Embrapa clona araucária de 700 anos que tombou e dá novas raízes para a conservação da espécie

Uma equipe da Embrapa Florestas (PR) alcançou um feito inédito na pesquisa florestal brasileira ao clonar uma araucária (Araucaria angustifolia) de aproximadamente 700 anos que tombou durante um temporal no Paraná. A árvore, com 42 metros de altura, era considerada a maior da espécie no estado e um símbolo da paisagem local.

Clonar uma planta de idade tão avançada apresentou desafios consideráveis, devido à reduzida capacidade de regeneração dos tecidos em árvores idosas. Contudo, os pesquisadores conseguiram produzir quatro mudas a partir de brotos do tronco, preservando o material genético da árvore original. 

Originárias de tecidos adultos, as mudas clonadas tendem a desenvolver árvores de porte menor, mas com a vantagem de iniciarem a produção de pinhão mais cedo em comparação às árvores convencionais. O pinhão, além de ser um alimento tradicional, possui um valor comercial crescente, podendo representar uma fonte adicional de renda para agricultores. De acordo com os pesquisadores da Embrapa, as mudas ainda são delicadas e exigem cuidados especiais nos primeiros anos, incluindo irrigação e controle de competidores naturais, requerendo atenção para seu crescimento saudável.

Técnica e plantio 

A clonagem foi realizada por meio da técnica de enxertia, que consiste em unir um fragmento da planta original a uma muda jovem. Logo após a queda da árvore, foram coletados brotos que foram enxertados em mudas já estabelecidas, garantindo que o novo indivíduo possuísse o mesmo material genético da planta original. Esse processo permite a regeneração da árvore a partir de suas próprias células, mantendo características como resistência e produtividade.

As mudas clonadas foram plantadas em locais de importância simbólica. Uma delas foi levada de volta à propriedade rural onde a araucária original estava. Outra muda foi plantada no Colégio Agrícola de Cruz Machado, em um evento que contou com a participação de estudantes, professores e 

autoridades locais. A presença da araucária servirá como ferramenta didática para os alunos, incentivando o cultivo da espécie e destacando sua importância para a conservação da biodiversidade e o potencial econômico para a agricultura familiar.

Perspectivas futuras e conservação da espécie

O projeto também prevê a doação de uma das mudas clonadas para o Governo do Estado do Paraná e a preservação de outra na coleção genética de araucária da Embrapa Florestas, garantindo a continuidade das pesquisas sobre a espécie. Segundo a Embrapa, a necessidade de estudar o DNA único da árvore original é fundamental para compreender sua resistência e longevidade, visando a conservação genética de outras árvores centenárias e a promoção do uso sustentável da araucária.

Essa iniciativa destaca a importância da conservação da araucária, uma espécie que já cobriu grandes extensões do Sul do país e que atualmente está ameaçada pela exploração descontrolada no passado. Projetos como este buscam preservar a espécie e torná-la economicamente viável para os produtores, equilibrando conservação ambiental e desenvolvimento econômico.

Fonte: Embrapa

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