Rachel Loh abre série documental “Mulheres que Inspiram” com uma trajetória de pioneirismo no automobilismo brasileiro
O CREA-RJ lança o primeiro episódio da série documental “Mulheres que Inspiram”, uma produção que apresenta as histórias das vencedoras do concurso promovido pelo Programa Mulher CREA-RJ. A estreia é dedicada à engenheira mecânica Rachel Kuan Zein de Mello Loh, uma profissional que transformou paixão por velocidade em uma carreira marcada pelo pioneirismo, pela inovação e pelo incentivo à participação feminina em um dos ambientes mais desafiadores da Engenharia: o automobilismo. Formada em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Rachel construiu uma trajetória inédita ao se tornar a primeira mulher engenheira a trabalhar na Stock Car, principal categoria do automobilismo brasileiro. Há mais de duas décadas nas pistas, ela atua atualmente como engenheira de competição da equipe A. Mattheis Motorsport, sendo reconhecida nacional e internacionalmente por sua atuação técnica e por sua defesa da diversidade no esporte a motor. No documentário, Rachel relembra o início da carreira, quando ainda na universidade participou do projeto Baja SAE. Na época, tornou-se a primeira mulher a integrar uma equipe da competição estudantil como piloto e, posteriormente, a primeira capitã de equipe, experiências que despertaram sua vocação para o automobilismo e abriram caminho para uma carreira de destaque. A engenheira também compartilha os desafios enfrentados em um setor historicamente masculino, relatando como precisou superar preconceitos e conquistar espaço por meio da competência, da dedicação e da excelência técnica. Sua história mostra que romper barreiras exige perseverança, mas também evidencia como a representatividade pode transformar realidades e inspirar novas gerações de profissionais. Além da atuação nas pistas, Rachel dedica parte significativa de sua carreira ao desenvolvimento de iniciativas voltadas à inclusão feminina no automobilismo. Ela participa de programas internacionais como o FIA Girls on Track, atua em parceria com a comunidade Girls Like Racing, é mentora da SAE Brasil Mulheres e lidera o projeto Acelerando com ELAS, incentivando meninas e mulheres a ingressarem nas áreas de Engenharia e motorsport. Rachel também integra equipes técnicas em grandes eventos internacionais, como o Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo, o Mundial de Endurance (WEC) e a Fórmula E. A produção faz parte da campanha “Mulheres que Inspiram”, criada pelo Programa Mulher CREA-RJ para valorizar profissionais que se destacam nas Engenharias, Agronomia e Geociências e que contribuem para ampliar a participação feminina nessas áreas. Rachel foi uma das cinco vencedoras da edição de 2026 do concurso, escolhida por sua contribuição técnica, pelo pioneirismo e pelo impacto de sua atuação como referência para futuras gerações de engenheiras. Mais do que contar a história de uma engenheira de sucesso, o documentário apresenta uma mensagem de coragem, determinação e transformação. Ao compartilhar sua trajetória, Rachel Loh demonstra que competência não tem gênero e que a Engenharia se fortalece quando reúne diferentes talentos, perspectivas e experiências. O episódio já está disponível no canal oficial do CREA-RJ no YouTube e marca o início de uma série que dará voz às vencedoras do concurso “Mulheres que Inspiram”, revelando histórias capazes de inspirar estudantes, profissionais e toda a sociedade. Confira o vídeo
Modelo brasileiro de dinâmica de carbono no solo avança para validação internacional
A Embrapa está na etapa final de validação do ProCarbon-Soil, primeiro modelo desenvolvido e calibrado especificamente para condições tropicais voltado à mensuração da dinâmica de carbono em sistemas agrícolas. O modelo foi concebido no âmbito do projeto PRO Carbono, cooperação técnica entre a Embrapa Agricultura Digital e a Bayer Crop Science, sob liderança científica do pesquisador Luis Gustavo Barioni. Os resultados foram publicados em maio de 2026 no periódico Soil Science Society of America Journal. Modelos multicompartimentais tradicionais, utilizados internacionalmente para estimar estoques de carbono no solo, fragmentam o carbono em diferentes reservatórios e demandam entre quatro e oito variáveis de estado, além de sete a vinte parâmetros. O ProCarbon-Soil, por sua vez, opera com apenas duas variáveis diretamente mensuráveis, o estoque total de carbono e seu grau de decomposição, o que reduz o risco de sobreparametrização e de ajuste excessivo aos dados utilizados na calibração, segundo os autores do estudo. O modelo foi construído a partir de 4.290 amostras de solo coletadas em todas as regiões do país, reunindo informações publicadas em 370 estudos científicos, com dados combinados da Embrapa e da Bayer. Em simulações de 50 anos, o erro quadrático médio entre as estimativas geradas pelo modelo foi de 1,03 tonelada de carbono por hectare, valor inferior à incerteza típica de medições diretas em talhões de aproximadamente 40 hectares, que chega a 3,8 toneladas de carbono por hectare. O ProCarbon-Soil também demonstrou capacidade de produzir trajetórias de estoque de carbono comparáveis às do modelo internacional Century, referência no setor, com um conjunto de parâmetros consideravelmente reduzido, e de simular com precisão os impactos de práticas de manejo como rotação de culturas, plantio direto e diferentes formas de preparo do solo em variadas condições climáticas. Entre as aplicações previstas para o modelo estão o suporte a projetos de créditos de carbono agrícola e a alimentação do Inventário Nacional de Emissões, com potencial de subsidiar a formulação de políticas públicas relacionadas ao setor. Sua estrutura é compatível com técnicas de assimilação de dados e de aprendizagem de máquina, o que permite alimentação a partir de dados de satélite e correção contínua de desvios conforme novas medições são incorporadas. A etapa atual do projeto envolve a elaboração de um relatório de validação de modelo, a ser submetido à Verra, maior certificadora de créditos de carbono do mundo, com o objetivo de viabilizar o uso do ProCarbon-Soil no mercado voluntário de carbono. Segundo Barioni, a credibilidade do modelo tende a crescer proporcionalmente à sua adoção pelo setor produtivo. O modelo já foi apresentado em eventos internacionais e nacionais voltados ao tema, incluindo o re.gen.nect, realizado em Chicago, e o LAC Soil Carbon 2025, realizado no Museu do Amanhã, evento que reuniu 358 participantes de 22 países para debater o mercado de carbono na América Latina e no Caribe. Fonte: Portal Embrapa