Mudanças climáticas forçam a utilização de neve artificial nas Olimpíadas de Inverno 2026

As Olimpíadas de Inverno 2026, que tiveram início hoje em Milão-Cortina, na Itália, evidenciam ainda mais os impactos climáticos que o planeta vem sofrendo. As altas temperaturas no inverno europeu causam a escassez de neve natural nos Alpes Italianos, onde os jogos estão sendo realizados, e, com isso, se torna necessária a utilização de neve artificial.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) providenciou mais de 3 milhões de jardas cúbicas (2,3 milhões de metros cúbicos) de neve para viabilizar a competição de provas ao ar livre. A medida já foi amplamente utilizada nos Jogos de Pequim em 2022, marcada por ser a primeira Olimpíada de Inverno a usar 100% de neve artificial, implementando mais de 100 geradores e 300 canhões de alto rendimento, com a finalidade de cobrir as pistas de esqui.

O aumento das temperaturas do planeta também implica na crescente limitação de sedes possíveis. De acordo com um estudo do próprio COI, apenas 10 nações serão capazes de sediar os esportes de neve dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno até 2040. Um levantamento feito pela Climate Central reforça esse panorama, onde o mesmo mostra que as 19 cidades que sediaram os Jogos Olímpicos de Inverno desde 1950 registraram o fenômeno, com uma média de 2,7°C até 2021.

As modalidades mais afetadas pelo baixo acúmulo de neve são o esqui alpino, snowboard e bobsled, em que o equilíbrio da competição é comprometido com temporadas mais curtas, pistas mais instáveis e maior risco de lesões. O problema se estende também aos treinos, exigindo que atletas se desloquem por grandes distâncias para buscar locais em que o volume de neve e gelo é o suficiente para a prática do esporte.

Diante do cenário climático cada vez mais agravante, o COI planeja alterar a data das próximas edições, antecipando de fevereiro para janeiro, visando a aproveitar o clima mais frio e a maior quantidade de neve. Como consequência, os Jogos Paralímpicos também devem ser antecipados, visto que o mês de março – período em que são disputados – é mais próximo da época de degelo da primavera.

Entre a população europeia, há uma forte preocupação com o futuro dos esportes de inverno.

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