Presidente do CREA-RJ: ‘Nosso estado tem uma Agronomia pujante’

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), engenheiro Miguel Fernández, vai participar nesta quinta-feira, dia 11, da abertura do 10º Congresso de Agronomia do estado, no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), em Campos dos Goytacazes, a cerca de 280 quilômetros do Rio de Janeiro. Fernández estará na mesa, ao lado de autoridades como o presidente da Associação de Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ), Leonardo Lopes; o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho; o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do estado, Flávio Campos Ferreira; e o presidente da Federação de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, Rodolfo Tavares. “O CREA não é só Engenharia. É Agronomia também. Nosso estado tem uma Agronomia pujante. O congresso vai reunir os maiores profissionais de todo o país, debatendo os temas mais atuais da Agronomia”, afirmou o presidente do CREA-RJ, um dos patrocinadores do evento que vai reunir cerca de 300 profissionais, de 11 a 13 de setembro. O CREA-RJ tem registrados cerca de cinco mil engenheiros agrônomos. O subsecretário de Agricultura do Estado do Rio, engenheiro agrônomo Felipe Brasil, destaca a importância do congresso para discutir o papel do engenheiro agrônomo e as mudanças climáticas. “O congresso terá um papel importantíssimo na formação dos estudantes de Agronomia e dos engenheiros agrônomos. O tema central será a questão das mudanças climáticas, em relação aos desafios que vamos enfrentar, mas também em relação à adequação ambiental, rural, as questões que envolvem o licenciamento agropecuário, a crise hídrica”, afirmou Felipe Brasil, lembrando que, ao final, o encontro vai tornar pública a Carta da Agronomia do Estado do Rio com as principais propostas dos agrônomos fluminenses a serem levadas para o congresso brasileiro de Agronomia que vai acontecer em outubro, em Maceió (AL). Segundo o engenheiro agrônomo e presidente da AEARJ, Leonardo Lopes, o encontro será um dos maiores já feitos pela associação e tem como missão fortalecer a identidade da profissão, incentivar o intercâmbio de conhecimento e fomentar a atuação estratégica do engenheiro agrônomo em áreas como segurança alimentar, produção sustentável e políticas públicas para o meio rural. “Estamos vivendo um momento decisivo para a Agronomia, em que as pressões ambientais e sociais exigem respostas mais integradas e baseadas em ciência. O congresso é o espaço ideal para reunir profissionais e estudantes com o propósito de pensar o futuro da profissão e sua contribuição para o desenvolvimento do país”, afirma o presidente da AEARJ. Para Lopes, embora tenha apenas três faculdades no Rio, a Agronomia conta com mais vantagem do que a Engenharia civil, que passa por uma das piores crises de ensino jamais vista. “Há muito menos desistência dos estudantes de Agronomia. Nosso papel é o de ajudar os profissionais a levarem a tecnologia para o campo”, afirma o presidente da AEARJ, formado em Engenharia agrônoma há 25 anos pela Universidade Federal Rural do Rio. As outras escolas de nível superior são a Universidade Estadual do Norte Fluminense e o Instituto Federal em Pinheiral. Um dos maiores desafios à produção agrícola em todo o mundo é a questão das mudanças climáticas que será tema de um dos primeiros painéis a serem realizados no congresso. Intitulado “Mudanças climáticas – Segurança hídrica para populações, rebanhos e plantações”, o painel terá como moderador o meteorologista Anselmo de Souza Pontes, que é conselheiro do CREA-RJ, representando a Sociedade Brasileira de Meteorologia. O presidente da AEARJ, Leonardo Lopes, observa que o tema é muito importante, mas adianta que “para o engenheiro agrônomo não faz diferença se as mudanças climáticas são naturais ou causadas pelo homem”. “O que importa é que as mudanças climáticas estão acontecendo em todo o mundo e precisamos de estratégias para enfrentar o problema”, diz Lopes. O engenheiro agrônomo José Leonel Cortez Rocha Diniz – conselheiro do CREA-RJ há cinco anos – destaca a importância da Agronomia para a economia fluminense (representa cerca de 4% do PIB do estado), lembrando que o Estado do Rio de Janeiro é o único do país cuja Constituição estadual restringe aos engenheiros agrônomos a função de receitar agrotóxicos na produção agrícola. “Com esse controle do uso de agrotóxicos e a produção de valores agregados à agricultura, como cafés gourmet e doces caseiros, temos uma agricultura chique que faz toda a diferença”, assinala Rocha. O engenheiro agrônomo lembra também que o Estado do Rio tem uma vocação grande para o reflorestamento e para preservação de áreas verdes (“nossa Mata Atlântica é a que mais cresce no país”), contribuindo para a geração de empregos para engenheiros agrônomos. “No Estado do Rio, o engenheiro agrônomo não tem problema de desemprego”, afirma Rocha, que trabalha na Emater Rio, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio. Formado em Engenharia agrônoma pela Universidade Federal Rural do Rio desde 1979, Leonel Rocha defende a criação de um sistema de informações no modelo de aplicativos de transporte que permita o acesso de produtores agrícolas à oferta de trabalho de engenheiros agrônomos que ofereçam assistência técnica. “Apoio a criação de cooperativas que permitam que um mesmo agrônomo preste assistência a vários produtores”, afirma Leonel, bastante empolgado com os temas a serem discutidos no 10º Congresso de Agronomia.
Dia Nacional do Cerrado

O Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, destaca a relevância desse bioma, que ocupa cerca de 22% a 25% do território brasileiro e abriga extensas reservas de água doce em seu subsolo. É o segundo maior bioma do Brasil e da América do Sul, conhecido como a savana brasileira, e apresenta uma biodiversidade notável, com 12.829 espécies de plantas catalogadas (The Brazil Flora Group, 2021) e 837 espécies de aves registradas (Ministério do Meio Ambiente). O Cerrado é frequentemente chamado tanto de “berço das águas” quanto de “caixa d’água do Brasil”. O primeiro termo destaca que o bioma é a origem de importantes rios brasileiros, como o São Francisco e o Tocantins, funcionando como local de nascentes que abastecem diversas regiões do país. O segundo termo ressalta sua capacidade de reter água da chuva e recarregar aquíferos estratégicos, graças às raízes profundas que armazenam água no solo, garantindo o equilíbrio hídrico nacional. Entre os principais aquíferos associados ao Cerrado estão: O Cerrado compreende as nascentes de grandes rios que abastecem diferentes regiões do país. Estão nele cerca de 90% das nascentes do Rio São Francisco, além de trechos significativos das bacias do Tocantins-Araguaia, Paraná, Paraguai e de afluentes da Amazônia — motivo pelo qual o bioma é estratégico para o abastecimento de água e para a geração de energia hidrelétrica. Apesar de sua importância, o Cerrado enfrenta diversas ameaças: desmatamento, expansão agrícola, pecuária extensiva, mineração e construção de barragens, o que compromete florestas, cerrados e nascentes. Essas atividades degradam o solo, reduzem a biodiversidade e prejudicam a recarga dos aquíferos, afetando rios e comunidades. Apenas cerca de 8,2% do bioma está protegido por unidades de conservação. Programas e Políticas Públicas para o Cerrado: