
O Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, destaca a relevância desse bioma, que ocupa cerca de 22% a 25% do território brasileiro e abriga extensas reservas de água doce em seu subsolo. É o segundo maior bioma do Brasil e da América do Sul, conhecido como a savana brasileira, e apresenta uma biodiversidade notável, com 12.829 espécies de plantas catalogadas (The Brazil Flora Group, 2021) e 837 espécies de aves registradas (Ministério do Meio Ambiente).
O Cerrado é frequentemente chamado tanto de “berço das águas” quanto de “caixa d’água do Brasil”. O primeiro termo destaca que o bioma é a origem de importantes rios brasileiros, como o São Francisco e o Tocantins, funcionando como local de nascentes que abastecem diversas regiões do país. O segundo termo ressalta sua capacidade de reter água da chuva e recarregar aquíferos estratégicos, graças às raízes profundas que armazenam água no solo, garantindo o equilíbrio hídrico nacional.
Entre os principais aquíferos associados ao Cerrado estão:
- Aquífero Urucuia: situado predominantemente no Cerrado, em estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí, com papel importante na recarga hídrica regional (ANA/SNIRH).
- Aquífero Bambuí: localizado na Bacia do São Francisco, com ocorrência em partes de Goiás, Tocantins, Minas Gerais e Bahia, abrangendo áreas de Cerrado e de transição com a Caatinga (ANA/SNIRH).
- Aquífero Guarani: uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, distribuída por Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina; no território brasileiro, abrange áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, coincidindo parcialmente com o Cerrado (ANA).
O Cerrado compreende as nascentes de grandes rios que abastecem diferentes regiões do país. Estão nele cerca de 90% das nascentes do Rio São Francisco, além de trechos significativos das bacias do Tocantins-Araguaia, Paraná, Paraguai e de afluentes da Amazônia — motivo pelo qual o bioma é estratégico para o abastecimento de água e para a geração de energia hidrelétrica.
Apesar de sua importância, o Cerrado enfrenta diversas ameaças: desmatamento, expansão agrícola, pecuária extensiva, mineração e construção de barragens, o que compromete florestas, cerrados e nascentes. Essas atividades degradam o solo, reduzem a biodiversidade e prejudicam a recarga dos aquíferos, afetando rios e comunidades. Apenas cerca de 8,2% do bioma está protegido por unidades de conservação.
Programas e Políticas Públicas para o Cerrado:
- Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado) – Em sua 4ª fase (2023–2027), coordenado pelo Governo Federal, o PPCerrado visa conter desmatamento e queimadas, promover conservação ambiental e apoiar o ordenamento territorial (MMA).
- Lei nº 15.089/2025 – Política Nacional para o Manejo Sustentável de Produtos Nativos do Cerrado – Sancionada em janeiro de 2025, esta lei estabelece diretrizes para o uso sustentável de produtos como o pequi, proibindo derrubada indiscriminada de pequizeiros e incentivando a recuperação de áreas degradadas, além de fortalecer comunidades tradicionais (Câmara dos Deputados, Senado, AMDA).
- Programa Cerrado Sustentável – Iniciativa apoiada pelo Ministério do Meio Ambiente e por organizações da sociedade civil, busca integrar proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e valorização de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (MMA, ISPN).
- Programa Povos do Cerrado – Coordenado por instituições como o Instituto Cerrados e o ISPN, visa fortalecer organizações de povos e comunidades tradicionais do Cerrado, garantir direitos territoriais, promover autonomia e incentivar práticas sustentáveis de manejo dos recursos naturais (Instituto Cerrados, ISPN).
- Campanha Nacional em Defesa do Cerrado – Coalizão formada por mais de 50 organizações da sociedade civil, atua na mobilização social, advocacy e sensibilização sobre a preservação do bioma e valorização das culturas dos povos e comunidades tradicionais (Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, CESE).