CREA-RJ celebra o Dia Meteorológico Mundial e o Dia Internacional da Água

O CREA-RJ, por meio de sua Câmara Especializada de Agronomia – CEAgro, em parceria com o Departamento de Meteorologia da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro e a SBMET – Sociedade Brasileira de Meteorologia núcleo Rio de Janeiro, realiza em sua sede, no Centro do Rio, evento em comemoração ao Dia Meteorológico Mundial e ao Dia Internacional da Água. O tema deste ano: “Juntos, fechando a lacuna nos sistemas de alerta precoce”.  A iniciativa tem como objetivo celebrar as duas datas e promover o debate sobre os desafios e avanços na área da Meteorologia e da gestão de recursos hídricos. “Esse evento faz parte da ONU, e hoje em dia não tem como a gente não discutir o clima no país e no mundo. É de muita importância o profissional da Meteorologia para o Sistema, ajudando tanto na prevenção quanto na mitigação de catástrofes, protegendo vidas e a sociedade”, analisa a engenheira agrônoma Débora Candeias, coordenadora da Câmara Especializada de Agronomia, da qual faz parte a Meteorologia. Evitando catástrofes O presidente do Crea-RJ, engenheiro civil Miguel Fernández, abriu o evento. “Temos aqui uma oportunidade de discutir a importância dos alertas prévios para as grandes questões climáticas. Sabemos que, infelizmente, isso vem se acentuando cada vez mais, impactando a população devido ao adensamento urbano. Com isso, a população se torna mais vulnerável e cresce a necessidade de tecnologia avançada para evitar catástrofes, especialmente as que causam vítimas fatais. O CREA-RJ, aliado a todo esse corpo profissional, incentiva e apoia o desenvolvimento de tecnologias que possam defender a sociedade e salvar vidas”, afirma o presidente do CREA-RJ, engenheiro civil Miguel Fernández. Os conselheiros do CREA-RJ, meteorologistas Ana Cristina Palmeira e Anselmo Pontes,  organizaram o evento. “Todo ano, nós trazemos para o CREA-RJ o evento do Dia Meteorológico Mundial, que este ano a ONU escolheu como tema ‘Juntos, preenchendo a lacuna dos sistemas de alerta precoce’. E para nós, enquanto meteorologistas atuando principalmente na escala de tempo, não só na escala de clima, trazemos como palestrantes dois representantes que estão atuando nessa área e trazendo informes de que maneira as instituições vão conseguir orquestrar e trazer respostas em conjunto para minimizar os desastres que tanto nos incomodam”, diz a conselheira regional e professora da UFRJ, meteorologista Ana Cristina Palmeira.   Visibilidade da Meteorologia Conselheiro regional pelo Núcleo Regional de Meteorologia da Sociedade Brasileira de Meteorologia, o meteorologista Anselmo Pontes acredita que “eventos como este têm uma função muito importante: dar visibilidade à Meteorologia no Dia Meteorológico Mundial, com o tema ‘Juntos, fechando a lacuna dos sistemas de alerta precoce’. A principal necessidade desses alertas está na proteção da população e dos bens da sociedade. E o mais importante de tudo: meteorologia a serviço do povo e de cada um de nós”. Unindo forças Ex-Conselheiro do CREA-RJ, professor da UFRJ  e presidente do núcleo do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Meteorologia, o meteorologista Ivan Abreu, compôs a mesa de abertura. “Dentro desse sistema de alerta precoce, a gente está também trabalhando com a reformulação do Instituto Nacional de Meteorologia. Para o Governo, o sistema de estações meteorológicas é muito caro. E se a gente não tiver esses dados meteorológicos funcionando na sua totalidade, essa lacuna vai continuar. Então a gente quer mobilizar e sensibilizar para ver se as Defesas Civis estaduais também colaboram com essa participação, para a gente ter o maior número possível de instrumentos e, automaticamente, os dados que são necessários para prevenir”.   Foram apresentadas duas palestras “A Situação Atual da Meteorologia Nacional e a Representação dos Meteorologistas no Sistema CONFEA” e “Cell Broadcast: Uma Ferramenta de Alarme Para a População”, ministradas, respectivamente pelos meteorologista Lúcio Souza e Michele Ribeiro. Professor associado do Departamento de Oceanografia Física e Meteorologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o meteorologista Lucio Souza apresentou a primeira palestra.  Profissionais habilitados “A ação do meteorologista na emissão desses avisos de tempo severo e alertas precoces é fundamental no processo de salvaguarda da vida humana e ninguém contesta que um aviso meteorológico bem dado salva vidas e protege propriedades, salva uma má safra agrícola e tem um impacto muito positivo, não só no sentido de preservar a vida, mas também na economia.  E falar sobre a presença dos meteorologistas dentro do Sistema Confea/CREA é muito importante porque há muitos profissionais não habilitados falando de Meteorologia. Então, temos uma série de discussões a abordar, sendo o aviso precoce e o alerta precoce um dos principais temas, como isso salva vidas e gera crescimento econômico”, analisa Lucio Souza. O que é Cell Broadcast? Especialista em Inteligência em Defesa Civil e meteorologista do Sistema, Michele de Lima Ribeiro falou sobre o Cell Broadcast, sistema de alerta e alarme para a população.  “O Cell Broadcast é utilizado pela Defesa Civil Nacional por meio da plataforma IDAP. Com o Cell Broadcast, é possível delimitar, por meio de polígonos, quais regiões devem receber os avisos. As mensagens chegam aos celulares das pessoas, independentemente de estarem cadastradas ou não no sistema”, explica Michele Robeiro. O evento teve o apoio das empresas Hobeco, Nimbus, Atmosmarine e Simtech, cujos representantes fizeram apresentações técnicas Novidades tecnológicas na Meteorologia Mestre em Meteorologia, graduado pela UFRJ, o meteorologista Rodrigo Mello atua como gerente comercial da Hobeco, representante no Brasil da marca finlandesa Vaisala, líder mundial na fabricação de equipamentos meteorológicos e falou sobre o assunto. “Tudo o que é solução para medição meteorológica em todos os nichos, seja para a Defesa Civil, Ministério da Defesa, Marinha, Aeronáutica, envolve medições meteorológicas de maneira geral. A Vaisala tem um produtos com tecnologia de ponta, dedicado para garantir que as medições tenham qualidade, ou seja, que os dados sejam precisos, permitindo melhores resultados. A modelagem terá melhor precisão e as decisões tomadas pelos meteorologistas terão maior acurácia”, pondera. CEO da Nimbus Meteorologia, mestre em Engenharia Civil e Recursos Hídricos e meteorologista graduado e pós-graduado pela UFRJ, o meteorologista Luiz Felippe Silva conta que seu trabalho é auxiliar empresas a estarem mais preparadas para os impactos do tempo e

Embrapa clona araucária de 700 anos que tombou e dá novas raízes para a conservação da espécie

Uma equipe da Embrapa Florestas (PR) alcançou um feito inédito na pesquisa florestal brasileira ao clonar uma araucária (Araucaria angustifolia) de aproximadamente 700 anos que tombou durante um temporal no Paraná. A árvore, com 42 metros de altura, era considerada a maior da espécie no estado e um símbolo da paisagem local. Clonar uma planta de idade tão avançada apresentou desafios consideráveis, devido à reduzida capacidade de regeneração dos tecidos em árvores idosas. Contudo, os pesquisadores conseguiram produzir quatro mudas a partir de brotos do tronco, preservando o material genético da árvore original.  Originárias de tecidos adultos, as mudas clonadas tendem a desenvolver árvores de porte menor, mas com a vantagem de iniciarem a produção de pinhão mais cedo em comparação às árvores convencionais. O pinhão, além de ser um alimento tradicional, possui um valor comercial crescente, podendo representar uma fonte adicional de renda para agricultores. De acordo com os pesquisadores da Embrapa, as mudas ainda são delicadas e exigem cuidados especiais nos primeiros anos, incluindo irrigação e controle de competidores naturais, requerendo atenção para seu crescimento saudável. Técnica e plantio  A clonagem foi realizada por meio da técnica de enxertia, que consiste em unir um fragmento da planta original a uma muda jovem. Logo após a queda da árvore, foram coletados brotos que foram enxertados em mudas já estabelecidas, garantindo que o novo indivíduo possuísse o mesmo material genético da planta original. Esse processo permite a regeneração da árvore a partir de suas próprias células, mantendo características como resistência e produtividade. As mudas clonadas foram plantadas em locais de importância simbólica. Uma delas foi levada de volta à propriedade rural onde a araucária original estava. Outra muda foi plantada no Colégio Agrícola de Cruz Machado, em um evento que contou com a participação de estudantes, professores e  autoridades locais. A presença da araucária servirá como ferramenta didática para os alunos, incentivando o cultivo da espécie e destacando sua importância para a conservação da biodiversidade e o potencial econômico para a agricultura familiar. Perspectivas futuras e conservação da espécie O projeto também prevê a doação de uma das mudas clonadas para o Governo do Estado do Paraná e a preservação de outra na coleção genética de araucária da Embrapa Florestas, garantindo a continuidade das pesquisas sobre a espécie. Segundo a Embrapa, a necessidade de estudar o DNA único da árvore original é fundamental para compreender sua resistência e longevidade, visando a conservação genética de outras árvores centenárias e a promoção do uso sustentável da araucária. Essa iniciativa destaca a importância da conservação da araucária, uma espécie que já cobriu grandes extensões do Sul do país e que atualmente está ameaçada pela exploração descontrolada no passado. Projetos como este buscam preservar a espécie e torná-la economicamente viável para os produtores, equilibrando conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Fonte: Embrapa