O Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), maior acelerador de partículas do mundo, entrou em uma parada técnica programada que deverá se estender até 2030. A interrupção marca o início da terceira grande etapa de manutenção e modernização do equipamento, denominada Long Shutdown 3 (LS3), conduzida pelo Centro Europeu para Pesquisa Nuclear (CERN). Durante esse período, serão realizadas intervenções destinadas a ampliar a capacidade operacional do acelerador e preparar sua próxima fase de experimentos científicos.
Ao término das obras, o equipamento passará a operar como High-Luminosity Large Hadron Collider (HL-LHC). O projeto prevê um aumento significativo da luminosidade do acelerador, parâmetro que representa o número de colisões entre partículas produzidas em determinado intervalo de tempo. Quanto maior a luminosidade, maior é o volume de dados disponível para os experimentos e maior a possibilidade de observar fenômenos extremamente raros.
Segundo o CERN, aproximadamente 1,2 quilômetro de componentes do acelerador será substituído ou atualizado durante a paralisação. As intervenções incluem a instalação de novos ímãs supercondutores de alta tecnologia, cavidades de radiofrequência, sistemas criogênicos, linhas de vácuo, colimadores, absorvedores de partículas, conexões elétricas supercondutoras e equipamentos de monitoramento e proteção da máquina. Também serão modernizados os quatro grandes detectores utilizados nos experimentos científicos.
O LHC é uma das mais complexas infraestruturas científicas já construídas. Instalado em um túnel circular de 27 quilômetros de circunferência, a aproximadamente 100 metros de profundidade na fronteira entre a Suíça e a França, o acelerador utiliza campos magnéticos extremamente intensos para conduzir feixes de prótons e íons pesados em sentidos opostos. As partículas são aceleradas até velocidades próximas à da luz antes de colidirem em pontos específicos, onde grandes detectores registram os resultados desses eventos.
As colisões permitem aos pesquisadores investigar a estrutura fundamental da matéria e compreender o comportamento das partículas elementares e das forças que atuam no Universo. Os dados obtidos contribuem para pesquisas relacionadas ao Modelo Padrão da Física, ao comportamento do bóson de Higgs, à matéria escura, à antimatéria e a outros fenômenos que ainda não possuem explicação definitiva.
Desde o início de sua operação, em 2008, o LHC tornou-se uma das principais instalações científicas do mundo. Em 2012, os experimentos conduzidos pelo CERN confirmaram a existência do bóson de Higgs, partícula prevista teoricamente na década de 1960 e considerada fundamental para explicar a origem da massa das partículas elementares. A descoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Física de 2013, concedido aos físicos François Englert e Peter Higgs.
A modernização prevista para o High-Luminosity LHC deverá ampliar substancialmente a capacidade de produção de dados do acelerador. De acordo com o CERN, a nova configuração permitirá obter cerca de dez vezes mais informações do que as registradas desde o início da operação da instalação, tornando possível realizar medições com maior precisão e ampliar a sensibilidade para detectar eventos extremamente raros.
Embora o acelerador permaneça desligado durante o período de modernização, as atividades científicas não serão interrompidas. As equipes responsáveis pelos experimentos continuarão analisando os dados produzidos durante a terceira fase operacional do LHC, encerrada em 2026. Paralelamente, engenheiros, físicos e técnicos atuarão na instalação e nos testes dos novos equipamentos que integrarão a infraestrutura do acelerador.
A previsão é que as operações sejam retomadas em 2030, inaugurando uma nova etapa das pesquisas em Física de partículas. Com maior capacidade de produzir colisões e coletar dados, o High-Luminosity LHC deverá ampliar o potencial de descobertas científicas e aprofundar o conhecimento sobre a estrutura da matéria e a evolução do Universo.
Fonte: CERN
