A Embrapa está na etapa final de validação do ProCarbon-Soil, primeiro modelo desenvolvido e calibrado especificamente para condições tropicais voltado à mensuração da dinâmica de carbono em sistemas agrícolas. O modelo foi concebido no âmbito do projeto PRO Carbono, cooperação técnica entre a Embrapa Agricultura Digital e a Bayer Crop Science, sob liderança científica do pesquisador Luis Gustavo Barioni. Os resultados foram publicados em maio de 2026 no periódico Soil Science Society of America Journal.
Modelos multicompartimentais tradicionais, utilizados internacionalmente para estimar estoques de carbono no solo, fragmentam o carbono em diferentes reservatórios e demandam entre quatro e oito variáveis de estado, além de sete a vinte parâmetros. O ProCarbon-Soil, por sua vez, opera com apenas duas variáveis diretamente mensuráveis, o estoque total de carbono e seu grau de decomposição, o que reduz o risco de sobreparametrização e de ajuste excessivo aos dados utilizados na calibração, segundo os autores do estudo.
O modelo foi construído a partir de 4.290 amostras de solo coletadas em todas as regiões do país, reunindo informações publicadas em 370 estudos científicos, com dados combinados da Embrapa e da Bayer. Em simulações de 50 anos, o erro quadrático médio entre as estimativas geradas pelo modelo foi de 1,03 tonelada de carbono por hectare, valor inferior à incerteza típica de medições diretas em talhões de aproximadamente 40 hectares, que chega a 3,8 toneladas de carbono por hectare. O ProCarbon-Soil também demonstrou capacidade de produzir trajetórias de estoque de carbono comparáveis às do modelo internacional Century, referência no setor, com um conjunto de parâmetros consideravelmente reduzido, e de simular com precisão os impactos de práticas de manejo como rotação de culturas, plantio direto e diferentes formas de preparo do solo em variadas condições climáticas.
Entre as aplicações previstas para o modelo estão o suporte a projetos de créditos de carbono agrícola e a alimentação do Inventário Nacional de Emissões, com potencial de subsidiar a formulação de políticas públicas relacionadas ao setor. Sua estrutura é compatível com técnicas de assimilação de dados e de aprendizagem de máquina, o que permite alimentação a partir de dados de satélite e correção contínua de desvios conforme novas medições são incorporadas.
A etapa atual do projeto envolve a elaboração de um relatório de validação de modelo, a ser submetido à Verra, maior certificadora de créditos de carbono do mundo, com o objetivo de viabilizar o uso do ProCarbon-Soil no mercado voluntário de carbono. Segundo Barioni, a credibilidade do modelo tende a crescer proporcionalmente à sua adoção pelo setor produtivo.
O modelo já foi apresentado em eventos internacionais e nacionais voltados ao tema, incluindo o re.gen.nect, realizado em Chicago, e o LAC Soil Carbon 2025, realizado no Museu do Amanhã, evento que reuniu 358 participantes de 22 países para debater o mercado de carbono na América Latina e no Caribe.
Fonte: Portal Embrapa
