Abertas as inscrições para o 56° Curso de Perícia Judicial e Ambiental
Estão abertas as inscrições para o 56° Curso de Perícia Judicial e Ambiental, realizado pela Associação Profissional dos Engenheiros Florestais do Estado do Rio de Janeiro – APEFERJ, sob coordenação da engenheira florestal Denise Baptista Alves, com apoio do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA e dos programas Progredir e CREA JR-RJ. O curso acontece de 1 a 8 de julho de 2026, das 18h às 22h, com aulas teóricas virtuais e ao vivo, totalizando uma carga horária de 24 horas. O objetivo é apresentar noções de legislação e requisitos conexos à atuação do perito judicial e ambiental. O curso se destina a engenheiros, geógrafos, agrônomos, meteorologistas, advogados e demais profissionais. O corpo docente é formado por: – Denise Baptista Alves, Engenheira Florestal – MBE-COPPE-UFRJ. Consultora e Perito. – Marcelo Souza, Eng. Civil, Prof. MSc. Instrutor e piloto de Drones, MBA Finanças, Consultor e Perito. – Luciana Vieira- Advogada – OAB/ Niterói. – Priscila Pezzotti, Advogada, Consultora e Perito. Inscrições e mais informações pelo e-mail: [email protected]
Profissionais em dia com o CREA-RJ até 3 de junho garantem participação nas eleições do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA

Para participar do processo eleitoral, é fundamental estar em situação regular junto ao Conselho. Podem votar os profissionais registrados e em dia com suas obrigações perante o Sistema até 30 dias antes da data da eleição, ou seja, até 3 de junho. A adimplência é condição obrigatória para garantir o direito ao voto. O que significa estar “em dia” com o CREA-RJ? São considerados débitos perante o Conselho todas as obrigações exigíveis e vencidas, de natureza tributária ou não tributária, estejam elas inscritas ou não em dívida ativa. Isso inclui anuidades, taxas, emolumentos e multas por infração. Também entram nessa condição os parcelamentos que possuam parcelas vencidas e não pagas. Mesmo profissionais que tenham aderido a parcelamentos precisam manter todas as parcelas rigorosamente quitadas para permanecerem aptos a votar. A regularidade profissional fortalece o Sistema e contribui para que as decisões que impactam diretamente a Engenharia, a Agronomia e as Geociências sejam tomadas com ampla participação da categoria. O CREA-RJ reforça a importância dos profissionais consultarem sua situação cadastral e financeira com antecedência, evitando imprevistos e garantindo o pleno exercício do direito ao voto. Participar das eleições é contribuir ativamente para o futuro das profissões tecnológicas e para o fortalecimento do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA. Confira o passo a passo de como se regularizar junto ao CREA-RJ
A conexão invisível entre o Saara e a Amazônia. Como mega usinas solares no deserto africano poderiam influenciar a Floresta Amazônica

A ideia de transformar o deserto do Saara em uma gigantesca usina solar aparece com frequência em debates sobre transição energética e descarbonização da economia. O raciocínio parece simples. Com quase dez milhões de quilômetros quadrados e alguns dos maiores índices de incidência solar do planeta, o deserto africano teria potencial teórico para gerar volumes massivos de eletricidade a partir da energia fotovoltaica. Estimativas frequentemente citadas por pesquisadores indicam que a quantidade de radiação solar recebida pelo Saara em poucas horas supera o consumo energético anual da humanidade. A hipótese levou cientistas a investigar não apenas a viabilidade técnica de instalações dessa magnitude, mas também seus possíveis efeitos climáticos globais. Os resultados dessas pesquisas revelaram um cenário mais complexo do que a ideia inicial sugere. Estudos publicados em revistas científicas de referência apontam que mega usinas solares em escala continental poderiam alterar padrões atmosféricos, modificar regimes de chuva e afetar mecanismos naturais que conectam o Saara à Amazônia. Embora parte da divulgação sobre o tema tenha simplificado essas conclusões ao afirmar que “cobrir o Saara com painéis solares acabaria com a Amazônia”, os artigos científicos trabalham com hipóteses mais específicas e cautelosas. O debate envolve modelagem climática de larga escala e a interdependência entre diferentes sistemas ambientais do planeta. O elo atmosférico entre África e Amazônia A principal conexão entre o Saara e a Amazônia ocorre por meio do transporte atmosférico de poeira mineral. Todos os anos, os ventos transportam partículas do deserto africano através do Oceano Atlântico até a América do Sul. Parte desse material alcança a bacia amazônica carregando minerais importantes para o funcionamento ecológico da floresta, especialmente fósforo. O fenômeno foi estudado em profundidade por pesquisadores da NASA e da Universidade de Maryland em um trabalho publicado em 2015 na revista científica Geophysical Research Letters. Utilizando dados do satélite CALIPSO entre 2007 e 2013, os cientistas estimaram que cerca de 27,7 milhões de toneladas de poeira saariana chegam anualmente à Amazônia. Desse total, aproximadamente 22 mil toneladas correspondem a fósforo. Os pesquisadores observaram que a quantidade é comparável ao volume do nutriente perdido naturalmente pela floresta em razão das chuvas intensas e do processo de lixiviação dos solos. A principal origem dessa poeira é a Depressão de Bodélé, no Chade, considerada uma das regiões mais importantes do planeta na emissão de partículas minerais para a atmosfera. Os ventos alísios transportam esse material por mais de cinco mil quilômetros sobre o Atlântico até sua deposição parcial na América do Sul. Por que o fósforo é importante para a Floresta Amazônica? Apesar da exuberância vegetal, grande parte dos solos amazônicos possui baixa disponibilidade natural de nutrientes. A floresta mantém seu equilíbrio principalmente por meio da rápida ciclagem biológica da matéria orgânica. Nesse sistema, nutrientes são continuamente reutilizados entre solo, vegetação e decomposição vegetal. O fósforo proveniente do Saara não é o único mecanismo de sustentação da floresta, mas desempenha papel relevante na reposição parcial de nutrientes removidos pelas chuvas ao longo do tempo. Pesquisadores consideram que esse aporte mineral contribui para o equilíbrio ecológico amazônico, especialmente em áreas com solos altamente intemperizados. O que aconteceria se o Saara fosse coberto por painéis solares A hipótese analisada pelos estudos científicos não se refere a usinas convencionais atualmente existentes no Norte da África, mas a instalações continentais cobrindo parcelas gigantescas do deserto. O principal mecanismo físico envolvido é a alteração do albedo terrestre. O albedo representa a capacidade de uma superfície refletir radiação solar. A areia clara do Saara possui elevado poder de reflexão. Já os painéis solares, por serem escuros, absorvem mais calor. Em grande escala, essa substituição alteraria o balanço energético regional. Um dos estudos mais relevantes sobre o tema foi publicado em 2018 na revista científica Science por pesquisadores liderados por Yan Li, da Universidade de Maryland. Utilizando modelos climáticos, os cientistas concluíram que mega usinas solares e eólicas no Saara poderiam aumentar a temperatura regional, alterar padrões de circulação atmosférica, intensificar correntes de ar ascendentes, ampliar índices de precipitação em partes do deserto e favorecer crescimento parcial de vegetação em algumas áreas. Posteriormente, um segundo estudo, publicado em 2021 na revista Geophysical Research Letters por Zhengyao Lu e colaboradores, aprofundou a análise ao utilizar um modelo climático acoplado envolvendo atmosfera, oceano, gelo marinho e ecossistemas terrestres. As simulações indicaram que uma cobertura solar correspondente a 20% da área do Saara elevaria a temperatura regional em cerca de 1,5°C, enquanto um cenário de cobertura de 50% poderia elevar esse aumento para aproximadamente 2,5°C. Os pesquisadores também estimaram impactos climáticos remotos em outras regiões do planeta e um aquecimento médio global adicional variando entre 0,16°C e 0,39°C nos cenários simulados. Como os efeitos poderiam atingir a Amazônia Segundo os modelos climáticos, o aquecimento provocado pelas megausinas alteraria diferenças térmicas entre o continente africano e os oceanos adjacentes. Essa mudança afetaria a circulação atmosférica tropical e poderia deslocar a Zona de Convergência Intertropical, faixa climática responsável por grande parte das chuvas nas regiões equatoriais. Os modelos sugerem que esse deslocamento poderia modificar padrões de precipitação em áreas tropicais, incluindo partes da Amazônia. Em alguns cenários simulados por Lu et al. (2021), houve redução significativa de chuvas sobre setores da América Central e da Amazônia. Os percentuais variam conforme o cenário modelado, a extensão da cobertura solar e a região analisada. Os pesquisadores ressaltam, porém, que esses resultados derivam de modelos teóricos extremos e não representam previsões diretas sobre projetos reais atualmente existentes. O possível impacto sobre a poeira saariana Outro ponto discutido pelos estudos envolve a própria emissão de poeira do Saara. As simulações indicam que o aumento de chuvas no deserto poderia favorecer a expansão parcial de vegetação em determinadas áreas. Com mais cobertura vegetal e umidade, haveria potencial redução da quantidade de poeira lançada na atmosfera. Em tese, isso poderia alterar o transporte transatlântico de minerais que hoje alcançam a Amazônia. Os artigos científicos, entretanto, não afirmam que esse mecanismo levaria ao colapso da Floresta Amazônica. A hipótese discutida pelos pesquisadores é a de possíveis impactos sistêmicos
Tecnologia brasileira participou da missão lunar Artemis II

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil foi utilizada pela NASA para monitorar o bem-estar de astronautas em missões espaciais de longa duração. O equipamento, criado pela empresa brasileira Condor Instruments, integrou a missão Artemis II, responsável pelo primeiro voo tripulado ao redor da Lua em cerca de 50 anos. O dispositivo, conhecido como actígrafo, possui formato semelhante ao de um relógio de pulso e reúne sensores capazes de monitorar padrões de sono, vigília, atividade física e comportamento circadiano dos astronautas durante a missão. O equipamento foi embarcado na cápsula Orion e utilizado para coleta de dados em tempo real. A tecnologia integrou o estudo Archer (Artemis Research for Crew Health and Readiness), desenvolvido pela NASA para avaliar os impactos biológicos e psicológicos de missões espaciais prolongadas, especialmente em condições de confinamento, isolamento e exposição à radiação. O funcionamento baseia-se em um sensor de atividade que monitora a frequência e a intensidade dos movimentos do braço. A partir da análise desses dados, é possível inferir os períodos de repouso (ausência de movimento) e os de prontidão (presença de movimentos), registrando com exatidão o comportamento circadiano do indivíduo. Esse “relógio biológico” de aproximadamente 24 horas, que regula as funções físicas e comportamentais da maioria dos seres vivos, é influenciado primordialmente pela luminosidade. Entre os diferenciais do equipamento brasileiro estão a medição integrada de atividade motora, exposição luminosa e temperatura corporal, além da capacidade de detectar luz melanópica, relacionada à regulação da melatonina e dos ciclos biológicos do sono. O desenvolvimento da tecnologia contou com a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Para viabilizar o estudo, engenheiros da Nasa buscaram no mercado global opções de actígrafos capazes de monitorar a tripulação em tempo real. O dispositivo da Condor Instruments chamou a atenção da agência após a participação de representantes da startup em congressos científicos internacionais de cronobiologia, sono e luz. Atualmente, a Condor Instruments exporta a maior parte de sua produção para dezenas de países e fornece equipamentos para universidades e centros de pesquisa internacionais, ampliando a presença da tecnologia brasileira no cenário científico global.