
No Brasil, o Dia Nacional do Rádio é celebrado em 25 de setembro, data que homenageia o nascimento de Edgar Roquette-Pinto (1884–1954), considerado o pai da radiodifusão brasileira. A escolha foi oficializada pela Lei nº 15.101, de 13 de janeiro de 2025, sancionada sem vetos e publicada no Diário Oficial da União em 14 de janeiro do mesmo ano.
O rádio chegou oficialmente ao Brasil em 7 de setembro de 1922, durante as comemorações do Centenário da Independência. A transmissão da fala do presidente Epitácio Pessoa e da ópera O Guarani de Carlos Gomes foi realizada com equipamentos trazidos pela empresa norte-americana Westinghouse e marcou o nascimento do meio no país. Na época, poucas pessoas tinham receptores, e muitos acompanharam as transmissões em clubes ou espaços públicos.
Pouco depois, em 1923, foi fundada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, por iniciativa de Edgar Roquette-Pinto e Henrique Morize. A emissora tinha caráter educativo e cultural, sem fins comerciais, e transmitia palestras científicas, aulas de literatura e música erudita. Roquette-Pinto acreditava que o rádio poderia ser “a escola dos que não têm escola”, utilizando-o como ferramenta de transformação social. Apesar do entusiasmo, o acesso era restrito, já que os aparelhos eram caros e o alcance das transmissões limitado.
A década de 1930 marcou a grande transformação do rádio. Com o decreto do governo de Getúlio Vargas em 1932, autorizando a propaganda comercial, o rádio passou a se financiar com publicidade e se tornou mais acessível. O veículo deixou de ser restrito à elite e passou a atingir um público muito maior, consolidando-se como meio de entretenimento popular. Surgiram as radionovelas, programas de auditório, humorísticos e musicais, impulsionando a carreira de artistas como Carmen Miranda, Francisco Alves e Ary Barroso.
Além do aspecto cultural, o rádio tornou-se ferramenta política estratégica. Durante o governo Vargas, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) controlava e orientava as mensagens transmitidas, e programas como os discursos presidenciais alcançavam diretamente a população, fortalecendo a imagem do presidente.
Entre as décadas de 1930 e 1950, o rádio viveu a chamada Era de Ouro, consolidando-se como o principal meio de comunicação e entretenimento do país. A programação se diversificou, incluindo novelas, programas de auditório, música popular e erudita, humor e esportes. O rádio tornou-se presença constante na vida dos brasileiros, tanto nas grandes cidades quanto em regiões mais remotas, sendo responsável por difundir cultura, gêneros musicais nacionais e o sentimento de identidade nacional. Essa fase também foi marcada pelo surgimento de grandes ídolos da música e do teatro radiofônico, que atingiram projeção nacional graças ao alcance do veículo.
O rádio brasileiro evoluiu de um instrumento educativo e elitizado para um meio de comunicação de massa, culturalmente relevante, comercialmente viável e politicamente estratégico, estabelecendo as bases para sua importância duradoura na sociedade brasileira. Mesmo com o surgimento da televisão e o avanço das mídias digitais, o rádio continua sendo um canal acessível, confiável e de grande alcance. Pesquisa da Kantar IBOPE Media aponta que o rádio alcança cerca de 83% da população brasileira. Além disso, a expansão do rádio digital e o crescimento dos podcasts demonstram sua capacidade de adaptação e renovação frente às novas tecnologias e formatos de consumo.
Roquette-Pinto
Nascido em 25 de setembro de 1884, no Rio de Janeiro, Edgar Roquette-Pinto formou-se em Medicina, mas destacou-se principalmente como antropólogo, educador e comunicador. Participou da Missão Rondon, em 1912, que percorreu regiões do interior do Brasil. Dessa experiência nasceu sua obra mais conhecida, Rondônia (1916), um estudo pioneiro sobre os povos indígenas e a realidade amazônica.
Entre 1926 e 1935, foi diretor do Museu Nacional, onde modernizou a instituição, estimulou pesquisas científicas e defendeu a preservação da memória e da cultura brasileiras. Em 1927, ingressou na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 17, e reforçou sua produção intelectual com ensaios e estudos que transitavam entre ciência, cultura e educação.
Visionário, acreditava que a ciência e a educação deveriam ser acessíveis a todos. Foi responsável por introduzir o cinema educativo no país e deixou um legado de obras importantes, como Rondônia (1916), registro pioneiro sobre a vida indígena. Faleceu em 18 de outubro de 1954, sendo lembrado como um dos grandes intelectuais brasileiros e símbolo do compromisso entre ciência, cultura e educação.