Uma tecnologia desenvolvida no Brasil foi utilizada pela NASA para monitorar o bem-estar de astronautas em missões espaciais de longa duração. O equipamento, criado pela empresa brasileira Condor Instruments, integrou a missão Artemis II, responsável pelo primeiro voo tripulado ao redor da Lua em cerca de 50 anos.
O dispositivo, conhecido como actígrafo, possui formato semelhante ao de um relógio de pulso e reúne sensores capazes de monitorar padrões de sono, vigília, atividade física e comportamento circadiano dos astronautas durante a missão. O equipamento foi embarcado na cápsula Orion e utilizado para coleta de dados em tempo real.
A tecnologia integrou o estudo Archer (Artemis Research for Crew Health and Readiness), desenvolvido pela NASA para avaliar os impactos biológicos e psicológicos de missões espaciais prolongadas, especialmente em condições de confinamento, isolamento e exposição à radiação.
O funcionamento baseia-se em um sensor de atividade que monitora a frequência e a intensidade dos movimentos do braço. A partir da análise desses dados, é possível inferir os períodos de repouso (ausência de movimento) e os de prontidão (presença de movimentos), registrando com exatidão o comportamento circadiano do indivíduo. Esse “relógio biológico” de aproximadamente 24 horas, que regula as funções físicas e comportamentais da maioria dos seres vivos, é influenciado primordialmente pela luminosidade.
Entre os diferenciais do equipamento brasileiro estão a medição integrada de atividade motora, exposição luminosa e temperatura corporal, além da capacidade de detectar luz melanópica, relacionada à regulação da melatonina e dos ciclos biológicos do sono.
O desenvolvimento da tecnologia contou com a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Para viabilizar o estudo, engenheiros da Nasa buscaram no mercado global opções de actígrafos capazes de monitorar a tripulação em tempo real. O dispositivo da Condor Instruments chamou a atenção da agência após a participação de representantes da startup em congressos científicos internacionais de cronobiologia, sono e luz.
Atualmente, a Condor Instruments exporta a maior parte de sua produção para dezenas de países e fornece equipamentos para universidades e centros de pesquisa internacionais, ampliando a presença da tecnologia brasileira no cenário científico global.