Terremoto no Brasil? São Gonçalo, no Rio de Janeiro, registra tremor de terra

Com o tremor de terra registrado no município de São Gonçalo nesta última terça-feira (11/03), surgem-se dúvidas sobre o que é um terremoto e como são as ocorrências em território brasileiro. O abalo sísmico da cidade, que fica a cerca de 25 quilômetros da capital fluminense, foi considerado de baixa magnitude: 2.0 na Escala Richter, registrado pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).

Terremotos desse tipo no Brasil são comuns, como afirma a RSBR. Esses abalos são consequências de pressões geológicas movimentando pequenas fraturas na crosta terrestre. Como o Brasil está na Placa Sul-Americana e esta se choca com outra placa na região da Cordilheira dos Andes, fora do território brasileiro, está livre de terremotos muito intensos, registrando apenas os intraplaca. 

A crosta terrestre é formada por placas rígidas que se deslocam em diferentes direções, como se flutuassem sobre o manto, que é uma porção da Terra de consistência plástica. Esse movimento é vagaroso, apenas alguns centímetros por ano. Mas, as placas são massas colossais e quando duas delas se encontram, começa a haver uma compressão. Este é causado por tectonismo, mas também podem ser por vulcanismo que, a partir de erupções vulcânicas, a liberação de energia acumulada no interior da terra causa as vibrações. 

Assim, a tensão acumulada é tão grande que supera a resistência das rochas e ocorre uma ruptura, chamada falha geológica, ocorrendo o terremoto. O atrito libera uma grande quantidade de energia, em forma de ondas, que se propagam em todas as direções e que causam os tremores sentidos na superfície da Terra, segundo conta o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), uma das entidades brasileiras que estuda o assunto.

Magnitude e intensidade 

O tamanho relativo dos sismos é o que se chama de magnitude. Ela é medida usando-se a chamada Escala Richter, criada em 1935, por Charles Richter. Essa escala é logarítmica, ou seja, de um grau para o grau seguinte a diferença na amplitude das vibrações é de dez vezes. E a diferença da quantidade de energia liberada é de 30 vezes. Isso significa que um terremoto de magnitude 6 tem vibrações dez vezes menores que um terremoto de magnitude 7 e cem vezes menores que um cuja magnitude é 8.

Segundo dados da Autoridade de dados da Califórnia (CEA) e o Serviço Geológico dos EUA (USGS), as categorias são:

  • Pequeno: Magnitude 3.0 – 3.0, o impacto pode ser sentido
  • Leve: Magnitude 4.0 – 4.9, com mais possibilidades de ser sentido
  • Moderado: 5.0 – 5.9, danos menores podem ocorrer
  • Forte: 6.0 – 6.9, danos podem ocorrer
  • Grande: 7.0 – 7.9, danos são esperados 
  • Imenso: 8.0 ou mais, danos significativos são esperados 

E de acordo com a universidade de Michigan Tech, a dimensão de até 2.5 não chegam a ser sentidos, mas são registrados pelos sismógrafos, como no caso de São Gonçalo. 

Costuma-se afirmar que a Escala Richter vai até 9, porém a escala não tem limite, nem superior, nem inferior. Um abalo muito fraco pode inclusive ter magnitude negativa, pois a escala apenas compara os terremotos entre si.

Já a intensidade são os efeitos produzidos pelos terremotos em locais da superfície terrestre. De acordo com a USP, a classificação da intensidade sísmica é feita a partir da observação nos locais onde ocorreram os danos, como nas construções, nas pessoas ou no meio ambiente. 

Casos no Brasil

Apesar do Brasil estar localizado no centro da placa tectônica sul-americana, os tremores que ocorrem aqui, geralmente não passam da magnitude 3.0 na Escala Richter. O maior terremoto registrado em território nacional ocorreu em 1955 e teve seu epicentro 370 km ao norte de Cuiabá (MT). A magnitude atingiu 6,2 graus na Escala Richter. Em 1980, houve outro terremoto, com magnitude 5,2, sentido em praticamente todo o Nordeste. Este provocou o desabamento parcial de algumas casas em Pacajus (CE). 

E em 8 de junho de 1994, a cidade de Porto Alegre (RS) foi atingida pelas ondas sísmicas provocadas por um terremoto que ocorreu na Bolívia, a 2.200 km de distância. O abalo, que atingiu 7,8 graus na escala Richter, foi mais forte que aquele ocorrido nos Estados Unidos em janeiro daquele ano, e que, com uma magnitude de 6,6 graus, destruiu diversos bairros de Los Angeles. O terremoto da Bolívia, porém, teve consequências bem menos sérias porque seu epicentro situou-se a grande profundidade, 600 km abaixo da superfície. Esse terremoto levou 5 min 38 s para ser sentido em Porto Alegre, tempo que as ondas sísmicas, viajando a 6,5 km/s, levaram para percorrer os 2.200 km que separam a capital gaúcha do seu epicentro.

Fontes: National Geographic Brasil;  Serviço Geológico do Brasil (SGB)

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