Trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo tem previsão de operação para 2032

Foi anunciada recentemente a retomada de um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos do país: a construção de uma linha de trem de alta velocidade (TAV) ligando as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. A proposta prevê uma viagem de aproximadamente 105 minutos entre os dois maiores centros urbanos do Brasil, por um valor estimado de R$ 500 por trecho. Com 417 quilômetros de extensão, o trajeto deverá incluir paradas intermediárias em Volta Redonda (RJ) e São José dos Campos (SP), e os trens poderão alcançar até 320 km/h de velocidade. O projeto terá um investimento estimado em R$ 60 bilhões e já conta com autorização federal válida por 99 anos, dentro do novo marco legal das ferrovias, que permite a execução mediante autorização e sem necessidade de licitação. De acordo com o cronograma preliminar, os estudos de viabilidade técnico-econômico-ambiental (EVTEA) devem ser concluídos até o fim de 2026, com início das obras previsto para 2027. A operação comercial está estimada para começar em 2032. A implantação do TAV entre Rio e São Paulo tem potencial para promover uma transformação profunda na logística de transporte e na mobilidade entre as duas capitais, reduzindo consideravelmente o tempo de deslocamento e oferecendo uma alternativa sustentável frente ao transporte rodoviário e aéreo. O modal é apontado como uma solução de baixa emissão de carbono, além de contribuir para o desafogamento de rodovias e aeroportos congestionados. Estudos preliminares estimam que a construção do trem-bala pode gerar um impacto significativo na economia brasileira, com um acréscimo de R$ 168 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2055, criação de cerca de 130 mil empregos diretos e indiretos e arrecadação de aproximadamente R$ 46 bilhões em tributos ao longo do mesmo período. Outro aspecto relevante do projeto está associado à exploração do potencial imobiliário nos arredores das estações, com previsão de arrecadação de R$ 27,3 bilhões por meio de empreendimentos como centros comerciais, hotéis e escritórios. A iniciativa busca inspiração em exemplos internacionais, como o da Coreia do Sul, onde a instalação de uma estação de trem-bala entre as cidades de Cheonan e Asan impulsionou o desenvolvimento de uma nova cidade com mais de 600 mil habitantes. Há também negociações em andamento com empresas internacionais dos setores ferroviário e de infraestrutura, com destaque para grupos da China, Espanha e países árabes, com interesse em participar da construção e da operação da linha. A China, por exemplo, opera atualmente cerca de 40 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade e detém um dos modelos mais avançados do mundo nesse tipo de transporte. O projeto do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo é discutido desde 2007, mas só recentemente ganhou viabilidade jurídica e técnica com a entrada em vigor de um novo marco regulatório para o setor ferroviário. A expectativa é de que, além de encurtar distâncias, a linha impulsione a integração regional e contribua para o desenvolvimento econômico de municípios situados ao longo do traçado, como Volta Redonda e São José dos Campos, que poderão se consolidar como polos estratégicos de inovação e logística. Para o Crea-RJ, trata-se de uma iniciativa que envolve engenharia de alta complexidade e múltiplas especialidades, incluindo infraestrutura ferroviária, planejamento urbano, engenharia ambiental, transportes e tecnologia. O Conselho entende que a participação ativa da engenharia nacional, com foco em sustentabilidade, segurança e eficiência, será fundamental para garantir a qualidade da execução e a maximização dos benefícios sociais e econômicos do projeto.

Dia Internacional das Mulheres na Engenharia

Instituído em 2014 pela Women’s Engineering Society (WES) do Reino Unido, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia é comemorado anualmente em 23 de junho. A data tem como objetivo fortalecer o espaço que as engenheiras seguem ganhando na profissão, antes majoritariamente ocupada por homens. O símbolo da Engenharia é a deusa Minerva, a versão romana da deusa grega Atenas, com uma engrenagem ao seu redor. Essa engrenagem simboliza o bom funcionamento das peças  internas, o seu constante movimento e evolução. A Minerva, conhecida como a deusa da sabedoria e da estratégia, representa tais virtudes que são aprimoradas por essa profissão. Porém, apesar da representação oficial ser com a figura feminina da deusa, durante a história do avanço das Engenharias, as mulheres não foram as protagonistas.  No Brasil, de acordo com os dados presentes no relatório “Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, elas representavam 22% das engenheiras formadas, uma queda em relação a 2012, quando eram 24,4%. Embora sejam maioria no acesso ao nível superior de ensino, sendo de 21,3% contra 16,8% dos homens, ainda enfrentam barreiras nos cursos das áreas de CTEM (Ciências, Tecnologias, Engenharias, Matemática), o que carrega o estigma social do gênero, como o pensamento  de que as mulheres não são racionais, mas dotada de emoções e que não correspondem às exatas. Assim, no evento deste ano promovido pelo Programa Mulher para o Dia Internacional da Mulher, chamado de “Da Luta à Liberdade: Celebrando a Evolução dos Direitos e a Autenticidade Feminina”, o presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández y Fernández, afirmou: “É fundamental que a gente traga esse tema para dentro do setor das engenharias, que é uma profissão tradicionalmente com um número muito menor de mulheres participando, mas que vem ao longo dos últimos anos crescendo significativamente. Isso se dá pelos programas e projetos que buscam trazer essa igualdade. Hoje as mulheres dentro do setor já compõem 20% dos profissionais, mas para que haja igualdade tem que chegar à metade. Tem que ser meio a meio. Então, parabéns a vocês, mulheres profissionais das Engenharias, da Agronomia e das Geociências. Celebrem bastante e sirvam de referência para as novas profissionais cada vez mais para que a gente possa alcançar a igualdade no nosso Sistema” Landijara Duarte, gerente de relações institucionais e programas estratégicos do CREA-RJ também participou da celebração. “Hoje nós somos 20% mas nós estamos trabalhando não só para ser um número, mas acima de tudo um número considerado e respeitado dentro das suas particularidades. Como gerente dos programas institucionais a gente está aqui para fazer com que esses programas, tanto o Crea Júnior, quanto o Progredir, o ESG e o Programa Mulher possam estar conversando entre si e trazendo para dentro do CREA a realidade unilateral. A gente conversando com a sociedade de forma que ela compreenda a importância de cada um desses programas trazendo de retorno para sociedade a importância de cada um”, diz Duarte.  O Programa Mulher, instituído no Confea desde 2019 e atuante nos 27 conselhos regionais, incluindo o Crea-RJ, tem por objetivo promover a igualdade de oportunidades e garantir que as mulheres sejam valorizadas e reconhecidas em suas carreiras nas diversas modalidades, como a Engenharia e as demais profissões ligadas ao Sistema Confea/Crea.  Pioneiras na engenharia no Brasil: Outras Engenheiras que fizeram história ao redor do mundo: Confira o vídeo!

MEC proíbe cursos de Engenharia 100% a distância e define novo marco regulatório para o EAD

O Ministério da Educação (MEC) oficializou a proibição da oferta de cursos de graduação em Engenharia na modalidade 100% a distância. A medida integra o novo marco regulatório da Educação a Distância (EAD), estabelecido pelo Decreto nº 12.456, publicado em 19 de maio de 2025. O texto reconhece a necessidade de formação prática e presencial em áreas técnicas e exatas, como a Engenharia, e estabelece diretrizes mais rígidas para o credenciamento e funcionamento de cursos superiores a distância no país. O novo marco classifica os cursos em três formatos: presencial (mínimo de 70% da carga horária com atividades físicas em instituições de ensino), semipresencial (com ao menos 30% de carga presencial e 20% de atividades presenciais ou síncronas mediadas por tecnologia), e EAD (com no máximo 29,9% de presencialidade, sendo obrigatórios pelo menos 10% de atividades físicas e 10% síncronas mediadas). Para os cursos vinculados ao Sistema Confea/Crea, o formato autorizado será o semipresencial, desde que contemple, no mínimo, 40% de carga horária presencial. A mudança foi precedida por uma suspensão temporária do credenciamento de novos cursos EAD, anunciada pelo MEC ainda em 2023, como forma de conter o crescimento desregulado da modalidade. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) indicavam um aumento de mais de 2.000% na oferta de cursos de Engenharia a distância em dez anos — número que acendeu um alerta sobre a qualidade da formação e os riscos ao exercício profissional. Desde então, o Confea tem atuado em diálogo com o MEC, defendendo a necessidade de manter práticas laboratoriais, aulas de campo e interação entre docentes e discentes como pilares essenciais para a formação de engenheiros e engenheiras com responsabilidade técnica e competência para atuar em projetos complexos e de impacto social. Com a publicação da Portaria MEC nº 381/2025, as instituições de ensino terão um prazo de até dois anos para se adequar às novas diretrizes. Os cursos que não atenderem às exigências mínimas de presencialidade serão gradualmente extintos — embora os alunos já matriculados possam concluir suas formações.

Mútua lança convênio para capacitação profissional

O CREA-RJ sediará o lançamento do Convênio Nacional entre a Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais dos Creas e a Deskgraphics, empresa que atua há mais de 30 anos como provedora de soluções nas áreas de Engenharia, construção e infraestrutura.  Esse convênio  visa a facilitar a adesão a soluções Autodesk e acesso à capacitação em BIM pela plataforma Deskhub, no âmbito do benefício Equipa BIM, voltado ao financiamento de tecnologias e softwares.  A iniciativa tem como objetivo facilitar o acesso dos profissionais do Sistema Confea/Crea e Mútua às tecnologias BIM, preparando-os para as demandas crescentes dos setores público e privado. O evento acontecerá no próximo dia 3 de julho, das 18h30 às 20:30h, na Plenária do CREA-RJ (Rua Buenos Aires, 40/ 4º andar) O evento será presencial, mas também contará com transmissão ao vivo online pelo canal WebTV CREA-RJ no YouTube: www.youtube.com/webtvcrearj/live As vagas são limitadas! Inscreva-se: https://forms.gle/gRpiyZ6kuZeAoYVB8 * Condições especiais, por tempo limitado, serão oferecidas para mutualistas. Confira a programação: 18h30 – Credenciamento e Coffee Break 19h – Abertura e lançamento do convênio Miguel Fernández – Presidente do CREA-RJ Evânio Nicoletti – Diretor Executivo de Benefícios da Mútua Ana Paula Masiero – Diretora Regional da Mútua Ronaldo Chaves – Consultor Deskgraphics 19h30 – BIM na Prática (apresentações sobre a tecnologia) Marcelo Narciso – Programa de Implementação BIM Marcos Prieto – Metodologia de Implementação BIM Sergio Lizarralde – Soluções Autodesk Felipe Mantuan – Plataforma Deskhub

Plataforma identifica áreas estratégicas para a restauração da vegetação nativa no Brasil

A plataforma Ciera, desenvolvida com apoio de inteligência artificial e alta capacidade de processamento, está identificando áreas prioritárias para a restauração de vegetação nativa em todo o Brasil, com ênfase especial em territórios que combinam elevado potencial de recuperação e uma contribuição estratégica para os serviços ecossistêmicos. Lançada em abril de 2025, a ferramenta foi apresentada oficialmente pela Agência Brasil como um importante avanço para a recuperação florestal. Utilizando algoritmos avançados que cruzam dados de cobertura vegetal, solos, clima e uso da terra, a plataforma estabelece um ranking de áreas de maior impacto ambiental por meio da restauração. Essa seleção considera critérios como continuidade ecológica, conectividade entre remanescentes naturais, capacidade de sequestro de carbono e relevância para a manutenção da biodiversidade, bem como sua importância para a regulação hídrica. A aplicação prática já está sendo analisada por órgãos públicos e entidades do setor ambiental, que poderão utilizá-la para orientar decisões de investimento, priorização de políticas públicas e definição de áreas prioritárias para restauração em diferentes biomas brasileiros. Em um contexto de aumento nas taxas de perda de florestas primárias nos trópicos, especialmente na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, a plataforma se apresenta como uma ferramenta decisiva para ampliar a eficácia e eficiência das ações de restauração. O uso de inteligência artificial no mapeamento das áreas sensíveis fortalece as ações voltadas à sustentabilidade ambiental e colabora para o cumprimento de compromissos nacionais e internacionais, como o Desafio de Bonn. Esse programa global visa arestabelecer centenas de milhões de hectares de paisagens degradadas até 2030 — uma meta à qual o Brasil aderiu em 2016, estabelecendo o compromisso de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação até 2030 . Até o momento, embora o progresso seja limitado, a perspectiva tem sido aumentar a escalabilidade dos esforços por meio de ferramentas como a Ciera. Para o Crea‑RJ, a plataforma representa um marco relevante no mapeamento e planejamento de restauração florestal. Ao integrar técnicas de sensoriamento remoto, análise de dados e inteligência artificial, a ferramenta fortalece a atuação dos profissionais nas áreas de engenharia ambiental, florestal e agronômica — ampliando a capacidade de formular planos de restauração com foco técnico, embasamento científico e resultados mensuráveis.

Pesquisa ARJEAS: Avaliação da inserção do profissional na Engenharia Ambiental

A Associação do Rio de Janeiro de Engenheiros Ambientais e Sanitaristas – Arjeas, em parceria com o Cefet/RJ e com o apoio do CREA-RJ, está realizando a pesquisa “Panorama dos Egressos de Engenharia Ambiental e/ou Sanitária no Estado do Rio de Janeiro”. O objetivo desta pesquisa é avaliar a inserção profissional na Engenharia Ambiental no estado do Rio de Janeiro. Portanto, o público-alvo da pesquisa é apenas os formados em Engenharia Ambiental e/ou Sanitária no RJ ou formados em outro estado, mas que atuem preferencialmente no Rio.  “A ideia vem de um projeto maior organizado pela ARJEAS que é a série “panorama”, que começou com um projeto de extensão da Engenharia Ambiental do Cefet/RJ. Ao longo de 2023, mapeamos os cursos presenciais de Engenharia Ambiental no estado e ouvimos diversos estudantes sob suas perspectivas, motivos de escolha do curso, insatisfações e o conhecimento deles em relação ao conselho profissional e as associações de classe profissional”, conta o engenheiro ambiental Diogo Luiz Fonseca, presidente da Arjeas. No final de 2024, foi lançada no CREA-RJ com apoio da Mútua/RJ a revista Panorama da Graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária no Estado do Rio de Janeiro (disponível gratuitamente em bit.ly/arjeas2023). Na sequência, ainda em 2024, foi iniciado o mapeamento dos egressos, produzindo o primeiro anuário de ex-alunos da Engenharia Ambiental.  A pesquisa é anônima pode ser respondida neste link: bit.ly/FormsARJEASCEFET Qualquer dúvida, entre em contato com a Arjeas em @arjeas_oficial ou [email protected]. A perspectiva de lançamento da pesquisa é em Outubro/2025. 

Live do Programa Mulher: Protagonismo Feminino nas Engenharias e na Construção Civil

No Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, comemorado em 23 de junho, o Programa Mulher CREA-RJ debate o assunto com a live Protagonismo Feminino nas Engenharias e na Construção Civil. As participantes são Mickaela Midon e Bia Kern.  Mickaela Midon é engenheira civil; coordenadora administrativa do Programa Mulher CREA-RJ; mestre em Engenharia Ambiental e especialista em Engenharia Sanitária e Gestão de Recursos Hídricos; diretora da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental RJ (ABES RJ). Bia Kern é gestora de projetos; fundadora e presidenta do Instituto Mulher em Construção e uma das empreendedoras sociais brasileiras a se tornar alumni  da organização  Womanity Foundation. Indicada ao Prêmio CLAUDIA 2012 e ganhadora dos Troféus Márcia Santana 2014 pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do RS e, em 2019, do  Prêmio Cau RS – Movimentos sociais e Prêmio Negócio Destaque no Lab Habitação.  Integra o Grupo Mulheres do Brasil e é membro da Rede Unidas. A live acontecerá no dia 23 de junho, às 19h, no Instagram do Programa Mulher CREA-RJ.