Supertalls redefinem os limites da construção vertical e engenheira brasileira lidera o segmento no país

A engenheira civil Stéphane Domeneghini ocupa hoje um dos postos mais desafiadores da engenharia estrutural brasileira: liderar a concepção e execução dos chamados “supertalls”, edifícios com mais de 300 metros de altura, que demandam soluções técnicas de última geração. Com formação sólida, mais de 15 anos de atuação e especialização em estruturas verticais, ela comanda projetos de referência nacional, como a One Tower e a Epic Tower, além do icônico Senna Tower — futuro edifício residencial mais alto do mundo.

O Senna Tower, em construção em Balneário Camboriú (SC), terá mais de 500 metros de altura e está sendo edificado sobre uma das formações rochosas mais resistentes do planeta. Para viabilizar essa obra, a equipe de engenharia sob sua coordenação precisou investir em estudos geotécnicos avançados, modelagens computacionais de alta precisão e simulações sísmicas e eólicas em túnel de vento.

Inovação em estabilidade estrutural, BIM e integração multidisciplinar

Entre os destaques técnicos do Senna Tower está a adoção do sistema Tuned Mass Damper (TMD), uma tecnologia de controle passivo de vibração que será aplicada pela primeira vez em um edifício na América Latina. Trata-se de um amortecedor de massa sintonizada posicionado próximo ao topo da edificação, que atua como contrapeso dinâmico para reduzir os efeitos de forças horizontais, especialmente do vento, que incidem sobre a estrutura. Esse tipo de solução é comum em torres de grande altura, como a Taipei 101 (Taiwan) ou o Burj Khalifa (Emirados Árabes), e sua aplicação no Brasil representa um salto tecnológico no setor.

Stéphane também aposta no uso extensivo da modelagem BIM (Building Information Modeling), não apenas para a representação tridimensional do projeto, mas como ferramenta de gestão integrada entre as disciplinas de estrutura, instalações, fachada e fundações. Essa abordagem garante maior previsibilidade na execução, redução de conflitos em obra e otimização de prazos e custos. “A precisão e a interoperabilidade entre as áreas técnicas são vitais em construções dessa magnitude”, ressalta a engenheira.

Sustentabilidade e certificação LEED

Além da inovação estrutural, a sustentabilidade é pilar central dos projetos liderados por Stéphane. O Senna Tower busca obter a certificação LEED Platinum, o mais alto nível do selo internacional de construções sustentáveis. Para isso, estão sendo considerados critérios como uso racional de água, eficiência energética, materiais de baixo impacto ambiental e qualidade do ar interior. “Em um edifício com mais de 100 pavimentos, cada sistema precisa ser eficiente e integrado desde a concepção, para garantir performance ambiental e conforto aos usuários”, explica.

Desafios de solo, vento e verticalização extrema

Os desafios enfrentados vão além do convencional. A atuação em Balneário Camboriú, cidade com presença marcante de ventos costeiros e solos rochosos, exige um grau de engenharia diferenciado. As fundações dos supertalls são executadas com estacas de grandes profundidades, com controle de recalques milimétricos, e toda a estrutura é projetada com sistemas de núcleos rígidos e contraventamentos que asseguram o desempenho sob cargas dinâmicas.

Apesar de estar em um ambiente historicamente dominado por homens, Stéphane Domeneghini tornou-se referência técnica e inspiração para uma nova geração de engenheiras. Sua recente participação como única brasileira no júri técnico do Congresso do CTBUH (Council on Tall Buildings and Urban Habitat) demonstra o reconhecimento internacional de seu trabalho, baseado na excelência técnica, visão estratégica e inovação contínua.

Fonte: Confea

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