O tempero do CREA AQUI 2O26 esteve o tempo todo ao alcance das mãos e do paladar. A Feira dos Sabores, que reuniu 22 produtos agroindustriais familiares, foi um sucesso de público, de crítica e resgatou uma máxima da propaganda de supermercado – do produtor ao consumidor, sem intermediários. Na hora do almoço, havia filas para degustação.
“Empregamos 1.300 litros de leite por dia na nossa produção de doces. Com 15 funcionários, nós produzimos os doces que são vendidos na loja da fábrica e nas feiras de produtos caseiros pelo Estado do Rio”, contou a nutricionista Patrícia Passaroto Tamaz, dona da Doces Belamá, de Volta Redonda.

O nome da empresa familiar é resultado da junção dos nomes Isabela e Matheus, os filhos de Patrícia com Rodrigo que também trabalha na firma. Família unida trabalha unida.
Os produtores familiares fazem parte de roteiros de turismo rural em expansão no Estado do Rio, como o Circuito Terê-Friburgo e o Circuito Mury, em Nova Friburgo. Numa só viagem, o turista conhece vinícolas, queijarias, alambiques e produtores de cafés especiais.
“A Aprorio participa de cerca de dez feiras por ano no estado do Rio, como Rio Gastronomia, Rio + Agro, Salão de Turismo estadual e federal e Rio Innovation Week”, lembra o biólogo Jairo Roberto Silva, há 47 anos técnico da Emater, que presta assistência aos produtores por meio do Prosperar, um programa estadual que oferece cerca de 200 projetos de financiamento, e já financiou cerca de R$ 10 milhões e registrou a legalização de 400 agroindústrias assim como a inserção desses produtos no mercado formal.
A Feira dos Sabores teve estandes dos seguintes produtos: queijos e laticínios, vinhos, embutidos, mel, água de côco, cogumelos, tilápia, doces em compota, duas cachaças artesanais e cafés especiais.
Um dos produtos que sempre faz sucesso é o saboroso Café Manduca, um produto artesanal, familiar e agroecológico devido às boas práticas de boa convivência da lavoura com a Mata Atlântica.
“Minha família sempre trabalhou com café há seis gerações, desse que meu bisavô, Manduca, veio de Portugal”, lembra Alexandre Ramos, engenheiro químico formado na UFRJ.

Desempregado na pandemia, ele decidiu participar do negócio familiar baseado numa lavoura de 12 hectares, que produz 300 sacas de café por ano.
O “engenheiro que virou café” era só alegria no CREA AQUI. Seu orgulho aumentou quando descobriu, com a ajuda do repórter, a identidade de um senhor distinto que pediu um quilo de café. Era um colega engenheiro, Fabio Villari, diretor da Engetc Infra, empresa de Engenharia responsável por uma das maiores obras de infraestrutura em andamento no estado – a duplicação da Via Dutra na Serra das Araras.
“Pela segunda vez no CREA AQUI, provei e adorei o café; sou um admirador de bom café”, disse Villari.
Outro produto que teve fila para aquisição foi o doce de leite Manoel Borges, nome do fundador da empresa da familiar de Paty de Alferes, há mais de 25 anos no mercado.
“Meu pai tem 70 anos, só estudou até a 4a série e fundou a empresa que tem 15 funcionários e um bom faturamento. Imagina se estivesse estudado engenharia”, brincou a empresária Rogéria Borges, oferecendo uma degustação do delicioso doce de leite da terra do tomate e de Manuel Osório Duque Estrada, o compositor do Hino Nacional.