
A transição para a eletromobilidade no Brasil continuou acelerada em 2025, abrindo caminho para um 2026 com potencial ainda maior de expansão. Especialmente à medida que cresce a oferta de modelos, a presença de fabricantes e a demanda por tecnologia sustentável.
Vendas em 2025: um ano histórico
Em 2025, a venda de veículos elétricos e híbridos cresceu 26% em relação ao número de emplacamentos registrados em 2024. Os dados foram divulgados na terça-feira, 6 de janeiro, pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Segundo a entidade, foram vendidos 223.912 veículos eletrificados em 2025, ante 177.358 em 2024.
“Ultrapassamos o marco simbólico dos 200 mil veículos eletrificados vendidos num único ano. Em 2016, tínhamos ficado felizes quando atingimos 1.091 unidades e agora, em 2025, chegamos a 223.912. O mercado aumentou 20.423% em apenas 10 anos!”, apontou Ricardo Bastos, presidente da ABVE.

Novas fábricas, novos modelos
De acordo com a ABVE, outro ponto importante foi o início da produção de veículos 100% elétricos e elétricos plug-in no Brasil, com a inauguração das fábricas da GWM em Iracemápolis (SP), da BYD em Camaçari (BA) e da Comexport no novo polo multimarcas de Horizonte (CE), com produção iniciada de modelos da GM.
Além disso, o presidente da ABVE destacou o aumento da oferta de eletrificados, com preços mais acessíveis ao consumidor brasileiro. Foram 400 modelos diferentes só em 2025, ou 26% acima dos 317 de 2024.

Eletromobilidade por regiões
O Sudeste segue como o principal polo da eletromobilidade no país, concentrando 46,4% das vendas de veículos eletrificados em 2025 (103.964). Na sequência, o Sul mantém a segunda colocação, com 18% do mercado (40.085).
No balanço final de 2025, o Nordeste consolidou-se como a terceira maior região em participação, com 16% das vendas (36.596 unidades).
Vendas de veículos leves eletrificados por regiões brasileiras em 2025:
- 1º – Sudeste: 103.964 (46,4%)
- 2º – Sul: 40.085 (17,9%)
- 3º – Nordeste: 36.596 (16,3%)
- 4º – Centro-Oeste: 33.964 (15,2%)
- 5º – Norte: 9.303 (4,2%)
Os 5 estados que mais venderam veículos eletrificados leves em 2025:
- 1º – São Paulo: 68.618 (30,6%)
- 2º – Distrito Federal: 21.639 (9,7%)
- 3º – Minas Gerais: 15.155 (6,8%)
- 4º – Rio de Janeiro: 14.280 (6,4%)
- 5º – Paraná: 14.024 (6,3%)
Os 5 municípios que mais venderam veículos eletrificados leves em 2025:
- 1º – São Paulo: 28.212 (12,6%)
- 2º – Brasília: 21.639 (9,7%)
- 3º – Belo Horizonte: 9.372 (4,2%)
- 4º – Rio de Janeiro: 8.349 (3,7%)
- 5º – Curitiba: 6.488 (2,9%)

Veículos mais vendidos em 2025

Infraestrutura de recarga: crescimento e desafios
O avanço das vendas de carros elétricos depende diretamente de uma infraestrutura de recarga robusta e bem distribuída — ainda um dos principais desafios para a eletromobilidade no Brasil.
Eletropostos
- Há cerca de 16.880 pontos públicos e semipúblicos de recarga no país, um número que segue em expansão.
- Destes, 3.855 são de recarga rápida (DC) — essencial para viagens rodoviárias e uso dinâmico do dia a dia e 13.025 de recarga lenta.
- No estado do Rio de Janeiro existem hoje 1.606 eletropostos, sendo 1.330 de recarga lenta e 276 de recarga rápida.
- No município do Rio de Janeiro tem 963 eletropostos, sendo 836 de recarga lenta e 127 de recarga rápida.
Importância dos carregadores rápidos
Os carregadores rápidos (DC) reduzem o tempo de recarga de várias horas para algo entre 30 minutos e 1 hora, dependendo da potência do ponto e da bateria do veículo. Esses eletropostos são cruciais para a popularização dos veículos elétricos e para transformar viagens interestaduais em experiências viáveis para os motoristas elétricos.
Entretanto, a expansão desses pontos ainda é desigual: a maioria dos eletropostos rápidos está localizada em capitais e grandes rodovias, criando um desafio para quem planeja viagens entre estados.
Produção local e perspectivas futuras
Enquanto a oferta de modelos cresce com importações, há avanços importantes na produção local de veículos elétricos. A fábrica da BYD em Camaçari (BA), que enfrentou atrasos, deve estar em pleno funcionamento até o final de 2026, com potencial para produzir até 150 mil veículos por ano.
O investimento de R$ 5,5 bilhões gerou 1,5 mil postos de trabalho imediatos, superando 2 mil funcionários em dezembro de 2025, e a expectativa é de milhares de novos postos diretos e indiretos quando a produção estiver em pleno vapor, podendo chegar a 20 mil empregos na cadeia.
Essa produção nacional pode reduzir custos, incentivar fornecedores locais e estimular uma cadeia de valor brasileira para veículos elétricos, beneficiando setores como engenharia elétrica, eletrônica e infraestrutura energética.