
O Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro, tem origem em um ato histórico realizado neste dia, em 1980, quando centenas de mulheres ocuparam as escadarias do Theatro Municipal de São Paulo em protesto contra o aumento dos crimes de gênero no país. O movimento não surgiu de forma isolada, mas como parte de uma articulação mais ampla dos grupos feministas que, desde os anos 1970, denunciavam as desigualdades e reivindicavam políticas de proteção às mulheres. Essa mobilização se consolidou como um marco de memória e resistência, representando o início de uma trajetória coletiva pela garantia de direitos e contra todas as formas de violência.
Desde então, a data se tornou um momento anual de sensibilização e reflexão pública sobre a gravidade da violência de gênero, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes, fortalecimento das redes de apoio e conscientização social sobre o tema. Também se consolidou como oportunidade de avaliar o impacto de legislações fundamentais, como a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que define e combate a violência doméstica — abrangendo violência física, sexual, moral, psicológica e patrimonial. Outro avanço importante foi a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), que alterou o Código Penal ao incluir o homicídio de mulheres por razões de gênero como circunstância qualificadora, enquadrando-o como crime hediondo.
Programa Mulher Crea-RJ
Nesse cenário de mobilização pelo enfrentamento à violência de gênero, o Programa Mulher Crea-RJ constitui uma resposta institucional concreta no campo das profissões tecnológicas. Embora atue prioritariamente no fortalecimento da presença feminina na Engenharia, Agronomia e Geociências, o programa parte do entendimento de que a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher estão interligadas, seja pela exclusão de espaços de decisão, pela desvalorização do trabalho técnico realizado por mulheres ou pela reprodução de estruturas que perpetuam o silenciamento.
Ao promover ações de formação, visibilidade e incentivo à liderança feminina, o Programa Mulher contribui para a construção de ambientes profissionais mais inclusivos e seguros, nos quais as mulheres possam exercer plenamente sua autonomia técnica, ética e política. Além disso, ao fomentar o debate sobre equidade, o programa amplia o alcance da luta contra a violência, atuando na prevenção de formas estruturais e sutis, como o assédio moral, a invisibilização e o machismo institucional.