* Fontes: Nippon.com e The Times (UK)
No último dia 25 de março, a West Japan Railway Company (JR West) inaugurou uma nova estação ferroviária em Hatsushima, na cidade de Arida, província de Wakayama, Japão, construída inteiramente com componentes impressos em 3D. O projeto é pioneiro e representa a primeira estação ferroviária do mundo edificada com essa tecnologia.
A nova estrutura substituiu o antigo edifício de madeira de 75 anos que servia à estação. Com aproximadamente 10 metros quadrados de área e 2,6 metros de altura, a construção foi projetada para ser compacta e funcional. As paredes externas apresentam relevos decorativos de uma tangerina e um peixe-espada, homenageando as especialidades locais de Arida.

Os componentes da estação foram produzidos pela empresa Serendix, especializada em construções rápidas utilizando impressão 3D. As peças foram impressas em outro local, transportadas por caminhão até Hatsushima e montadas no local em apenas seis horas, uma redução significativa em comparação aos mais de dois meses que normalmente seriam necessários para construções tradicionais de tamanho similar.
A estrutura é composta por quatro partes principais, incluindo o teto e as paredes, todas fabricadas com moldes de argamassa impressos em 3D. Após a impressão, as peças receberam reforço de aço e foram preenchidas com concreto, garantindo resistência sísmica comparável à de casas de concreto armado.

Este projeto surge em um momento em que muitas estações rurais no Japão enfrentam declínio no número de passageiros e restrições orçamentárias, resultando em estruturas envelhecidas e em estado de deterioração. A adoção da tecnologia de impressão 3D pela empresa japonesa visa a oferecer uma solução eficiente e econômica para a modernização dessas infraestruturas. Além disso, a rapidez na construção minimiza interrupções nas operações ferroviárias e reduz a necessidade de mão de obra intensiva, um fator fundamental diante do envelhecimento da população japonesa e da consequente diminuição da força de trabalho.
Embora a nova estação de Hatsushima não disponha de assentos internos, a previsão é que seja equipada com máquinas de bilhetes e outras comodidades antes de sua abertura oficial ao público, em julho. A empresa considera este projeto um modelo para futuras renovações de estações rurais, explorando o potencial da impressão 3D para transformar a infraestrutura ferroviária de maneira economicamente viável e adaptada às necessidades contemporâneas.
Construções 3D no Brasil
A tecnologia de impressão 3D tem ganhado destaque na construção civil brasileira, oferecendo soluções inovadoras que prometem reduzir custos e aumentar a eficiência nos processos construtivos. Diversas iniciativas no país demonstram o potencial dessa tecnologia para transformar o setor.
Em Natal, em 2020, foi construída a primeira casa com impressão 3D do país. O projeto, com cerca de 66 m², foi realizado com tecnologia nacional e serviu como prova de conceito de que é possível erguer moradias seguras e resistentes com um custo reduzido e em tempo significativamente menor do que o da construção convencional. A estrutura foi executada com precisão por uma impressora que depositou camadas de argamassa seguindo um modelo digital.
No Sul do país, outra iniciativa destacou-se ao erguer uma casa com cerca de 20 toneladas de concreto, utilizando um sistema automatizado de impressão que dispensa formas tradicionais. O método consiste em aplicar o concreto camada por camada, diretamente no formato da estrutura desejada. O processo resultou em economia de materiais, redução de resíduos e maior rapidez na execução da obra.
Além das moradias, há projetos voltados para aplicações específicas, como paredes estruturais e elementos arquitetônicos personalizados. A tecnologia permite designs inovadores e adaptáveis, com grande precisão e variedade de formas, abrindo caminho para novas possibilidades para as obras.
Universidades e centros de pesquisa também têm investigado o uso de impressão 3D na construção civil, com foco em desenvolver materiais mais sustentáveis e adequados à realidade brasileira. Um dos estudos recentes demonstrou a viabilidade de um concreto com menor impacto ambiental, que pode ser impresso com qualidade e resistência semelhantes às dos materiais tradicionais.
Embora ainda enfrente obstáculos normativos e logísticos, a construção 3D no Brasil já é uma realidade promissora. Com o avanço das pesquisas e a ampliação das aplicações práticas, a tecnologia tem potencial para se consolidar como uma alternativa viável para atender à demanda por habitação e infraestrutura de forma mais eficiente e ambientalmente responsável.
Fontes: Gazeta do Povo, Sebrae, InfoMoney