Secretário de Agricultura: cooperação técnica melhora produtos que conquistam o consumidor

No segundo painel do CREA AQUI 2026, na tarde de 19 de março, foi debatida a crescente produção de queijos e vinhos na região interiorana do Estado do Rio de Janeiro. Essa agroindústria vem dando resultados econômicos surpreendentes, de acordo com o engenheiro agrônomo Felipe Brasil, secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado do Rio, que moderou o painel “Agronomia em sabores – a Ciência que se degusta”.

Os participantes do painel sobre agronomia, que foi medicado pelo secretário de Agricultura, Felipe Brasil (Foto: Julio Kummer/Divulgação)

“Estou muito orgulhoso de termos hoje produtos de excelente qualidade no estado. Conseguimos essa façanha com acordos de cooperação técnica para desenvolvimento dos produtos, com tecnologia, pesquisa e trabalho de divulgação, gerando identidade do consumidor com os produtos nascidos aqui no Rio de Janeiro”, afirmou Brasil.

Para o secretário, o painel comprova que o Rio tem agricultura de excelente qualidade e oportunidades de negócio.

“Convido a todos que conheçam essas propriedades aqui representadas. Vocês verão que a qualidade só existe porque há muito trabalho para chegarmos nesse nível com o vinho, café, cachaça, queijo e agora com doces e compotas. Enfim, é um universo que se expande para os empreendedores no estado. Quero lembrar o lançamento já projetado do

Instituto da Uva e do Vinho, com um novo laboratório da Pesagro no estado. São muitos desafios”, destacou o secretário.

O protagonismo do agro fluminense já foi detectado em pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP): a participação do agronegócio no PIB do Estado do Rio cresceu 16,8% entre 2017 e 2020, saltando para R$ 32,5 bilhões. Em 2017 (ano-base da pesquisa), o PIB do agronegócio fluminense foi estimado em R$ 27,86 bilhões em valores correntes. Esse total correspondia a 4,15% da economia total do estado naquele ano. ​Diferentemente da média nacional, o agronegócio do Rio é fortemente concentrado nos elos chamados de pós-porteira.

O agrosserviços é o maior segmento, respondendo por 47,6% do PIB do setor, seguido pela agroindústria, com 40,1%, e a agropecuária, com 11,3%. Com 73% do PIB do agronegócio (R$ 20,24 bilhões), o ramo agrícola vence o ramo pecuário, que gerou 27% do PIB, o equivalente a R$ 7,62 bilhões. Ainda segundo a mesma pesquisa, as atividades que mais geram lucro no campo são o cultivo de olerícolas (hortaliças), com 24% do Valor Bruto da Produção, com destaque para tomate, aipim e alface; e a criação de bovinos, entre os quais 17% ficam com o gado de corte e 13% para o leiteiro.

Alexandre Hargreaves, do Ateliê do Queijo, em Casimiro de Abreu, está recorrendo ao melhoramento genético para aumentar quantidade e qualidade:

“Estamos tentando aumentar a produção de queijo na nossa região, dentro das nossas possibilidades, com melhoramento genético do gado. Agora, temos também, o queijo produzido com leite de ovelha. Estamos nos tornando os maiores produtores desse segmento no estado. Isso pra nós é uma oportunidade de negócio muito importante”, explicou Hargreaves.

Fabricio Le Draper Vieira, do Capril do Lago, em Valença, onde é produzido o queijo de cabra mais premiado do Brasil, destacou a importância da fidelização do cliente no estado:

“O Rio tem um mercado enorme. Mas o consumidor precisa desse sentimento de pertencimento. O consumidor tem que fazer questão de consumir produto “made in Rio de Janeiro”. É uma questão ecológica e de orgulho. Por que não chegar no mercado e perguntar: “Esse produto vem de onde? E fazer questão de ajudar essa roda a girar. Pois, às vezes, o carioca consome um produto que vem da França e, comparado ao nosso, é de péssima qualidade. Esse é o apelo que faço”, destacou Lá Draper, que é francobrasileiro e descobriu nos antepassados a paixão que se tornou a razão de sua vida: a produção do queijo Capril do Lago, que tem campeões como o Queijo de Cabra, o único não europeu na lista dos 12 melhores queijos do mundo, apresentada pelo Mondial du Fromage, na França.

Já Marcelo Maturano, da Vinícola Maturano, que tem foco no enoturismo de luxo e o uso de tecnologia avançada na produção de vinhos, destacou o tamanho do mercado potencial.

“Temos um mercado de 17 milhões de consumidores que já identificaram que os produtos desenvolvidos no estado têm enorme qualidade. Hoje temos que olhar para fora; há condições de encontrar nosso cliente, também fora do nosso estado, dado às questões logísticas que são muito favoráveis”, observou Maturano.

Para o empresário, a produção agroindustrial do Rio tem enormes vantagens.

“Temos um aeroporto para escoar mercadoria a uma distância bem menor de boa parte dos nossos concorrentes pelo mundo, só para citar um exemplo. O Rio de Janeiro pode se tornar autossuficiente em cachaça, café, queijos e vinhos. É uma solução econômica viável para o desenvolvimento do interior do estado”, disse Maturano, que é empresário com atuação nos setores imobiliário, industrial e vitivinícola.

Ele construiu mais de 300 casas e urbanizou mais de 3,5 milhões de metros quadrados em Teresópolis e Macaé, consolidando projetos de desenvolvimento urbano estruturados.

Maurício Arouca, da Vinícola Arouca, em Areal, falou do projeto que está ganhando fôlego no estado que é o novo roteiro de vinícolas do Estado do Rio de Janeiro, lançado oficialmente no ano passado, pela Associação dos Vitivinicultores da Serra Fluminense (AVIVA) e a prefeitura de Areal, considerada a capital da uva.

“O vinho, no fim das contas, é isso: ciência que a gente degusta. Tem solo, clima, manejo, irrigação, fitossanidade, processos, controle de qualidade, rastreabilidade e inovação — nada disso acontece “no improviso”. Quando você planta 40 mil pés de uva, estrutura uma vinícola para vinificação própria, cria um centro de experiências como a Casa Vinnus, e agora está finalizando a Vila Vinnus para hospedagem, você não está só construindo um destino: você está ajudando a organizar uma nova vocação econômica para a região, com mais renda, mais oportunidade e mais futuro”, afirma Maurício Arouca, acrescentando:

“A história do vinho acompanha a história do ser humano. Ora como lazer, ora como tecnologia, commodity, etc. E, agora estamos nos destacando no Sudeste com a técnica da dupla poda na produção de vinhos finos, tintos principalmente. E, em Areal, vimos que alguns dogmas não se aplicavam na região. Hoje, Areal é um grande centro de conhecimento em função de muitas ações e experimentos” afirmou Arouca.

Única mulher presente a mesa de debates, a engenheira Laura Tassinari, proprietário da Fazenda São Francisco, ao lados dos dois irmãos também engenheiros, em São José do Vale do Rio Preto, contou sua experiência com o vinho, após 49 anos produzindo café:

“Meu pai veio da Itália para cá e logo começou a produzir vinho naquela fazenda. Com o café ganhamos reconhecimento, como por exemplo o mais recente o Prêmio Qualidade na Categoria Via Úmida, mas agora encaramos esse novo desafio, de produzir o vinho Tassinari, entre os cafezais e a Mata Atlântica”, afirma Tassarini

“Não é fácil trabalhar com a terra. Mas é uma missão que acreditamos e que desenvolvemos com todo amor”, diz Laura Tassarini.

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