Arqueólogos da Universidade de Macquire, na Austrália, encontraram com cavernas que guardavam segredos escondidos no deserto: as paredes dessas cavernas estavam repletas de artes rupestres que continham informações importantes sobre o estilo de vida dos povos da região, abrindo caminho para entendermos como era a dinâmica dessas pessoas antes de migrarem em busca de recursos, sobretudo água. Segundo os pesquisadores, as imagens indicam que em meio à áridez do deserto de Atbai, no Sudão, que faz parte do vasto Deserto do Saara, a região já foi um oásis de vida, habitado por pastores de gado e detentor de uma rica fauna africana.
Ao todo, foram encontrados 16 novos locais de arte rupestre datados de aproximadamente 4 mil anos atrás. O que mais surpreendeu os pesquisadores foi a presença frequente de gado nas pinturas, mostrando que esse tipo de animal fazia parte da vida dos moradores da região. Tal descoberta pode parecer, num primeiro momento, estranha, pois é difícil imaginar a presença de gado num lugar inóspito, ainda mais para um animal que precisa de água e comida em abundância.
Contudo, conforme a análise dos pesquisadores indicou, o Deserto de Atbai foi uma savana pulsante, abundante em piscinas, rios e poços de água. Era um verdadeiro paraíso para os animais, incluindo o gado, que desempenhava um papel central no dia a dia das comunidades locais.
Para compreender isso é preciso voltar um pouco no tempo, mais precisamente por volta de 15 mil anos atrás, quando a África estava passando por um período de chuvas intensas devido a variações na órbita da Terra. Esse momento é chamado pelos especialistas de “Saara verde” ou “período úmido africano”, e marca uma época em que o deserto se transformou em um paraíso verdejante.
O achado reforça a hipótese do “esverdeamento” do Saara, um período que ocorreu entre 5 mil e 11 mil anos atrás, quando mudanças na órbita terrestre intensificaram as monções africanas e trouxeram um clima mais úmido à região, transformando o deserto em um ambiente favorável à vida. Segundo cientistas, essa fase de clima úmido estava diretamente ligada ao aumento da radiação solar durante o verão boreal, provocando o florescimento de florestas e lagos que sustentaram diversas espécies e comunidades humanas.
Mais sobre o Saara:
- Área: cerca de 9,2 milhões de km², é o maior deserto quente do mundo, abrangendo partes de 11 países africanos.
- Clima: com temperaturas que podem ultrapassar 50°C, o Saara é conhecido por seu clima árido, com precipitação média anual inferior a 25 mm em muitas áreas.
- Ciclos de esverdeamento: o Saara passa por ciclos naturais de umidade e aridez com periodicidade aproximada de 21 mil anos, causados por variações na órbita terrestre que afetam as monções africanas.
- Impacto climático: o “esverdeamento” do Saara influencia sistemas atmosféricos de grande escala, podendo alterar padrões de chuva na Europa, Ásia e América do Norte.
- Desertificação atual: desde 1920, o deserto aumentou cerca de 10% em área, devido principalmente às mudanças climáticas antropogênicas e à atividade humana.
- Eventos extremos recentes: chuvas excepcionais em agosto de 2024 trouxeram mais de 100 mm em regiões do Saara, enquanto a média anual é de cerca de 76 mm — um fenômeno raro que chamou atenção mundial.
Fonte: Mega Curioso