
Em 19 de novembro comemora-se o Dia do Empreendedorismo Feminino, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2014. O objetivo da data é conscientizar os obstáculos encontrados pelas mulheres no empreendedorismo, incentivando a conquista do espaço feminino no mercado de trabalho e promover a igualdade de gênero nas áreas abrangidas.
Ser responsável pelo próprio negócio é uma possibilidade que apresenta vantagens animadoras para quem sonha em ter uma carreira profissional flexível e autônoma. Além disso, caso alcancem o sucesso, os empreendedores podem se deparar com um potencial de lucro vasto e maior facilidade e disponibilidade em trabalhar com aquilo que deseja. Especialmente no Brasil, empreender foi inserido e visto como um caminho catalisador de estratégias e crescimento pessoal, estimulando a todo o momento a busca por aprimoramentos e soluções de problemas.
Para as mulheres, a garantia dessas oportunidades é um direito primordial na liberdade profissional e nas devidas condições justas e igualitárias de trabalho nos setores que englobam o empreendedorismo. Isso vale também para aquelas que agem no meio mais tradicional do mercado e buscam alternativas legais que possam impulsionar suas carreiras, dentro de um ambiente muitas vezes machista e restritivo nas medidas que valorizam as funcionárias.
Após anos de luta por direitos e melhores condições em diversos setores da sociedade, houve progresso nas últimas décadas a respeito de aspectos inclusivos para as mulheres, onde elas vêm ganhando relevância nos debates sobre as inclusões e assumindo o controle de papéis que, anteriormente, eram raramente atribuídos ao sexo feminino. Todo esse movimento foi o ponto de partida para abrir os caminhos no mercado físico e também digital, impulsionado posteriormente pelo contexto de isolamento social ocorrido no estouro da Covid-19 em 2020.
A migração do empreendedorismo tradicional para as portas abertas pela internet, foi algo que atingiu os donos de negócio a nível Brasil e global, sendo necessário uma adaptação desafiadora. Se antes os obstáculos estruturais eram significativos para as empreendedoras, com a realidade pandêmica eles vieram a se tornar ainda mais desafiadores.
Ascensão feminina no mercado
Com a retomada econômica vindo após o fim da pandemia, o número que já indicava 30% de mulheres responsáveis por negócios no Brasil – mantido mesmo durante a crise sanitária global – aumentou para 34% em 2024. Os dados são do Relatório Técnico de Empreendedorismo Feminino do Sebrae, e apontam um recorde histórico alcançado no país de 10,5 milhões de mulheres empreendedoras, fortalecendo o avanço da relevância feminina no cenário econômico nos últimos anos.
Segundo o mesmo levantamento, o motivo para essa crescente se deu pela habilidade de adaptação das mulheres no contexto pandêmico, onde houve uma busca significativa pela maior digitalização de negócios e o reconhecimento de mídias sociais como canais de venda. Essas mudanças também impactaram a faixa etária feminina empreendedora, onde no Brasil é apontada pelo Sebrae a maior parcela compreendendo-se entre os 30 e 39 anos. Até 2023, as jovens adultas de 25 a 29 anos e as mulheres acima de 60 anos possuíam uma participação semelhante, dado que sofreu uma alteração em 2024, quando as empreendedoras acima de 60 tiveram uma presença levemente maior.
Ao tomar a iniciativa de abrir o próprio negócio, as mulheres têm buscado com mais frequência o setor de serviços, representando 56,8% do total feminino do empreendedorismo no Brasil na segunda metade do ano passado. A distância é de 31,7 pontos percentuais para a área de comércio, que apareceu com 25,1% na pesquisa realizada.
Em um mercado cada vez mais dinâmico, o empreendedorismo femino é fundamental para o crescimento da sociedade e na maior garantia dos direitos das mulheres, que profissionalmente encaram desigualdades em relação aos homens e os demais dificuldades no acesso para empreender no Brasil, e acabam não vislumbrando possibilidades em áreas que estão em constante expansão, especialmente as da saúde, economia, tecnologia e sustentabilidade.
Fonte: Sebrae, Prudential