A Engenharia por trás da sonorização do Sambódromo

Este ano, a Marquês de Sapucaí passou por uma grande inovação durante os desfiles das escolas de samba. Um novo sistema sonoro substituiu os tradicionais carros de som por uma infraestrutura digital, permitindo que intérpretes e equipes de harmonia passassem a receber o retorno do áudio por fones de ouvido e/ou as caixas de som. Por meio de uma Engenharia que atende as complexidades do Sambódromo, as implementações marcam uma nova era tecnológica no Carnaval do Rio de Janeiro, proporcionando melhorias significativas na experiência sonora e sensorial para os milhares de espectadores presentes durante as noites de desfiles. Com isso, a aposentadoria dos carros de som foi vista como necessária. Utilizados desde a inauguração do Sambódromo, em 1984, eles serviam de guia para a bateria e cantores, assegurando a harmonia entre ritmistas e intérpretes. Além de abrir os caminhos para implementar os novos equipamentos, a retirada dos veículos serviu também para garantir mais espaço na avenida e um melhor visual do desfile. Como funciona? Do ponto de vista técnico, o Carnaval é um espetáculo que apresenta um grande desafio de sonorização. Isso se deve principalmente pelo comprimento da avenida, que se estende por mais de meio quilômetro, cerca de 700 metros, além do ambiente sonoro ocupado pelos shows simultâneos e as milhares de vozes dos espectadores. Os aspectos inovadores que seguirão a partir deste ano se encontram na transição de sistemas de banda estreita (400 MHz) para tecnologia wireless de banda larga (1,4 GHz). Ou seja, foi adotada a transmissão de dados entre dispositivos por meio de ondas magnéticas, sem a necessidade de fiação. Esse modelo terá uma maior capacidade de armazenamento e menor suscetibilidade a interferências. A banda mais larga, operando com 32 canais bidirecionais (totalizando 64), é de suma importância para diminuir a poluição sonora, e por consequência, aprimorar a comunicação entre os intérpretes e a bateria. Descentralizar o som da Sapucaí também tornou possível a autonomia artística das escolas, permitindo que cada uma defina sua própria construção sonora por meio da tecnologia. No primeiro dia de desfiles, o novo sistema foi recebido pelos músicos das escolas de forma positiva, com destaque para os elogios às funcionalidades dos fones e o retorno do áudio. Apesar de existir um processo de adaptação à nova tecnologia, ela foi avaliada como um avanço na maneira de fazer Carnaval. Quem estava nas arquibancadas, frisas e camarotes, pôde ouvir um som mais limpo, sincronizado e potente, o que enriqueceu ainda mais a qualidade sensorial da experiência do público na Marquês de Sapucaí. Experiência do público A transformação do som no maior espetáculo da Terra não se restringiu apenas às escolas de samba. Com o objetivo de amplificar a sonoridade para milhares de espectadores durante os desfiles, foram instaladas caixas com maior pressão nos agudos, a fim de garantir a cobertura total nas arquibancadas, frisas e camarotes. Para quem assiste aos desfiles de casa, foi pensado uma tecnologia de mixagem em áudio espacial, baseado em objetos. Com isso, a transmissão oficial via streaming permite que a audiência perceba o posicionamento real da bateria ao longo de toda a avenida.
CREA-RJ realiza ação de fiscalização na montagem da 12ª edição do Rio Open 2026

A Fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro – CREA-RJ esteve no Jockey Club Brasileiro para verificar a presença de profissionais habilitados na montagem da 12° edição do Rio Open 2026, maior torneio de tênis da América do Sul, que acontece de 14 a 22 de fevereiro. A agente de fiscalização do CREA-RJ, Andrea Rabello, falou sobre o trabalho realizado no Rio Open. “Antes mesmo do público ocupar as arquibancadas, o trabalho já está em curso. As etapas envolvem verificar os registros, identificar os responsáveis técnicos, e assegurar que cada serviço de Engenharia seja executado por empresas e profissionais legalmente habilitados. Com isso, a fiscalização do CREA-RJ contribuiu diretamente para que grandes eventos aconteçam com segurança, organização e respaldo técnico.” O Rio Open, que nos últimos anos se consolidou como um potencial turístico e econômico para o Rio de Janeiro, espera receber um público de 70 mil pessoas durante a semana dos jogos da 12° edição. A Quadra Guga Kuerten, arena central do torneio, possui capacidade para 6.200 espectadores. As empresas e profissionais envolvidos na montagem de estruturas temporárias como arquibancadas, palcos, sistemas elétricos, iluminação e demais instalações passaram pela fiscalização de rotina da equipe do CREA-RJ. O CREA-RJ mais uma vez reforça o compromisso em garantir a presença de responsáveis técnicos com registro ativo nos grandes eventos, atuando em prol da segurança da sociedade.
Fiscalização do CREA-RJ presente no Sambódromo do Rio de Janeiro antes, durante e depois dos dias de folia
A Fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro – CREA-RJ reforça a sua presença no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, palco do maior espetáculo do planeta, como é conhecido o desfile das escolas de samba do Rio. Além da fiscalização de rotina durante a montagem e desmontagem da infraestrutura da Passarela do Samba, pelo terceiro ano consecutivo, uma equipe da Fiscalização estará presente durante os três dias de desfile. “É o terceiro ano que nós estamos presentes no Sambódromo, durante o evento, fato que demonstra a confiança depositada na atuação da fiscalização do CREA-RJ e reforça a credibilidade do nosso trabalho perante os organizadores, profissionais responsáveis e demais órgãos envolvidos. Essa continuidade evidencia não apenas o reconhecimento institucional, mas também a importância da nossa presença para garantir a regularidade técnica, a segurança das estruturas e o cumprimento das normas que regem as atividades desenvolvidas no local”, afirma o Supervisor de Fiscalização do CREA-RJ, Leonardo Bride. O trabalho da Fiscalização do CREA-RJ começa meses antes do Carnaval. Desta vez começou em outubro do ano passado, com reuniões com as gerências de Passarela e de Engenharia do Sambódromo. Da equipe de campo que atuou durante as montagens e ensaios técnicos e também vai trabalhar durante os desfiles estão o supervisor de fiscalização Leonardo Bride e os agentes de fiscalização Albino Fernandes; Andrea Rabello; Pedro Ghenov e Rodrigo Del Guerso. Nos dias de desfile também vão estar presentes no Sambódromo do Rio os agentes de fiscalização Mariana Bello e Sérgio Azevedo, além do superintendente técnico Leonardo Dutra; do gerente de fiscalização Cosme Júnior e da coordenadora Priscilla Fernandes. “Até agora foram registradas 428 ARTS (Anotações de Responsabilidade Técnica), mas este número ainda vai aumentar até o final do evento. Sendo 74 empresas registradas e 129 profissionais envolvidos”, calculou o coordenador de fiscalização externa do CREA-RJ, Leonardo Canário, reforçando que a documentação comprova a atuação de profissionais legalmente habilitados nas instalações e serviços relacionados ao evento. Para a agente Andrea Rabello, que trabalha na fiscalização externa do CREA-RJ há 25 anos, e viu toda a mudança no Carnaval carioca nestas duas décadas e meia, fiscalizar o sambódromo é um desafio bastante complexo, principalmente pela descentralização das informações e a multiplicidade de ambientes. Por exemplo, cada camarote tem seu contratante e um ritmo acelerado de construção, o que exige uma presença contínua e persistente da fiscalização. “O trabalho sempre foi muito confuso, complicado, difícil mesmo. Mas agora acho que existe mais consciência, devido a nossa presença constante nos eventos de uma forma geral, então os montadores e contratantes sabem da nossa presença e da nossa cobrança e dos demais órgãos”, afirma Andrea. Uma mulher, em meio a um ambiente formado em sua maior maior parte de homens. “Toda a construção do evento envolve a participação de milhares de trabalhadores diretos e indiretos, mas é um ambiente majoritariamente masculino, exige postura e firmeza. A presença feminina começa a se fazer presente, mas a partir da análise das ARTs percebemos um número pequeno de engenheiras diante das diversas especialidades da Engenharia envolvidas na construção do evento. Enfim, o carnaval do sambódromo exige a presença contínua da Engenharia garantindo a viabilidade técnica e a segurança das operações e a fiscalização contribui para a participação de profissionais e empresas legalmente habilitadas. Embora seja um trabalho exaustivo, o resultado é muito bom!”, completa Andrea. O agente de fiscalização Pedro Paulo Ghenov que está há 25 anos no CREA-RJ e há três atua no Sambódromo do Rio, faz a sua avaliação. “O sambódromo é classificado como uma obra, então, a cada Carnaval existe uma modificação, além das estruturas físicas, tem todo um quesito de estruturas metálicas que são montadas e desmontadas e que envolve uma infinidade de ramos da Engenharia. Este ano, saíram várias empresas que já trabalhavam ali há décadas e entraram novas empresas. A fiscalização do Sambódromo é um trabalho bem difícil, mas com a experiência, a persistência e uma certa doutrina a gente consegue obter o êxito da melhor forma possível. Estamos ali para garantir a presença de profissionais habilitados responsáveis pelas obras e serviços, sempre pensando na defesa da sociedade”, finaliza. Embora o sambódromo possua estrutura fixa que demanda manutenção contínua, durante o Carnaval, ele é transformado com estruturas temporárias e inovadoras. Este ano o destaque será o camarote suspenso. A estrutura será elevada a 25 metros de altura, muita Engenharia e responsabilidade. Novidades da Engenharia no Sambódromo do Rio Camarote suspenso: montado no Setor 9, o espaço, que é uma ação do Mercado Pago, tem como objetivo criar uma percepção diferente da avenida durante os desfiles do Grupo Especial. A estrutura suspensa a cerca de 25 metros de altura está prevista para realizar seis elevações por noite, com cada subida durando em torno de 20 minutos e capacidade para até dez pessoas por vez. Apenas artistas, influenciadores e convidados poderão acessar o novo camarote, que contará com com o uso de óculos inteligentes, equipados com câmera, áudio e recursos de inteligência artificial, permitindo registrar fotos e vídeos sem o uso das mãos. Novo sistema sonoro: o carro de som, estrutura que permite a condução musical das escolas no Sambódromo, não será mais utilizado a partir deste ano. A decisão, anunciada pelo presidente da Liesa, Gabriel David, prevê que intérpretes e equipes de harmonia passem a receber o retorno do áudio por fones de ouvido e/ou as caixas de som, sem a necessidade de utilização do veículo. O novo sistema tem como objetivo a modernização tecnológica da Passarela do Samba, garantindo uma experiência sonora mais uniforme, clara e potente para o público e desfilantes. Sistema de iluminação além da avenida: montada pela RioLuz, a operação, com maior foco na iluminação cênica da Passarela do Samba, também irá trazer novos reforços a pontos de acesso e palcos. A companhia instalou 570 refletores, sendo 510 direcionados para a pista, prevendo 24 quilômetros de fibra óptica, 14 câmeras integradas à sala de controle e quatro TVs com imagens em tempo real de todos os
Abertas as inscrições para o 54° Curso de Perícia Judicial e Ambiental
Estão abertas as inscrições para o 54° Curso de Perícia Judicial e Ambiental, uma uma realização da Associação Profissional dos Engenheiros Florestais do Estado do Rio de Janeiro (Apeferj), sob coordenação da engenheira florestal Denise Baptista Alves, com apoio do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA e dos programas Progredir e CREA JR-RJ. O curso acontece de 18 a 25 de março, das 18h às 22h, com aulas teóricas virtuais e ao vivo, totalizando uma carga horária de 24 horas. O objetivo é apresentar noções de legislação e requisitos conexos à atuação do perito judicial e ambiental. O curso se destina a todos os profissionais de nível superior e está de acordo com a Resolução CM n° 02/2018, no que diz respeito aos procedimentos para o cadastro de profissionais para atuação como peritos judiciais e extrajudiciais de órgãos técnicos ou científicos, para indicação da parte junto ao Poder Judiciário. O corpo docente é formado por: – Denise Baptista Alves, Engenheira Florestal – MBE-COPPE-UFRJ. Consultora e Perito. – Marcelo Souza, Eng. Civil, Prof. MSc. Instrutor e piloto de Drones, MBA Finanças. Consultor e Perito. – Luciana Vieira- Advogada – OAB/ Niterói. – Priscila Pezzotti, Advogada. Consultora e Perito. Inscrições pelo e-mail [email protected]
CREA-RJ apoia o “I Fórum Macaé – Requalificar o Centro”
A Frente Parlamentar de Fomento ao Desenvolvimento Econômico e Cultural do Centro de Macaé, com o apoio do CREA-RJ, vai realizar, no dia 5 de março de 2026, das 8h30 às 13h, o “I Fórum Macaé – Requalificar o Centro”, na Câmara Municipal da cidade. O evento tem como objetivo promover debates e apontar caminhos coletivos que direcionem as ações de requalificação do centro de Macaé, considerando os aspectos econômicos e culturais que carregam necessidades em interlocuções. O público-alvo é formado por representantes do poder público, entidades de classe, especialistas da área e a sociedade civil, visando fortalecer o diálogo interinstitucional e a compartilhar a construção do futuro de Macaé. I Fórum Macaé – Requalificar o Centro Data: 05/02/2026 Hora: das 8h30 às 13h Local: Câmara Municipal de Macaé – Estrada Horto, 1805 – Horto – Macaé, RJ Inscrições: Clique aqui
7º Curso de Perícia Judicial e Instruções para Cadastramento e Registro no Processo Judicial Eletrônico do TJRJ está com inscrições abertas
Estão abertas as inscrições para o 7º Curso de Perícia Judicial e Instruções para Cadastramento e Registro no Processo Judicial Eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – TJRJ. O curso acontece nos dias 16, 17, 18, 19, 20, 23, 24, 25, 26 e 27 de março de 2026, das 18h às 21h, com carga horária de 30 horas. O curso é on-line ao vivo, via Plataforma Zoom. O objetivo é formar peritos judiciais para atuarem e trabalharem nos tribunais com suas respectivas formações e modalidades acadêmicas realizando perícias judiciais, bem como apresentar-lhes as instruções para cadastramento e registro no PJE- Processo Judicial Eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado de Rio de janeiro. O público-alvo são todos os profissionais do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA, engenheiros de todas modalidades, agrônomos, profissionais das Geociências e outros profissionais de nível superior que queiram ingressar no mercado de Perícia Judicial. Mais informações na Sobes Rio, telefones (21) 2242-2278, (21) 97713-2519 e-mail: [email protected] Inscreva-se: https://forms.gle/STG7npKEvKPcp2cQ6
CREA-RJ recebe o lançamento do livro “Spider Project 2026 – Controles”
No dia 26 de fevereiro, das 18h30 às 20h30, o CREA-RJ, por meio do Ecthos CD e do Programa Progredir, vai receber o evento de lançamento do livro “Spider Project 2026”, do autor Marcus Possi. O livro tem como objetivo reposicionar o monitoramento e controle como função antecipativa, corretiva, preventiva e preditiva, integrando prazo, custo, recursos, risco e governança em um sistema executável e verificável. Ele também aprofunda temas como RCPSP, do inglês, Resource-Constrained Project Scheduling Problem, que significa Problema de Programação de Projetos com Recursos Restritos; análise por volumes; produtividade local; Monte Carlo; tendências; probabilidade de sucesso e cockpit executivo. O conteúdo foi concebido para um público-alvo formado por profissionais que já dominam gestão de projetos, operam ferramentas e técnicas de nível elevado e enfrentam a complexidade real das obras, contratos e empreendimentos de Engenharia. Lançamento do livro Spider Project 2026 – Controles Data: 26/02/2026 Hora: das 18h30 às 20h30 Local: Sede do CREA-RJ – Rua Buenos Aires, 40 – Centro, Rio de Janeiro Inscrições: Clique aqui
Comunicado: Carnaval
Informamos que nesta sexta-feira (13/02) o expediente na Sede e nas Inspetorias será em regime de home office. Neste dia, não haverá atendimento presencial. De segunda-feira (16/02) a quarta-feira (18/02) não haverá expediente, em virtude do feriado de carnaval. As atividades serão retomadas normalmente na quinta (19/02). Contamos com a compreensão de todos e desejamos um bom feriado.
Programa CREA JR-RJ leva estudantes de Engenharia a visita técnica no Sambódromo do Rio

O Programa CREA JR-RJ proporcionou a um grupo de estudantes de Engenharia de diferentes universidades do estado, no dia 10 de fevereiro, uma visita técnica pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí, o principal palco do Carnaval do Rio de Janeiro. Os jovens foram acompanhados pela equipe de Fiscalização do CREA-RJ e receberam informações importantes sobre a atuação do Conselho na garantia da segurança das estruturas e do exercício profissional legalizado. O CREA JR-RJ tem como objetivo promover a integração entre alunos das áreas da Engenharia, da Agronomia e das Geociências e o Conselho, incluindo ações de orientação e desenvolvimento profissional. A coordenadora do programa CREA JR-RJ, Priscilla Fernandes da Silva, comentou sobre a oportunidade de aprendizado dos estudantes durante a visita. “Estamos em um local muito importante para o turismo do Rio de Janeiro, onde acontece um espetáculo imenso. No meio disso tudo, a Engenharia trabalha em diversas áreas. É importante trazer esse futuro profissional e mostrar o campo de trabalho e como atua a fiscalização realizada pelo CREA-RJ.” O gerente de fiscalização do CREA-RJ, engenheiro civil Cosme Chiniara, foi o responsável por conduzir a visita técnica. Cosme reforçou o compromisso do Conselho no aprendizado dos futuros engenheiros e engenheiras. “Mais uma vez o CREA-RJ está presente no maior espetáculo da terra, garantindo a segurança das pessoas que virão para curtir o Carnaval no Rio de Janeiro em 2026. Hoje nós estamos realizando uma visita com os estudantes e profissionais, passando para eles onde poderiam estar posicionados no mercado de trabalho dentro dessa grande festa.” A estudante do 5° período de Engenharia Civil na Universidade de Vassouras, Isabela Buonomo, destacou a importância da visitação para sua trajetória acadêmica. “Foi mais uma oportunidade incrível que eu vivi dentro do CREA JR-RJ. Visitamos uma estrutura imensa que agrega muitas engenharias e profissionais. Com certeza é uma experiência de muito aprendizado e que eu vou levar adiante na minha carreira.” O estudante do 3° período de Engenharia de Produção da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Renan dos Santos Nascimento, ressaltou o que aprendeu junto à equipe de Fiscalização do CREA-RJ. “A visita foi muito boa para saber as áreas que o engenheiro de produção pode atuar, porque muitas das vezes achamos que ele fica limitado na parte administrativa em empresas e escritórios. Aqui a gente conseguiu ver que o engenheiro de produção estará auxiliando os demais engenheiros nas suas funções, fazendo com que o ambiente fique mais organizado e tenha um coletivo melhor.” O Sambódromo irá receber os desfiles das escolas de samba da Série Ouro e do Grupo Especial, movimentando mais de dois milhões de pessoas durante a realização de todo o evento. No total, 27 escolas irão passar pela pista da Marquês de Sapucaí, onde para ser possível acomodar um grande público, as arquibancadas são divididas em setores, com cada um possuindo uma estrutura de apoio própria, incluindo alimentação, banheiros e serviços de emergência. A composição das estruturas internas e externas, sistema de combate a incêndios e a segurança dentro dos camarotes foram alguns dos temas tratados pelos agentes de fiscalização com os estudantes, que se mostraram engajados nas informações durante toda a visita.
Quando a fantasia entra na avenida, a Engenharia sustenta o espetáculo

Matéria originalmente publicada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Quando a bateria esquenta, as luzes se refletem nos tecidos e milhares de corpos se movem em perfeita sintonia, o Carnaval revela muito mais do que brilho e ritmo. Enquanto o público vê plumas, paetês e cores vibrantes, a Engenharia enxerga sistemas, cálculos e escolhas técnicas cuidadosamente planejadas. Por trás de cada fantasia que cruza a avenida, há um engenheiro que transformou criatividade em estrutura, arte em desempenho e espetáculo em segurança. É justamente essa harmonia entre imaginação e ciência que faz do Carnaval brasileiro não apenas o maior espetáculo da Terra, mas também uma verdadeira aula de Engenharia em movimento. De acordo com o engenheiro têxtil Brenno Henrique, toda fantasia começa como um projeto técnico. “Uma estrutura têxtil é, na verdade, um sistema complexo; ela resulta da combinação técnica de diversas variáveis”. Antes mesmo de pensar em brilho ou plumas, entram em cena decisões fundamentais: será malha, tecido plano ou não tecido (TNT)? Tela, sarja ou cetim? Cada escolha define como a fantasia vai se comportar no corpo do componente durante o desfile. Para garantir mobilidade total, que é essencial para quem samba por mais de uma hora, a Engenharia aposta em estruturas de malharia de alta performance. Elas permitem que o corpo se mova livremente, sem deformar a peça. Já quando o desafio é sustentar volumes, adereços e alegorias vestíveis, entram tecidos planos como Ripstop ou Oxford, conhecidos pela estabilidade e resistência à tração. O equilíbrio entre força e conforto também passa pelas fibras. O poliéster entrega durabilidade, enquanto algodão e modal oferecem toque agradável à pele. E um detalhe quase invisível faz toda a diferença na avenida. “A introdução de elastano – muitas vezes em proporções pequenas, em torno de 3% – viabiliza bastante a recuperação elástica necessária para o dinamismo coreográfico da avenida”, comenta Brenno, que é subcoordenador do curso de Engenharia Têxtil na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Muito além da escolha estética, o papel da Engenharia Têxtil no ramo carnavalesco é traduzir as exigências do desfile em soluções técnicas precisas. “Cabe ao engenheiro têxtil calibrar parâmetros fundamentais como a torção e a densidade linear dos fios, a gramatura do tecido e a aplicação de acabamentos químicos funcionais, que incluem proteção UV, repelência à água e tecnologias de gerenciamento de umidade”, explica o professor que trabalha no emprego de nanotecnologia em materiais têxteis, com destaque para o desenvolvimento de tecidos funcionais, como os antimicrobianos e os que protegem a pele de raios ultravioleta (UV). “A Engenharia Química também contribui de forma decisiva para o desenvolvimento de produtos com excelente desempenho e múltiplas funcionalidades”, frisa Catia Lange, doutora na área pela UFSC, com cerca de 20 anos de atuação em beneficiamento químico têxtil, desenvolvimento de produtos, tratamento de efluentes, além de controle e otimização de processos industriais. O trabalho do engenheiro químico no setor têxtil inclui, por exemplo, desenvolver corantes mais eficientes e estáveis ao longo tempo; otimizar em larga escala o consumo de água e energia; e propor soluções sustentáveis, como a reciclagem de tecidos e o uso de corantes naturais. Fantasia é Engenharia em camadas Uma fantasia de Carnaval não é uma peça única, mas um verdadeiro “sanduíche” de materiais: tecidos leves e pesados, estruturas internas, costuras, colagens e aplicações. Para que tudo funcione sem machucar, pesar ou rasgar, a integração dessas camadas precisa ser milimetricamente pensada. A costura não é apenas acabamento; mas é elemento estrutural. Tecidos elásticos pedem pontos específicos para acompanhar o movimento. A escolha errada do equipamento ou da densidade de pontos pode gerar o temido “efeito serrilha”, quando a agulha fragiliza o tecido e provoca rasgos prematuros. Quando a costura não dá conta, entram as colagens. Mas nem toda cola serve. “O princípio fundamental é a compatibilidade química entre o adesivo e o polímero da fibra”, salienta Brenno. Uma colagem mal planejada cria rigidez excessiva, zonas de atrito e até ferimentos. “Por isso, a engenharia têxtil seleciona polímeros adesivos que mantenham a memória elástica do tecido, garantindo que a fantasia se mova em harmonia com o corpo”, acrescenta o especialista. Nessa lógica de camadas que precisam funcionar como um único organismo, a engenheira têxtil Fernanda Steffens ressalta que o segredo está no rigor técnico na fase de confecção. A realização de ensaios preliminares é crucial para identificar ajustes necessários na modelagem ou na aplicação de adereços, evitando recortes ou estruturas que possam comprometer o conforto do folião ou não entregar o efeito visual esperado na avenida. “É importante seguir à risca as informações da ficha técnica apresentadas pelos fornecedores, como a quantidade correta de pontos por centímetro na costura de uma malha ou a temperatura de fusão adequada para fixar adereços termocolantes”, alerta a doutora em Engenharia Têxtil pela Universidade do Minho, em Portugal, docente na UFSC e especialista em desenvolvimento de têxteis técnicos e inteligentes. Fernanda reforça que o controle de qualidade ao longo da manufatura é decisivo para eliminar não conformidades antes que as peças cheguem aos componentes, assegurando que a fantasia permaneça íntegra, segura e confortável durante todo o desfile. Brilho, proteção e segurança: Engenharia a serviço da folia O impacto visual das fantasias que hipnotiza o público nasce, muitas vezes, nos laboratórios. Processos de acabamento, chamados de beneficiamento secundário e terciário, transformam tecidos comuns em superfícies dignas da Sapucaí. A calandragem, por exemplo, usa pressão e temperatura para achatar a superfície das fibras e, assim, cria aquele aspecto vitrificado que reflete a luz da avenida. Já os efeitos metálicos mais intensos surgem com metalização superficial ou aplicação de resinas poliméricas especiais. “Nesses casos, a Engenharia Têxtil deve garantir que o ligante, ou a ‘cola’ química que fixa o brilho, mantenha a flexibilidade necessária, evitando que o acabamento ‘quebre’ ou descasque com a movimentação constante do folião, o que comprometeria tanto a estética quanto a durabilidade da peça”, detalha Brenno Henrique. Além da estética, entram em cena acabamentos funcionais. Tecidos respiráveis, de secagem rápida e com proteção UV já fazem parte do mercado