Engenheiro Sergio Hampshire recebe medalha do mérito do Confea durante sessão plenária do CREA-RJ

Da esquerda para direita: Sergio Hampshire; Roberto Carvalho; Luiz Carneiro e Luiz Alexandre Mosca

O engenheiro civil Sergio Hampshire de Carvalho Santos recebeu a Medalha do Mérito do CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia  durante a Sessão Plenária 1.629 do CREA-RJ. A honraria foi entregue pelo presidente em exercício do CREA-RJ, engenheiro civil Luiz Carneiro, em reconhecimento à trajetória de mais de 50 anos dedicados à Engenharia Civil, ao ensino e à produção científica.

Primeiro vice-presidente no exercício da presidência, Luiz Carneiro, entrega a medalha do mérito a Sergio Hampshire

Professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 1997, Sérgio construiu uma carreira marcada pela atuação em grandes projetos de infraestrutura e energia no país. Entre eles, destacam-se os trabalhos nas usinas nucleares de Angra 2 e Angra 3, além do reator nuclear de pesquisa da Marinha do Brasil e de importantes usinas termoelétricas.

Ao longo de sua trajetória, também teve papel relevante no desenvolvimento de normas técnicas, atuando como coordenador do comitê da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas  para Projeto Sísmico de Estruturas. Atualmente, preside a Associação Brasileira de Pontes e Estruturas – ABPE.

Autor de mais de 150 artigos publicados no Brasil e no exterior, Sergio Hampshire também possui livros de referência na área de estruturas e concreto. Seu trabalho já foi reconhecido com importantes premiações, como o Prêmio Oscar Niemeyer, do CREA-RJ, e o Prêmio Emílio Baumgart, do Instituto Brasileiro do Concreto.

A homenagem do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA destaca a contribuição do engenheiro para o avanço da Engenharia Brasileira, especialmente nas áreas de estruturas, pesquisa e formação de novas gerações de profissionais.

Entrevista / Sérgio Hampshire

O que significa para você receber a Medalha do Mérito do Confea? 

Eu recebo com muita emoção, depois de 53 anos de carreira. Tanto como engenheiro quanto como professor.  Mas eu recebo não em caráter pessoal. Recebo aqui em nome dos meus colegas da associação que eu represento, a Associação Brasileira de Pontes e Estruturas – ABPE. E também da Escola Politécnica da UFRJ, onde sou professor. 

Como você vê essa preocupação do Sistema CONFEA/CREA em valorizar o profissional que ainda está trabalhando? 

O CREA tem se dinamizado muito nos últimos anos, valorizando as nossas profissões. Considero o CREA como a nossa casa, a casa do engenheiro. Então, é aqui onde a gente tem que estar, acompanhando nossos colegas, usufruindo das atividades desenvolvidas pelo Conselho. 

Para você, como profissional e professor, o que é mais relevante, o ensino ou a prática?

Que o ensino sem a prática não tem sentido. E a prática sem o ensino, ela também não tem base. Então, a todos os colegas que eu tenho oportunidade de conversar, mais jovens, eu tento incentivá-los a conciliar a vida profissional com a vida acadêmica. Sempre estudando. A carreira que eu me dedico, que é a Engenharia de Estruturas, ela exige o conhecimento contínuo, o aperfeiçoamento contínuo. Então, ela não se esgota nos anos da graduação. Você vai pelo mestrado, pelo doutorado, pelos congressos de Engenharia, viaja ao exterior. A gente vai aprendendo a vida inteira. 

O que fez o senhor se apaixonar pela Engenharia? 

Eu acho que existe uma coisa que é inata na pessoa. Eu, com 12 anos de idade, tinha um tio que era um comunista, para o qual depois eu vinha trabalhar. Uma vez eu fui dormir na casa dele e ele me mostrou um projeto que ele estava fazendo, um papel manteiga em cima de uma planta de arquitetura, e foi me explicando o que era uma viga, o que era uma coluna, o que era uma laje. Então, aí eu descobri que era aquilo que eu queria fazer com essa vida. 

O senhor também tem um grande conhecimento de Engenharia Nuclear. Esse ano está completando 40 anos do acidente de Chernobyl. Que aprendizado ficou? Como o senhor enxerga a Engenharia Nuclear hoje no Brasil? 

Bom, eu conheço basicamente a aplicação no Brasil. As nossas usinas são super, hiper seguras. 100% de segurança isso não existe. A segurança é sempre probabilística. Mas a aplicação da Engenharia Nuclear no Brasil, para fins práticos, ela está nivelada com os maiores países do mundo, em termos de segurança, de eficiência, de todos os aspectos. E é pena que ela esteja se desenvolvendo tão lentamente. Estamos aguardando eternamente a conclusão de Angra 3, para a continuidade do nosso programa nuclear. 

Esse acidente de Chernobyl também criou novos protocolos de segurança. O senhor acha que a partir dali também foi um marco para esse desenvolvimento maior ainda da segurança da energia nuclear? 

Com certeza. As usinas brasileiras, de Angra 2 e Angra 3, elas têm uma base alemã, que tem como norma básica a segurança. Tudo se pensa em termos de segurança. Então nós temos uma confiança muito grande nessas usinas brasileiras. 

O senhor recebeu  uma das maiores honrarias do Sistema CONFEA/CREA, que é a medalha do mérito. Que legado o senhor pretende deixar para os engenheiros e para a sociedade? 

Olha, o nosso legado é construído todos os dias. Hoje, por exemplo, eu dei aula de manhã e vim para o CREA à tarde receber esta homenagem. Então, a gente está em contato permanente com jovens, e a gente procura ser uma inspiração. Através do que a gente se dedica no ensino, na pesquisa, esse legado é o exemplo que a gente dá a esses jovens. E a gente tem a satisfação de ver os jovens galgando os degraus da profissão, e ganhando destaque no cenário da Engenharia Nacional. Isso é uma satisfação muito grande.

Confira o vídeo.

Compartilhe a publicação:

Outras Notícias