Em comemoração ao mês da Consciência Negra, com o objetivo de valorizar trajetórias e fortalecer a presença de profissionais negros na Engenharia, Agronomia e Geociências, bem como debater sobre a representatividade e inspirar futuras gerações de profissionais, foi realizado no dia 3 de dezembro o Fórum de Debates “O Protagonismo Negro na Área Tecnológica – Passado, Presente e Futuro”.
Promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), pelo Clube de Engenharia e pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), o evento ocorreu de 18h às 22h, no Clube de Engenharia, no Centro do Rio.

O evento foi apresentado pelo diretor do CREA-RJ, engenheiro sanitarista e ambiental Milton Neves e pela inspetora do CREA-RJ em Barra do Pìraí, a engenheira eletricista Gabriela Rosa.
A mesa de abertura foi formada pelo presidente do CREA-RJ, engenheiro civil Miguel Fernández; o diretor do Clube de Engenharia, engenheiro civil Júlio Vilas Boas; o secretário de comunicação do Senge-RJ, engenheiro eletricista Olímpio Alves dos Santos; a conselheira do CREA-RJ, engenheira eletricista Regina Moniz; e o deputado estadual; professor e geógrafo Josemar Carvalho.
Miguel Fernández destacou a importância do tema para Engenharia.
“Estamos sempre realizando discussões das pautas afirmativas e que transcendem os aspectos técnicos, pois sabemos que a vida possui toda uma pluralidade. A trajetória da Engenharia brasileira e do Rio de Janeiro é muito marcada pela presença de dois irmãos negros: os irmãos Rebouças, que são referências históricas do setor.”
Josemar Carvalho pontuou os principais objetivos para a valorização profissional dos negros.
“A nossa capacidade intelectual e tecnológica já está posta e comprovada. O que nós precisamos agora é que outros negros e negras tenham a capacidade de serem engenheiros, agrônomos, geógrafos, e que possam ter uma formação adequada. Por isso é importante ter cotas na seleção do vestibular, que é o primeiro passo, mas também ter no serviço público e demais espaços da sociedade.”
Após a mesa de abertura, o primeiro painel do Fórum trouxe o tema “Protagonismo Negro: Diversidade que Transforma e Valoriza o Talento Negro na Tecnologia”. Para o debate, subiram ao palco o presidente da Sindágua-RJ, Ary Gabriel de Souza; o assessor de Inclusão Socioambiental do Programa Replantando Vidas na Companhia Estadual de Águas e Esgotos – CEDAE, engenheiro civil Almir Moura Silva; o integrante da Coalizão Negra por Direitos, gestor público Wesley Teixeira; e o deputado estadual, geógrafo e professor Magno Santos.
Wesley Teixeira reforçou o potencial de desenvolvimento das periferias.
“A periferia é uma potência tecnológica. A gente sempre vê a tecnologia como uma coisa quase digital, mas ela não é apenas isso. Temos discutido as tecnologias sociais: como as pessoas desenvolvem e a utilizam para solucionar problemas locais. Então hoje as periferias são produtoras de tecnologias sociais, de ramos econômicos, aplicativos, mas também de tecnologias sustentáveis, e de como você produz tetos verdes e biodigestores.”
No segundo painel, a discussão acerca do tema “Engenharia com Igualdade – Inspirando Líderes Negros do Presente e do Futuro” foi tratada pelo diretor geral do CBH Guandu (RH-II) e coordenador geral do Fórum Fluminense de Comitês de Bacias Hidrográficas – CEDAE, engenheiro florestal Elton Abel; a gerente de ativo de produção responsável pela operação de quatro plataformas de petróleo, engenheira de produção do trabalho Nathalia de Abreu Campos; o engenheiro de produção Rodrigo Gonçalves; e o professor da FAETEC e ex-docente da UVA e Celso Lisboa, engenheiro civil Luiz Fábio Cruz.

Luiz Fábio Cruz alertou sobre formas de lidar com o racismo.
“Nossa autoestima é minada a todo momento, e não podemos contar com a mudança imediata das pessoas. Claro que existe uma conscientização gradual, mas lenta. Então o que a gente tem que tentar fazer é se preparar psicologicamente para lidar com essas questões, e isso nem sempre é fácil.”
O fórum foi finalizado com a discussão acerca do painel “Potências Negras: Experiências, Desafios e Vitórias”, realizado pela geóloga Glória da Silva Cezar e a engenheira de produção química Adriana Vicente Rodrigues.
Durante a programação, foi oficialmente criada a Sociedade de Engenheiros Negros e Indígenas do Estado do Rio de Janeiro (SENI-RJ), entidade que nasce com o propósito de fortalecer a representatividade, promover a equidade e ampliar o protagonismo de profissionais negros e indígenas nas áreas tecnológicas. A SENI tem como primeiro presidente o engenheiro sanitarista e ambiental Milton Neves. A sociedade coloca em evidência o compromisso do CREA-RJ com a equidade racial no setor.