No CREA AQUI 2026, Suzana Kahn defende protagonismo do Rio em inovação tecnológica

O primeiro painel do CREA AQUI 2026, realizado nesta quinta-feira (19 de março) na Zona Portuária do Rio de Janeiro, promoveu um debate estratégico sobre os rumos do desenvolvimento estadual. Com mediação do jornalista Sidney Rezende, o encontro reuniu lideranças do Sistema CONFEA/CREA, da academia e de entidades de classe para discutir como a Engenharia pode impulsionar a economia fluminense. Participaram do debate o presidente do Conselho Federação de Engenharia e Agronomia (CONFEA), Vinicius Marchese; o presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian; o presidente da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares), Celso Cunha; e a diretora da Coppe/UFRJ, Suzana Kahn. Todos são engenheiros

​Da Indústria do Petróleo à Saúde

​A diretora da Coppe/UFRJ, Suzana Kahn, destacou que a forte dependência do Rio de Janeiro em relação ao setor de óleo e gás, embora gere vulnerabilidade, serve como um trampolim tecnológico para outras áreas.

​”O Rio tem que ser líder em inovação no setor de conhecimento. Na Coppe, por exemplo, criamos uma startup que utiliza o modelo de ‘diagnóstico de rochas’ da indústria petrolífera para a detecção de doenças pulmonares”, revelou a engenheira. Kahn ressaltou que tecnologias como robótica, manufatura aditivada e comunicações, desenvolvidas inicialmente para o petróleo, possuem enorme potencial de aplicação na agricultura de alta precisão e na indústria em geral.

A diretora da Coppe/UFRJ, engenheira Suzana Kahn, que falou no primeiro painel do CREA AQUI (Foto: Julio Kummer/Divulgação)

​União por Projetos de Estado

​O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, defendeu a criação de uma “amálgama” entre as instituições do setor para garantir que grandes projetos de infraestrutura avancem independentemente de questões partidárias. Bogossian alertou para a escassez de verbas federais e estaduais no Rio, observando que a maioria das obras atuais é fruto da iniciativa privada, o que prejudica o equilíbrio do desenvolvimento estadual.

O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian (Foto: Julio Kummer/Divulgação)

​Oportunidades na Energia Nuclear

​Celso Cunha, presidente da Abdan, trouxe um panorama otimista — porém desafiador — sobre a expansão da energia nuclear, que abrange desde a medicina até a produção de alimentos.

  • Déficit de Mão de Obra: O setor sofre com a escassez global de especialistas preparados.
  • Atratividade: Para os jovens engenheiros, Cunha destacou que os salários na área nuclear podem ser até 30% superiores aos de outras especialidades da Engenharia.
Presidente da Abdan, Celso Cunha (Foto: Julio Kummer/Divulgação)

​Dados para o Desenvolvimento

​Encerrando o painel, o presidente do CONFEA, Vinícius Marchese, apresentou a plataforma Infrabr. A ferramenta oferece um relatório anual com índices de desenvolvimento de todos os 27 estados brasileiros, funcionando como um guia para investimentos em infraestrutura.

​”A ideia é que os gestores públicos possam identificar e atacar pontos fundamentais de forma diferenciada em cada estado. Precisamos de uma política de infraestrutura clara para o país, que não seja limitada a apenas um governo ou mandato”, concluiu Marchese.

O presidente do CONFEA, engenheiro de telecomunicações Vinicius Marchese (Foto: Julio Kummer/Divulgação)

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