Engenheiro Sergio Hampshire recebe medalha do mérito do Confea durante sessão plenária do CREA-RJ

O engenheiro civil Sergio Hampshire de Carvalho Santos recebeu a Medalha do Mérito do CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia  durante a Sessão Plenária 1.629 do CREA-RJ. A honraria foi entregue pelo presidente em exercício do CREA-RJ, engenheiro civil Luiz Carneiro, em reconhecimento à trajetória de mais de 50 anos dedicados à Engenharia Civil, ao ensino e à produção científica. Professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 1997, Sérgio construiu uma carreira marcada pela atuação em grandes projetos de infraestrutura e energia no país. Entre eles, destacam-se os trabalhos nas usinas nucleares de Angra 2 e Angra 3, além do reator nuclear de pesquisa da Marinha do Brasil e de importantes usinas termoelétricas. Ao longo de sua trajetória, também teve papel relevante no desenvolvimento de normas técnicas, atuando como coordenador do comitê da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas  para Projeto Sísmico de Estruturas. Atualmente, preside a Associação Brasileira de Pontes e Estruturas – ABPE. Autor de mais de 150 artigos publicados no Brasil e no exterior, Sergio Hampshire também possui livros de referência na área de estruturas e concreto. Seu trabalho já foi reconhecido com importantes premiações, como o Prêmio Oscar Niemeyer, do CREA-RJ, e o Prêmio Emílio Baumgart, do Instituto Brasileiro do Concreto. A homenagem do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA destaca a contribuição do engenheiro para o avanço da Engenharia Brasileira, especialmente nas áreas de estruturas, pesquisa e formação de novas gerações de profissionais. Entrevista / Sérgio Hampshire O que significa para você receber a Medalha do Mérito do Confea?  Eu recebo com muita emoção, depois de 53 anos de carreira. Tanto como engenheiro quanto como professor.  Mas eu recebo não em caráter pessoal. Recebo aqui em nome dos meus colegas da associação que eu represento, a Associação Brasileira de Pontes e Estruturas – ABPE. E também da Escola Politécnica da UFRJ, onde sou professor.  Como você vê essa preocupação do Sistema CONFEA/CREA em valorizar o profissional que ainda está trabalhando?  O CREA tem se dinamizado muito nos últimos anos, valorizando as nossas profissões. Considero o CREA como a nossa casa, a casa do engenheiro. Então, é aqui onde a gente tem que estar, acompanhando nossos colegas, usufruindo das atividades desenvolvidas pelo Conselho.  Para você, como profissional e professor, o que é mais relevante, o ensino ou a prática? Que o ensino sem a prática não tem sentido. E a prática sem o ensino, ela também não tem base. Então, a todos os colegas que eu tenho oportunidade de conversar, mais jovens, eu tento incentivá-los a conciliar a vida profissional com a vida acadêmica. Sempre estudando. A carreira que eu me dedico, que é a Engenharia de Estruturas, ela exige o conhecimento contínuo, o aperfeiçoamento contínuo. Então, ela não se esgota nos anos da graduação. Você vai pelo mestrado, pelo doutorado, pelos congressos de Engenharia, viaja ao exterior. A gente vai aprendendo a vida inteira.  O que fez o senhor se apaixonar pela Engenharia?  Eu acho que existe uma coisa que é inata na pessoa. Eu, com 12 anos de idade, tinha um tio que era um comunista, para o qual depois eu vinha trabalhar. Uma vez eu fui dormir na casa dele e ele me mostrou um projeto que ele estava fazendo, um papel manteiga em cima de uma planta de arquitetura, e foi me explicando o que era uma viga, o que era uma coluna, o que era uma laje. Então, aí eu descobri que era aquilo que eu queria fazer com essa vida.  O senhor também tem um grande conhecimento de Engenharia Nuclear. Esse ano está completando 40 anos do acidente de Chernobyl. Que aprendizado ficou? Como o senhor enxerga a Engenharia Nuclear hoje no Brasil?  Bom, eu conheço basicamente a aplicação no Brasil. As nossas usinas são super, hiper seguras. 100% de segurança isso não existe. A segurança é sempre probabilística. Mas a aplicação da Engenharia Nuclear no Brasil, para fins práticos, ela está nivelada com os maiores países do mundo, em termos de segurança, de eficiência, de todos os aspectos. E é pena que ela esteja se desenvolvendo tão lentamente. Estamos aguardando eternamente a conclusão de Angra 3, para a continuidade do nosso programa nuclear.  Esse acidente de Chernobyl também criou novos protocolos de segurança. O senhor acha que a partir dali também foi um marco para esse desenvolvimento maior ainda da segurança da energia nuclear?  Com certeza. As usinas brasileiras, de Angra 2 e Angra 3, elas têm uma base alemã, que tem como norma básica a segurança. Tudo se pensa em termos de segurança. Então nós temos uma confiança muito grande nessas usinas brasileiras.  O senhor recebeu  uma das maiores honrarias do Sistema CONFEA/CREA, que é a medalha do mérito. Que legado o senhor pretende deixar para os engenheiros e para a sociedade?  Olha, o nosso legado é construído todos os dias. Hoje, por exemplo, eu dei aula de manhã e vim para o CREA à tarde receber esta homenagem. Então, a gente está em contato permanente com jovens, e a gente procura ser uma inspiração. Através do que a gente se dedica no ensino, na pesquisa, esse legado é o exemplo que a gente dá a esses jovens. E a gente tem a satisfação de ver os jovens galgando os degraus da profissão, e ganhando destaque no cenário da Engenharia Nacional. Isso é uma satisfação muito grande. Confira o vídeo.

Campanha “Tudo é Engenharia” destaca infraestrutura que sustenta o funcionamento das cidades

O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, CONFEA, lançou a campanha “Tudo é Engenharia: você confia sem perceber”, iniciativa voltada à valorização da Engenharia, da Agronomia e das Geociências por meio de situações presentes no cotidiano da população brasileira. A campanha reúne vídeos e peças digitais que mostram como diferentes áreas profissionais estão relacionadas ao funcionamento de serviços essenciais, frequentemente incorporados à rotina das cidades sem que sua complexidade técnica seja percebida pela sociedade. Produzida com apoio de ferramentas de Inteligência Artificial generativa, a iniciativa aborda temas ligados à infraestrutura urbana, abastecimento, telecomunicações, mobilidade, saneamento e qualidade de vida. Segundo o CONFEA, o objetivo é ampliar a percepção pública sobre a contribuição das profissões vinculadas ao Sistema CONFEA/CREA para o desenvolvimento do país. O vídeo dedicado ao tema “Cidades” destaca a presença da Engenharia em sistemas que garantem mobilidade urbana, fornecimento de energia, drenagem, iluminação pública, saneamento e infraestrutura urbana. O conteúdo também evidencia os desafios relacionados ao crescimento das cidades, à manutenção de estruturas públicas e à necessidade de planejamento técnico diante das transformações urbanas e climáticas. Confira!

Infra-BR aponta déficits estruturais no saneamento básico e desigualdades entre estados

O CONFEA divulgou análise do eixo de saneamento básico do Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil, ferramenta que avalia comparativamente os 27 estados a partir de indicadores técnicos e sociais. O levantamento adota abordagem orientada a desempenho, ao considerar não apenas a cobertura dos serviços, mas a efetividade operacional e seus impactos. No campo do esgotamento sanitário, o principal indicador observado é a diferença entre o volume de esgoto gerado e o efetivamente tratado. O dado evidencia limitações estruturais do sistema, com reflexos diretos na poluição hídrica e na pressão sobre os sistemas de abastecimento. A análise utiliza dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento, permitindo identificar distorções entre expansão de rede e capacidade de tratamento. Em relação aos resíduos sólidos, o diagnóstico combina três variáveis: cobertura da coleta, destinação final e taxa de reciclagem. Mesmo em cenários com coleta relativamente ampliada, os resultados apontam baixa eficiência sistêmica. No Brasil, apenas cerca de 3% a 4% dos resíduos urbanos são reciclados formalmente, o que indica gargalos na estrutura de triagem, na logística reversa e nos mecanismos econômicos de incentivo. O levantamento também estabelece correlação direta entre acesso ao saneamento e indicadores socioeconômicos, com base em dados do Instituto Trata Brasil. A escolaridade média da população com acesso aos serviços é de 9,5 anos, frente a 7,5 anos entre aqueles sem acesso. No campo da renda, a média mensal chega a R$ 3.477 para a população atendida, enquanto o grupo sem acesso registra R$ 2.320, uma diferença próxima de 50%. A análise evidencia a persistência de assimetrias regionais, refletidas tanto na cobertura quanto na eficiência dos serviços de saneamento. Estados das regiões Norte e Nordeste tendem a apresentar maiores déficits, especialmente no esgotamento sanitário, com menores índices de coleta e tratamento, enquanto unidades federativas do Sul e Sudeste concentram melhores indicadores operacionais. Essa diferença não se limita à presença de infraestrutura, mas envolve capacidade de gestão, disponibilidade de investimentos e maturidade institucional dos prestadores de serviço.  O Infra-BR permite visualizar essas disparidades ao comparar indicadores como volume de esgoto tratado, adequação da destinação de resíduos e níveis de atendimento, evidenciando que, mesmo onde há avanço na coleta, persistem lacunas significativas na etapa de tratamento e na destinação ambientalmente adequada.

Prêmio Elisa Frota Pessoa destaca pesquisadoras no Rio 

A Prefeitura do Rio de Janeiro premiou 24 alunas de instituições de ensino superior com o Prêmio Elisa Frota Pessoa, contemplando trabalhos de graduação, mestrado e doutorado em diferentes áreas do conhecimento. No recorte das Ciências Exatas, destacam-se pesquisas voltadas à aplicação de tecnologias e soluções para desafios contemporâneos.  As premiadas nas áreas de Exatas estão distribuídas entre diferentes níveis acadêmicos, abrangendo desde a formação inicial até a pós-graduação, o que indica a presença contínua de mulheres na produção científica ao longo da trajetória acadêmica. Os trabalhos apresentados dialogam diretamente com o tema da edição, voltado à promoção da sustentabilidade, da justiça social e ao desenvolvimento de soluções para desafios urbanos contemporâneos. .Prêmio Elisa Frota Pessoa em Ciências Exatas A iniciativa tem como objetivo reconhecer e incentivar a produção científica feminina no município do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que fortalece a articulação entre o poder público e as instituições de ensino e pesquisa. Ao valorizar trabalhos que dialogam com demandas sociais e urbanas, a premiação contribui para ampliar a visibilidade de soluções baseadas em ciência, tecnologia e inovação, além de estimular a formação de novas pesquisadoras. Além das Ciências Exatas, o prêmio também contemplou pesquisas nas áreas de Ciências Biológicas e outras áreas do conhecimento, incluindo estudos relacionados à saúde, como diagnósticos avançados de tumores com uso de citometria de fluxo, sustentabilidade e segurança alimentar, como o uso do sorgo como alimento funcional. O prêmio homenageia Elisa Frota Pessoa, referência na Física experimental no Brasil e uma das pioneiras na consolidação da pesquisa científica no país. Sua trajetória é marcada pela atuação em instituições de excelência e pela contribuição à formação de gerações de cientistas, sendo reconhecida como uma das primeiras mulheres a alcançar projeção na área, em um contexto historicamente marcado por baixa participação feminina.