Um projeto de uso de energia limpa passou a transformar a realidade de uma comunidade ribeirinha no Amazonas. Em abril de 2026, entrou em operação uma fábrica de gelo movida a energia solar na localidade de Santa Helena do Inglês, no município de Iranduba, com impacto direto na atividade pesqueira e na geração de renda local.
Batizado de Gelo Caboclo, o empreendimento possui capacidade para produzir uma tonelada de gelo por dia e armazenar até 20 toneladas, contando com sistema de placas fotovoltaicas e baterias de lítio que garantem funcionamento contínuo, além de poço artesiano próprio para abastecimento de água de qualidade.
Antes da implantação, os pescadores precisavam adquirir gelo em Manaus, em deslocamentos de cerca de cinco horas de barco, o que elevava custos com combustível, mão de obra e perdas por derretimento. Com a produção local, a atividade torna-se mais eficiente, permitindo que os trabalhadores ajustem seus custos à quantidade efetivamente pescada e reduzam prejuízos.
A busca pela demanda partiu da organização social Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que mobilizou o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), outra organização social responsável por gerir o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), uma política pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Foi por meio do PPBio que a empresa Positivo, de hardware e componentes eletrônicos, entrou com o aporte de R$ 1,3 milhão como investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), em troca de benefícios fiscais. Mais R$ 200 mil em baterias foram entregues pela UCB Power, totalizando um custo de R$ 1,5 milhão em investimentos.
Além dos ganhos econômicos, o projeto apresenta benefícios ambientais ao reduzir a emissão de gases de efeito estufa, uma vez que diminui a necessidade de deslocamentos movidos a combustíveis fósseis para aquisição de gelo. A solução também contribui para a segurança energética em uma região onde o fornecimento de eletricidade é instável.
Com impacto direto em mais de 30 famílias, a fábrica também deve beneficiar outras atividades, como o turismo e a agricultura familiar, ampliando o uso do gelo ao longo do ano. A expectativa é que o modelo possa ser replicado em outras comunidades amazônicas, fortalecendo a bioeconomia e promovendo o desenvolvimento sustentável na região.
Fonte: Agência Brasil