo menos quatro ofícios haviam sido enviados à administração da cidade. Além da Prefeitura de Niterói, o CREA-RJ relatou a situação ao Ministério Público Estadual e ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Edital Após pressão do CREA-RJ, a Prefeitura de Niterói abriu o edital. A licitação 02/2026, processo Nº 9900167684/2025, que tem como objeto “a contratação de empresa especializada para execução de serviços de recuperação estrutural da ponte da Ilha do Caju, localizada na Ilha da Conceição, Niterói-RJ” será realizada no próximo dia 25 de fevereiro, às 11 horas, na Rua Visconde de Sepetiba n° 987, 11° andar, Centro, Niterói/RJ. Acesse o edital. O CREA-RJ reafirma seu compromisso em defesa da sociedade e celebra esta conquista por mais segurança e dignidade aos cidadãos e empresas de Niterói e regiões adjacentes que dependem dessa ponte para a travessia diária. Confira a Transmissão ao Vivo da Audiência Pública Audiência Pública Sobre a Ponte de Madeira que liga a Ilha do Caju à Ilha da Conceição, realizada no dia 23/01/2026 Deu na Mídia RJTV 1 – CREA-RJ denuncia riscos na ponte que liga as ilhas do Caju e da Conceição Jornal BandNews Rio – CREA-RJ denucia riscos na ponte entre as ilhas do Caju e da Conceição Leia Também CREA-RJ vai entrar na Justiça para exigir recuperação de ponte de madeira em Niterói Ponte de madeira em Niterói é interditada após alertas de risco feitos pelo CREA-RJ CREA-RJ vai realizar audiência pública para alertar sociedade sobre risco de queda de ponte de madeira em Niterói
Dia do(a) Engenheiro(a) Ambiental
Em 31 de janeiro, comemora-se o Dia do(a) Engenheiro(a) Ambiental. A escolha da data é devido ao Projeto de Lei n° 615, de 2007, e em homenagem à primeira turma de Engenharia Ambiental no Brasil, na Universidade Federal do Tocantins (UFT), em 1997. O curso de Engenharia Ambiental é regulamentado pelo Ministério da Educação (MEC) e as atividades desempenhadas pelos profissionais da área foram normatizadas pela Resolução Nº 447, de 22 de setembro de 2000, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Os(as) engenheiros(as) ambientais são responsáveis pelo trabalho de desenvolvimento econômico e social, focado na proteção ambiental, preservação dos ecossistemas e conservação dos recursos naturais. Também atuam em processos de controle e fiscalização no uso dos recursos naturais, visando a gestão de resíduos sólidos e perigosos, tanto em cidades quanto em empresas e corporações. Como ingressar na carreira? Com uma duração média de cinco anos, o curso de Engenharia Ambiental concede o título de bacharelado, possibilitando ao aluno estudar disciplinas que envolvem Biologia, Química e Física, abordando Hidrologia, Geomorfologia, Hidrologia, Ecologia, Legislação e Planejamento Ambiental. Matérias específicas da Engenharia, como Dinâmica de Fluidos e Tratamento de Efluentes, também são aprofundadas. Vale lembrar que a grade varia de acordo com a instituição de ensino. Ao sair da faculdade, o mercado de trabalho exige dos(as) profissionais preparo para atuar em áreas específicas da Engenharia Ambiental, como na avaliação em consultorias ambientais, gerência questões de sustentabilidade e eficiência energética, elaboração de políticas públicas e contribuição com avanços tecnológicos e inovações para a resolução de problemas no meio. Pós-graduação Há pós-graduações em Engenharia Ambiental nos formatos stricto sensu (mestrado/doutorado), para pesquisa e docência, e lato sensu (especialização/MBA) voltados para o mercado. Estes possuem carga horária média de 400 horas e podem ser feitos nos formatos presenciais, híbridos ou em EAD. Áreas de atuação Licenciamento Ambiental: esses profissionais avaliam os impactos no meio ambiente e emitem pareceres técnicos para garantir que atividades e empreendimentos obtenham a licença ambiental, minimizem danos e operem em conformidade junto à lei, promovendo assim o desenvolvimento sustentável. Gestão de recursos hídricos: o uso racional da água é planejado por meio de medidas de preservação de mananciais, monitoramento de bacias, projetos de abastecimento e conservação de nascentes. O desempenho efetivo dessas ações garante o melhor funcionamento do ciclo da água e de sua utilização diária. Controle da poluição: são os profissionais direcionados para desenvolver estratégias para minimizar a poluição do ar, da água e dos solos. Projetam sistemas de tratamento de efluentes e resíduos, monitorando a qualidade ambiental e promovendo tecnologias eficientes e limpas de emissões prejudiciais para que sejam aplicadas na recuperação de áreas degradadas. Consultoria ambiental: necessário para o controle e prevenção de impactos ambientais. O consultor(a) fornece expertise para empresas se manterem em conformidade com leis, desenvolvendo sustentabilidade e minimizando danos através de projetos. Fonte: Universidade Estácio de Sá, Blog da Anhanguera, Educa+Brasil e Semil
Edição impressa da revista CREA RIO DE JANEIRO amplia comunicação com profissionais e instituições

O CREA-RJ lançou a versão impressa da sua nova revista, CREA RIO DE JANEIRO, um importante canal de comunicação e diálogo com o setor técnico do estado. A publicação, que já está disponível em formato digital, agora ganha circulação física e será distribuída gratuitamente a entidades de classe, instituições de ensino e a profissionais das Engenharias, da Agronomia e das Geociências interessados. A iniciativa reforça o compromisso do CREA-RJ em promover a troca de conhecimento, valorizar o papel das profissões técnico-científicas e ampliar a presença do conteúdo editorial, articulado-o a temas relevantes para o desenvolvimento profissional e socioeconômico. CREA RIO DE JANEIRO apresenta artigos técnicos, reportagens sobre obras e projetos de destaque, entrevistas com lideranças e as principais tendências que impactam os setores vinculados ao Sistema CONFEA/CREA. Nesta primeira edição, temas de grande interesse têm espaço, como grandes empreendimentos de Engenharia no estado e debates estratégicos, com representantes do sistema profissional. A versão impressa permite que o conteúdo chegue diretamente às mãos de leitores em ambientes acadêmicos e corporativos, reforçando o alcance do Conselho junto às comunidades técnicas e à sociedade em geral. Além disso, o lançamento físico faz parte de uma estratégia mais ampla de comunicação, que integra plataformas digitais e impressas, com o objetivo de fortalecer a identidade profissional e facilitar o acesso a informações que contribuem para a formação, o aperfeiçoamento e o reconhecimento dos profissionais registrados no CREA-RJ.