Com o objetivo de substituir embalagens plásticas descartáveis por biodegradáveis, feitas com base em alimentos como alho, pimenta, chia e linhaça, pesquisadores do Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram um projeto como caminho sustentável e possível em relação aos impactos econômicos para o mercado. O projeto “Desenvolvimento de sistemas poliméricos nanoestruturados aplicados a embalagens alimentícias ativas e de revestimento para nutracêuticos” é liderado por Maria Inês Bruno Tavares professora da IMA/UFRJ.
O destaque e diferencial da pesquisa é o tempo de decomposição do bioplástico: enquanto o plástico convencional precisa de 400 anos para se decompor no ambiente, o bioplástico se desfaz em 180 dias. Segundo Maria Inês, eles podem decompor em até 90% de sua massa dentro desse período, mesmo em contexto de descarte inadequado, seja no solo ou seja na água, são rapidamente consumidos por microorganismos. O tempo rápido de decomposição faz com que não haja resíduos de microplásticos, contribuindo para um ciclo de vida mais sustentável e seguro para o meio ambiente.
De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o mundo produz 430 milhões de toneladas de plástico anualmente e apenas 9% são reciclados. No ritmo atual, a produção de plástico deve triplicar até 2060. E os custos social e ambiental causados pela poluição plástica são altos, chegando a US$1,3 trilhões por ano, causando danos não só à natureza, com riscos à saúde humana, mas também intensifica a crise climática e econômica. Estima-se que foram geradas 139 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos descartáveis em 2021, o que equivale a mais de 13,7 mil Torres Eiffel.
Assim, a preocupação com o meio ambiente levou a pesquisa a buscar alternativas sustentáveis em relação à substituição de embalagens descartáveis, especialmente no setor alimentício, por polímeros biodegradáveis. A professora destaca que “a eficiência desses materiais pode ser aprimorada com a adição de bioativos antioxidantes, provenientes de alimentos específicos, como os temperos. Isso proporciona mais proteção ao alimento e prolonga a vida útil da embalagem”.
Além disso, os bioplásticos produzidos a partir de alimentos geram uma retroalimentação na cadeia. Como exemplo, os que são construídos a partir da semente de chia. Na sua decomposição, o restante dos pedaços gerados se transforma em fontes de alimento para os microrganismos encontrados no solo e na água. O bioplástico torna-se água e gás carbônico, o que contribui ainda mais para a sustentabilidade.
Atualmente, a maior implicação das empresas em aderir ao bioplástico é o baixo custo do plástico convencional. Mas, no projeto dos pesquisadores, os custos devem ser equivalentes ou até menores: “Além do impacto ambiental ser muito baixo, pois extraímos os bioativos diretamente, sem nenhum tipo de solvente, ou os extraímos com arraste de vapor d’água, o custo para obter o bioplástico é mínimo”, explica Maria Inês.
A pesquisa ainda encontra-se em sigilo de patente, devido à natureza inovadora dos materiais e processos envolvidos, assegurando a proteção intelectual do desenvolvimento até a sua completa maturação e possível entrada no mercado.
Fonte: ONU News e UFRJ