O CONFEA divulgou análise do eixo de saneamento básico do Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil, ferramenta que avalia comparativamente os 27 estados a partir de indicadores técnicos e sociais. O levantamento adota abordagem orientada a desempenho, ao considerar não apenas a cobertura dos serviços, mas a efetividade operacional e seus impactos.
No campo do esgotamento sanitário, o principal indicador observado é a diferença entre o volume de esgoto gerado e o efetivamente tratado. O dado evidencia limitações estruturais do sistema, com reflexos diretos na poluição hídrica e na pressão sobre os sistemas de abastecimento. A análise utiliza dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento, permitindo identificar distorções entre expansão de rede e capacidade de tratamento.
Em relação aos resíduos sólidos, o diagnóstico combina três variáveis: cobertura da coleta, destinação final e taxa de reciclagem. Mesmo em cenários com coleta relativamente ampliada, os resultados apontam baixa eficiência sistêmica. No Brasil, apenas cerca de 3% a 4% dos resíduos urbanos são reciclados formalmente, o que indica gargalos na estrutura de triagem, na logística reversa e nos mecanismos econômicos de incentivo.
O levantamento também estabelece correlação direta entre acesso ao saneamento e indicadores socioeconômicos, com base em dados do Instituto Trata Brasil. A escolaridade média da população com acesso aos serviços é de 9,5 anos, frente a 7,5 anos entre aqueles sem acesso. No campo da renda, a média mensal chega a R$ 3.477 para a população atendida, enquanto o grupo sem acesso registra R$ 2.320, uma diferença próxima de 50%.
A análise evidencia a persistência de assimetrias regionais, refletidas tanto na cobertura quanto na eficiência dos serviços de saneamento. Estados das regiões Norte e Nordeste tendem a apresentar maiores déficits, especialmente no esgotamento sanitário, com menores índices de coleta e tratamento, enquanto unidades federativas do Sul e Sudeste concentram melhores indicadores operacionais. Essa diferença não se limita à presença de infraestrutura, mas envolve capacidade de gestão, disponibilidade de investimentos e maturidade institucional dos prestadores de serviço.
O Infra-BR permite visualizar essas disparidades ao comparar indicadores como volume de esgoto tratado, adequação da destinação de resíduos e níveis de atendimento, evidenciando que, mesmo onde há avanço na coleta, persistem lacunas significativas na etapa de tratamento e na destinação ambientalmente adequada.