A Engenharia por trás da sonorização do Sambódromo

Este ano, a Marquês de Sapucaí passou por uma grande inovação durante os desfiles das escolas de samba. Um novo sistema sonoro substituiu os tradicionais carros de som por uma infraestrutura digital, permitindo que intérpretes e equipes de harmonia passassem a receber o retorno do áudio por fones de ouvido e/ou as caixas de som.

Por meio de uma Engenharia que atende as complexidades do Sambódromo, as implementações marcam uma nova era tecnológica no Carnaval do Rio de Janeiro, proporcionando melhorias significativas na experiência sonora e sensorial para os milhares de espectadores presentes durante as noites de desfiles. 

Com isso, a aposentadoria dos carros de som foi vista como necessária. Utilizados desde a inauguração do Sambódromo, em 1984, eles serviam de guia para a bateria e cantores, assegurando a harmonia entre ritmistas e intérpretes. Além de abrir os caminhos para implementar os novos equipamentos, a retirada dos veículos serviu também para garantir mais espaço na avenida e um melhor visual do desfile.

O intérprete da Imperatriz Leopoldinense, Pitty de Menezes, no aquecimento da escola para entrar na avenida. Foto: Reprodução/TV

Como funciona?

Do ponto de vista técnico, o Carnaval é um espetáculo que apresenta um grande desafio de sonorização. Isso se deve principalmente pelo comprimento da avenida, que se estende por mais de meio quilômetro, cerca de 700 metros, além do ambiente sonoro ocupado pelos shows simultâneos e as milhares de vozes dos espectadores. 

Os aspectos inovadores que seguirão a partir deste ano se encontram na transição de sistemas de banda estreita (400 MHz) para tecnologia wireless de banda larga (1,4 GHz). Ou seja, foi adotada a transmissão de dados entre dispositivos por meio de ondas magnéticas, sem a necessidade de fiação. Esse modelo terá uma maior capacidade de armazenamento e menor suscetibilidade a interferências.

A banda mais larga, operando com 32 canais bidirecionais (totalizando 64), é de suma importância para diminuir a poluição sonora, e por consequência, aprimorar a comunicação entre os intérpretes e a bateria. Descentralizar o som da Sapucaí também tornou possível a autonomia artística das escolas, permitindo que cada uma defina sua própria construção sonora por meio da tecnologia.

No primeiro dia de desfiles, o novo sistema foi recebido pelos músicos das escolas de forma positiva, com destaque para os elogios às funcionalidades dos fones e o retorno do áudio. Apesar de existir um processo de adaptação à nova tecnologia, ela foi avaliada como um avanço na maneira de fazer Carnaval.

Quem estava nas arquibancadas, frisas e camarotes, pôde ouvir um som mais limpo, sincronizado e potente, o que enriqueceu ainda mais a qualidade sensorial da experiência do público na Marquês de Sapucaí.

Experiência do público

A transformação do som no maior espetáculo da Terra não se restringiu apenas às escolas de samba. Com o objetivo de amplificar a sonoridade para milhares de espectadores durante os desfiles, foram instaladas caixas com maior pressão nos agudos, a fim de garantir a cobertura total nas arquibancadas, frisas e camarotes. 

Para quem assiste aos desfiles de casa, foi pensado uma tecnologia de mixagem em áudio espacial, baseado em objetos. Com isso, a transmissão oficial via streaming permite que a audiência perceba o posicionamento real da bateria ao longo de toda a avenida.

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