Reconhecido pela UNESCO como Geoparque Mundial desde 2022, o Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul consolidou-se como uma das principais referências brasileiras em preservação do patrimônio geológico, pesquisa científica e desenvolvimento territorial sustentável. Localizado entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o território reúne formações naturais de relevância internacional e evidencia o papel estratégico das Geociências na compreensão, conservação e valorização da paisagem brasileira.
O geoparque abrange os municípios de Cambará do Sul, Mampituba e Torres, no Rio Grande do Sul, além de Praia Grande, Jacinto Machado, Morro Grande e Timbé do Sul, em Santa Catarina. A região concentra parte expressiva das escarpas da Serra Geral e abriga alguns dos mais conhecidos cânions brasileiros, associados a processos geológicos e geomorfológicos formados ao longo de milhões de anos.
Entre os elementos de destaque estão os derrames vulcânicos basálticos relacionados à fragmentação do supercontinente Gondwana, as escarpas da Serra Geral, os vales encaixados, paleotocas, sistemas hidrográficos e formações sedimentares e vulcânicas que transformaram a região em um importante laboratório natural para estudos em Geologia, Geomorfologia, Paleontologia, Hidrologia, Climatologia e conservação ambiental.
A proposta do geoparque começou a ser estruturada em 2007, a partir da articulação entre municípios, pesquisadores e instituições regionais, com o objetivo de integrar conservação ambiental, desenvolvimento regional e valorização científica do território. O reconhecimento concedido pela UNESCO, oficializado em abril de 2022, consolidou anos de levantamentos técnicos, inventários de geossítios e estudos geológicos e ambientais realizados na região.
Mais do que um destino turístico, o Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul funciona como instrumento de geoconservação e educação geocientífica. O modelo adotado pela UNESCO busca associar preservação do patrimônio natural, produção de conhecimento científico e participação comunitária, promovendo o uso sustentável do território e o fortalecimento das identidades locais.
O reconhecimento internacional concedido pela UNESCO também impulsionou o turismo associado ao patrimônio natural e geológico da região. Inserido em uma área marcada por cânions, escarpas, rios e remanescentes de Mata Atlântica, o geoparque vem fortalecendo atividades ligadas ao geoturismo, ao ecoturismo e ao turismo de aventura, articulando conservação ambiental, valorização da paisagem e desenvolvimento econômico regional.
A proposta do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul busca estimular um modelo de turismo sustentável, baseado na interpretação do território e na valorização de seus aspectos científicos, culturais e ambientais. Trilhas, mirantes, balonismo, cicloturismo e atividades de observação da paisagem passaram a integrar uma estratégia de desenvolvimento territorial voltada à geração de renda, ao fortalecimento de empreendimentos locais e à ampliação da conscientização sobre a importância da preservação do patrimônio geológico e ambiental da região.
A experiência do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul também reforça a importância das Geociências para a formulação de estratégias de desenvolvimento sustentável, integrando conhecimento técnico, conservação ambiental e gestão territorial. Ao ingressar na Rede Global de Geoparques da UNESCO, o território passou a integrar uma rede internacional voltada à preservação do patrimônio geológico e à promoção da ciência como ferramenta de desenvolvimento regional.
