Crea-RJ homenageia personalidades e entidades ligadas à Agronomia com o Prêmio Johanna Döbereiner
O Prêmio Johanna Döbereiner está se aproximando e vai homenagear personalidades, instituições e entidades que se destacaram por suas contribuições na área da Agronomia. A premiação, que ocorre anualmente, é promovida pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-RJ), com o objetivo de reconhecer e celebrar aqueles que demonstraram excelência em suas posições, ações, trabalhos, estudos e projetos, promovendo o avanço e o desenvolvimento do campo da Agronomia. As inscrições para concorrer ao prêmio podem ser feitas por qualquer pessoa ou entidade, preenchendo a ficha de indicação disponível no site do Crea-RJ. As fichas devem ser enviadas à Comissão Executiva do “Prêmio Johanna Döbereiner” exclusivamente por esse link eletrônico, de 19 agosto a 16 de setembro de 2024. Indicações enviadas por outros meios não serão consideradas. Realizado desde 2001, o Prêmio Johanna Döbereiner é uma oportunidade importante para destacar personalidades, avanços e realizações no campo da Agronomia, reconhecendo os esforços para aprimorar a produção agrícola, garantir a segurança alimentar e promover a sustentabilidade no setor. O objetivo do Crea-RJ é incentivar a continuação das pesquisas, estudos e projetos que beneficiam a agricultura, o meio ambiente e a sociedade como um todo. Sobre Johanna Döbereiner: Johanna Döbereiner foi uma proeminente cientista agrícola brasileira, nascida na Alemanha em 1924, que dedicou sua vida ao estudo e avanço da microbiologia do solo e da fixação biológica de nitrogênio. Suas contribuições inestimáveis à ciência agrícola trouxeram benefícios significativos para a agricultura brasileira e foram reconhecidas nacional e internacionalmente. Deste modo, o Prêmio Johanna Döbereiner, concedido há mais de vinte anos pelo Crea-RJ, homenageia também à memória e o legado desta notável pesquisadora, cujo trabalho revolucionou a compreensão da química do solo e o papel das bactérias na agricultura.
Urbanismo no Rio é tema de debate organizado pelo Fórum Global de Inovação e Tecnologia em Sustentabilidade

O diagnóstico dos problemas urbanos do Rio é praticamente o mesmo entre os especialistas e pesquisadores. A cidade tem nada menos que 22% de sua população vivendo em favelas; 33% dos cariocas vivem na informalidade, sem condições de declarar renda e, por isso, sem conseguir crédito até mesmo para comprar uma casa própria. A falta de financiamento também contribui para um déficit habitacional da cidade estimado em 312 mil moradias. A cidade tem atualmente cerca de mil favelas, sendo que cem delas surgiram nos últimos 20 anos. Com o crescimento das favelas, aumenta a dificuldade de o estado fornecer serviços básicos, como o de saneamento. Cinquenta e sete por cento da população carioca vivem em áreas dominadas pelo crime organizado (tráfico e/ou milícia). Essas e outras questões serão debatidas em painéis do FITS Urbanismo 2024, o seminário organizado pelo FITS (Fórum Global de Inovação e Tecnologia em Sustentabilidade), em parceria com o Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do RJ) e o CAU/RJ (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do RJ). O evento será na terça-feira, dia 20 de agosto, a partir das 9h, na sede do CAU, no Centro (Av. República do Chile, 230 – 2º andar), o evento tem conexão com os ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, da ONU. Patrocinado pela Cedae, o Fórum visa ser um ambiente de fomento à inovação e à tecnologia, com atenção ao processo produtivo, à competitividade e ao desenvolvimento sustentável dos espaços urbanos em suas três dimensões: ambiental, econômica e social. “O FITS Urbanismo trará abordagens distintas, mas integradas, do urbanismo no Rio de Janeiro, com debates sobre saneamento, energia, habitação e mobilidade. Experiências e conhecimentos locais alinhados aos ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Situações vivenciadas em nosso dia a dia que reverberam para todo o país e para o mundo. Serão 25 palestrantes que pensam e fazem urbanismo no RJ compartilhando suas vivências e trazendo a visão do desenvolvimento do espaço urbano de forma sustentável ambiental, econômica e socialmente, com inovação e tecnologia”, explica Lúcia Martins, diretora-executiva do FITS. Presidente do Crea-RJ: “Nos últimos 20 anos, a Rocinha dobrou de tamanho” O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), o engenheiro civil Miguel Fernández, ressalta que é a primeira vez que é realizado no Rio um evento em conjunto com o CAU/RJ, fruto de um termo de cooperação firmado entre os dois conselhos profissionais em 17 de janeiro, logo depois que Fernández assumiu a presidência do Crea. “Só por isso, já é um marco. Os temas que estão sendo discutidos sobre a questão urbana, ainda mais num momento eleitoral como o de agora, são fundamentais para o desenvolvimento da cidade. Vou dar destaque para a questão da habitação e das favelas. Mas há outros temas relevantes, como a questão do saneamento. Queremos que esses temas sejam incluídos nos programas dos candidatos à prefeitura do Rio”, assinala o presidente do Crea-RJ. Fernández defende que se repense as políticas públicas sobre urbanização de favelas no Rio, que já têm 40 anos e não conseguem organizar o crescimento das favelas na cidade. “Precisamos fazer uma autocrítica. São 40 anos de políticas públicas sobre urbanização de favelas com propostas de forma que nesses 40 anos as favelas só crescem, gerando problemas sociais, urbanos e de saúde pública”, afirma Miguel Fernández, observando que “a questão do problema habitacional nos grandes centros urbanos é histórica”. “O Rio de Janeiro tem a primeira favela do Brasil, a do Morro da Providência, que fica numa área bastante visada pelo poder público, que é a região do Porto”, lembra Fernández. “Há 40 anos os projetos que vêm sendo abordados em relação às favelas é o mesmo. Qual o resultado alcançado até agora? É uma expansão cada vez maior dessas áreas. Nos últimos 20 anos, a Rocinha dobrou de área ocupada, o que pode ser verificado por meio de fotografias feitas por satélites, unindo-se à Favela do Vidigal. Então temos que discutir se de fato esse é o modelo habitacional que nós desejamos para a nossa cidade”, destaca o presidente do Crea-RJ, para quem um case de solução habitacional é o conjunto da Cruzada São Sebastião, no Leblon, onde o IPTU mais caro do Brasil está em torno daquela solução habitacional que foi dada naquela área, entre Leblon, Ipanema e Lagoa. “A gente não defende remoção, mas requalificação do espaço que entenda a lógica de viver em comunidade, como acontece na favela, mas que pode avançar e mudar a história do Brasil”, observa Fernández. Presidente do CAU/RJ: “Há uma descontinuidade nas políticas públicas de habitação e urbanismo no Rio” O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU/RJ), arquiteto e urbanista Sydnei Meneses, ressalta que o que falta nas políticas públicas de habitação popular e urbanismo do Rio “é continuidade”. “As políticas do setor são implementadas e depois abandonadas; isso tem sido cíclico. Os governantes iniciam as obras, depois as abandonam. Essa é a principal causa da falência dessas políticas públicas habitacionais e de urbanização do Rio. Com isso, aumenta o déficit habitacional, o crescimento desordenado das favelas, assim como as doenças provenientes da falta de saneamento básico”, afirma Sydnei. Com uma experiência de 40 anos como arquiteto e urbanista do município, o presidente do CAU está convencido de que a falta de continuidade tem sido a principal causa dos problemas de habitação e urbanismo. “Foram gastos rios de dinheiro na urbanização de favelas. Tenho o exemplo concreto da Favela da Rocinha, que tinha um excelente projeto de urbanização no governo Rosinha, que jamais foi implementado. O teleférico que foi construído no Complexo do Alemão, no governo Cabral, consumiu recursos do PAC e está parado”, destaca Sydnei. Presidente do IPP: debate sobre urbanismo segue a Agenda 2030 Para o presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, o arquiteto Manoel Vieira Gomes, “discutir o urbanismo é algo muito importante para arquitetos, urbanistas e engenheiros” porque esse debate possibilita maior otimização dos recursos públicos disponíveis para a
Museu Nacional de Belas Artes comemora 116 anos
Situado no centro histórico do Rio de Janeiro, o edifício de arquitetura eclética projetado em 1908 pelo arquiteto Adolfo Morales de los Rios para sediar a Escola Nacional de Belas Artes, herdeira da Academia Imperial de Belas Artes, foi construído durante as modernizações urbanísticas realizadas pelo prefeito Pereira Passos na então Capital Federal. Na fachada principal, há frontões, colunatas e relevos em terracota, além de medalhões pintados por Henrique Bernardelli. Nas fachadas laterais, mosaicos retratam personalidades como Leonardo Da Vinci e Giorgio Vasari, e são assinados pelo francês Félix Gaubin. Criado oficialmente em 1937 por Decreto do presidente Getúlio Vargas, o Museu Nacional de Belas Artes conjugou a ocupação do prédio com a Escola Nacional de Belas Artes até 1976, quando a EBA foi deslocada para a ilha do Fundão. Neste mesmo ano, com a criação da Fundação Nacional de Arte(Funarte) houve novo compartilhamento. Em 24 de maio de 1973, o edifício da Avenida Rio Branco, 199, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(IPHAN) e, a partir de 2003, a imponente construção passou a abrigar na sua totalidade o MNBA. Avançando na linha do tempo, em 2009 o MNBA foi incorporado pelo Instituto Brasileiro de Museus(IBRAM), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura. Hoje é a instituição que possui a maior e mais importante coleção de arte brasileira do século XIX, concentrando um acervo de cem mil itens entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, objetos, documentos e livros. Restauração Ocupando uma área de 18 mil m2, um quarteirão e integra o conjunto arquitetônico formado por mais duas instituições culturais, o Theatro Municipal e a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de Belas Artes/Ibram/MinC passa desde 2020 por um minucioso trabalho de restauração, com expectativa de que seja reaberto ao público, totalmente recuperado e modernizado, no fim de 2025. A recuperação das quatro fachadas do edifício histórico e de seus ornamentos está concluída. A reforma de esquadrias e claraboias está em fase final. Entre outras intervenções na estrutura, o serviço contempla acabar com infiltrações e medidas de prevenção a incêndios. Os recursos somam R$ 27,8 milhões do Fundo de Direitos Difusos, do Ministério da Justiça. Mais frentes estão em fase de conclusão de projetos executivos. O BNDES aplicará quase R$ 4 milhões na modernização do sistema elétrico da edificação. Já a Shell, via Lei Rouanet (de incentivos fiscais para apoio à cultura), está investindo mais de R$ 5,8 milhões na climatização do prédio, na expansão da reserva técnica do museu e na implantação de uma nova exposição de longa duração. Outro patrocinador, com R$ 1,3 milhão, é o Itaú. Das intervenções na estrutura, as últimas a iniciarem foram nas três cúpulas. O serviço está adiantado nas laterais, com dez metros de pé direito e 64 metros quadrados de área. A proposta inicial de obra nas cúpulas previa a demolição de todo o invólucro de argamassa armada que envolve uma tela metálica (em formato de gaiola de passarinho). A estrutura metálica seria recuperada e revestida por um material novo. Mas o Iphan ponderou quanto à necessidade de remoção completa de uma argamassa centenária. Após estudos, a opção foi pela substituição tão somente dos trechos degradados. Embora tenha recebido reforço estrutural, entre 1940 e 1960, a cúpula central — diferentemente das outras duas — nunca havia sido restaurada. A sua recuperação exigiu cuidados extras. Além do rapel do lado externo, internamente a solução foi construir uma plataforma suspensa, a fim de ter acesso às paredes. O peso do andaime tradicional poderia colocar em risco a laje, por isso, o engenheiro calculista projetou uma estrutura independente, quase flutuante. Preciosidades no acervo da instituição A bicentenária Coleção do Museu Nacional de Belas Artes se originou de três conjuntos de obras distintos: as pinturas trazidas por Joaquim Lebreton, chefe da Missão Artística Francesa, que chegou ao Rio de Janeiro, em 1816; os trabalhos pertencentes ou aqui produzidos pelos membros da Missão, entre os quais se destacam Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Batiste Debret, Grandjean de Montigny, Charles Pradier e os irmãos Ferrez; e as peças da Coleção D. João VI, deixadas por este no Brasil, ao retornar a Portugal, em 1821. Percorrendo suas galerias, o visitante pode vislumbrar, como em poucos espaços culturais do país, a história das artes plásticas no Brasil desde os seus primórdios até a contemporaneidade. Com mais de 60 metros quadrados, o quadro Batalha do Avaí, de Pedro Américo, é a maior pintura de cavalete da história da arte brasileira. Foi pintado nove anos após o confronto, um dos principais da Guerra do Paraguai, ocorrido em dezembro de 1868. Na gigantesca pintura a óleo sobre tela, de 1879, Vítor Meireles retrata a Batalha de Guararapes, um confronto militar ocorrido em dois momentos (em 1640 e 1649), entre as tropas do império português e o exército da Holanda, na então Capitania de Pernambuco. A Primeira Missa no Brasil, de Vítor Meireles, é um dos quadros mais famosos da história da arte brasileira. A tela foi pintada entre 1859 e 1861, quando o artista vivia em Paris. A Carta de Pero Vaz de Caminha foi a fonte fundamental de inspiração. MNBA foi palco da primeira sessão plenária do Crea-RJ O Museu Nacional de Belas Artes tem um papel especial na história do Crea-RJ. Em 5 de junho de 1934, o Engenheiro Civil Dulphe Pinheiro Machado presidiu a primeira sessão plenária do Conselho da 5ª Região, que viria a se tornar o atual Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro. Naquele dia, quando deu posse aos primeiros diretores, onde hoje é o Museu Nacional de Belas Artes, ele afirmou que ali “tinha início uma nova era”. Desde então, o trabalho diário do Crea-RJ tem sido o de assegurar que as Engenharias, a Agronomia e as Geociências sejam praticadas dentro da legalidade, por profissionais tecnicamente habilitados, contribuindo, assim, para o bem-estar da população O Crea-RJ parabeniza o Museu Nacional de Belas Artes por seus 116 anos e por sua importância para a cultura brasileira e, principalmente, para a cidade do Rio de Janeiro.