
A Engenharia Hídrica e a Hidrologia são áreas que atuam na análise e monitoramento dos recursos hídricos como as águas subterrâneas, sua formação, circulação, as propriedades físicas e químicas e a interação com o meio. Esses profissionais são responsáveis pela gestão sustentável da água.
O curso de Engenharia Hídrica foi regulamentado pelo Ministério da Educação – MEC e as atividades desempenhadas pelos profissionais na área foram normatizadas pela Resolução Nº 429, de 30 de junho de 2006, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Já Hidrologia, como ciência interdisciplinar, não possui um curso específico, podendo a formação se dar por meio de uma graduação em Geologia, Engenharia Geológica, Engenharia Ambiental e até mesmo Geografia e Física.
No dia 22 de março, é comemorado o Dia do(a) Engenheiro(a) Hídrico(a) e Hidrogeólogo(a). A data foi escolhida por ser também o Dia Mundial da Água, instituído em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para lembrar da importância da defesa dos recursos hídricos e da preservação da água, com destaque para a doce, essencial para a vida.
A gestão sustentável da água proporciona uma infinidade de benefícios para indivíduos e comunidades, incluindo saúde, segurança alimentar e energética, proteção contra riscos naturais, educação, melhores padrões de vida e emprego, desenvolvimento econômico e uma variedade de serviços ecossistêmicos.
Engenharia Hídrica
O(A) Engenheiro(a) Hídrico(a) é o(a) profissional que possui capacitação para se dedicar ao desenvolvimento de projetos, à gestão e supervisão de atividades que fazem uso de recursos hídricos no cotidiano. A principal função dessa engenharia é planejar e orientar a utilização de águas de bacias hidrográficas, prevenindo os impactos negativos que elas possam sofrer em consequência de atividades industriais, agrícolas e urbanas.
No setor de energia, atua na operação de reservatórios e no planejamento da água disponível. Ao lado dos Engenheiros Sanitaristas e Ambientais, trabalha com a recuperação e a manutenção dessas áreas hídricas, como os sistemas de abastecimento de água, sistemas de drenagem de água e de irrigação e o tratamento da água e do esgoto. Com os Engenheiros Civis, projetam canais, portos e barragens e obras de controle de cheia.
Segundo o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), esse profissional está preparado para realizar avaliação, quantificação, projeção, montagem, construção, fiscalização e gestão de empreendimentos ligados aos recursos hídricos, sistemas de circuitos hídricos, sistemas de informações hidrológicas e gestão de recursos hídricos.
Graduação
O curso de Engenharia Hídrica confere o título de bacharelado e possui duração média de cinco anos. É uma graduação que os alunos possuem a oportunidade de estudar disciplinas que envolvem conhecimentos das Ciências Exatas, Biológicas e até Sociais como Matemática, Física, Química, Economia, Fenômenos de Transporte, Mecânica dos Sólidos, Mecânica Aplicada, Geoprocessamento, Topografia e Geodésia; Microbiologia Sanitária, Bioquímica, Controle da Poluição Ambiental e Segurança no Trabalho.
O setor mais abrangente é o de projetos de sistemas de irrigação e bombeamento, que visam garantir o abastecimento de água no meio rural e em centros urbanos. O bacharel ainda pode trabalhar no monitoramento, diagnóstico, manejo e gestão dos recursos hídricos, em condições naturais ou em estruturas artificiais. Ele também encontra vagas na área de desenvolvimento tecnológico de ferramentas para avaliação dos recursos hídricos e processos envolvidos com a a água.
Sua atuação vai desde o planejamento até a execução de projetos na área ambiental e na de infraestrutura hídrica. Os setores elétrico, de saneamento básico, de portos e hidrovias também abrem vagas para o graduado. E o Brasil ainda guarda mais de 12% do total de água potável superficial do planeta e precisa preservar seus mananciais hídricos, como o Aquífero Guarani, um dos maiores depósitos de água do mundo.
Pós-graduação
A pós-graduação em Engenharia Hídrica, assim como mestrado e doutorado, oferece diversas oportunidades, tanto na área de pesquisas quanto na atuação no mercado de trabalho. Ao inovar
– Saneamento Ambiental: ao se especializar nesta seção, o(a) engenheiro(a) irá se voltar para o tratamento de água e esgoto, drenagem urbana, assim como também atuar no controle da poluição hídrica e na gestão de resíduos sólidos. Também podem colaborar com a Engenharia Química, a Engenharia Ambiental e a Engenharia Sanitária.
– Hidráulica: fundamental para o desenvolvimento da Engenharia Hídrica, é a ciência que estuda o comportamento dos fluidos como os líquidos em tubulações, rios e canais, tornando viável que as cidades desempenhem os suprimentos de água e os fluxos das linhas de distribuição. Assim, os profissionais especializados nessa área podem operar em escoamento de rios e canais, obras hidráulicas como barragens, vertedouros e tomadas d’água, na hidrometria e modelagem hidráulica.
– Irrigação e Drenagem: esses engenheiros(as) irão estudar as técnicas de irrigação, que consiste em aplicar a quantidade de água necessária nos solos e de drenagem, que controla o excesso de água presente no solo para o processo de aeração e evitar a salinização. Logo, podem exercer o planejamento de sistemas de irrigação e drenagem, otimização do uso planejado da água na agricultura e na redução dos impactos dessa prática.
– Recursos Hídricos: são fontes de água disponíveis na natureza e que podem ser empregadas num determinado uso ou atividade, como na agricultura. Logo, ao se especificar neste ramo, os(as) engenheiros(as) podem fazer a gestão integrada de bacias hidrográficas, modelagem hidrológica, a própria qualidade da água e como fazer que a água potável seja acessível a toda população.
Hidrogeologia
Apesar de serem áreas complementares, a Hidrologia é a ciência que estuda o ciclo da água na natureza, assim como seus processos e interações com o meio ambiente, fornecendo como base para a Engenharia Hídrica. Esta aplica os conhecimentos da Hidrologia para projetar, avaliar e construir sistemas que utilizam os recursos hídricos.
A função principal da Hidrologia é também proteger os depósitos subterrâneos de água e é necessário entender que as características dos aquíferos são influenciados por vários aspectos, incluindo o tipo de rocha, e isso determina a forma como a água que armazenam se comporta. Logo, é preciso adequar as técnicas de perfuração para cada tipo de material ao capturar as águas.
Assim, o Hidrogeólogo pode atuar em várias vertentes desta ciência que também se preocupa com o estudo da contaminação mineira das águas subterrâneas. Além disso, eles apresentam soluções para reduzir esse tipo de impactos negativos nos aquíferos.
O papel de um hidrogeólogo é estudar a qualidade, a distribuição e o volume das águas subterrâneas, interpretando dados históricos, bem como mapas, para conhecer seus fluxos. Além disso, investiga amostras e medições para prever tendências futuras, por exemplo quanto aos impactos na qualidade das águas, a fim de proteger os aquíferos e a gestão dos recursos hídricos subterrâneos.
E entre suas outras funções, outras em destaque são: identificar e caracterizar diferentes tipos de aquíferos; fazer projetos de perfuração e de poços de água; inventariar pontos de água e monitorar recursos hídricos e furos para sua captação; propor soluções para reduzir impactos ambientais; realizar ensaios de Caudal e sistemas de bombagem de furos; ler mapas e dados geográficos e analisar informações históricas; fazer trabalho de campo, recolhendo amostras de água e medindo o fluxo dos aquíferos; etc.
O Crea-RJ parabeniza todos os profissionais responsáveis por fazer o uso racional da água e como aplicá-la para o desenvolvimento da sociedade, tanto em nível econômico quanto pessoal, pensando no bem-estar das pessoas e em como minimizar os danos causados à natureza.
Fontes: Unesco e Confea