O CONFEA apresenta, no âmbito do Infra-BR, um conjunto de nove indicadores voltados à avaliação da adaptação climática e da cobertura vegetal, inseridos na dimensão de meio ambiente e resiliência. A análise estrutura-se a partir de dois eixos complementares, que articulam a capacidade de resposta a eventos extremos com a preservação e o uso estratégico de ativos naturais no território.
No componente de adaptação e resiliência climática, o levantamento contempla o Índice de Capacidade Adaptativa, a segurança em barragens, a redução de emissões brutas de gases de efeito estufa, a resiliência hídrica com inclusão de áreas úmidas e o percentual de municípios com planejamento de drenagem e manejo de águas pluviais. Esses indicadores permitem aferir tanto a preparação institucional quanto a solidez das infraestruturas diante de eventos climáticos adversos.
Já no eixo de cobertura vegetal e conservação, são considerados indicadores relacionados às áreas verdes urbanas, à taxa de degradação, ao grau de impermeabilização do solo e à presença de infraestrutura verde hídrica, como wetlands e manguezais. A abordagem evidencia a função desses elementos na regulação climática, na mitigação de enchentes e na redução de ilhas de calor, especialmente em ambientes urbanos densamente ocupados.
A metodologia adotada pelo Infra-BR enfatiza a integração entre infraestrutura tradicional e soluções baseadas na natureza, destacando o papel de ecossistemas naturais na proteção de populações e ativos urbanos. Nesse contexto, a impermeabilização do solo e a ausência de planejamento de drenagem são apontadas como fatores que ampliam riscos hidrológicos e impactos à saúde pública.
O levantamento também reforça a necessidade de orientar o planejamento de infraestrutura a partir de cenários climáticos futuros, superando abordagens baseadas exclusivamente em dados históricos. Como referência, o estudo indica que investimentos em resiliência podem gerar economias significativas em custos associados a desastres, ampliando a eficiência do gasto público.
Por outro lado, as informações apontam limitações relacionadas à disponibilidade e padronização de dados, especialmente em temas como monitoramento de encostas, infraestrutura costeira e impactos da elevação do nível do mar. A heterogeneidade dos biomas brasileiros e a necessidade de integração entre variáveis climáticas e territoriais também são destacadas como desafios para o aprimoramento das análises.