Constituído a partir de leveduras probióticas, que são microorganismos vivos benéficos à saúde humana quando consumidos em quantidades adequadas, o projeto YOB23, desenvolvido pela equipe Osiris Rio, tem como objetivo ajudar na saúde das plantas com aumento da produtividade vegetal, gerando maior resistência e tamanho da raiz em longo prazo. A equipe é composta por estudantes de graduação, pós-graduação e professores do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM) da instituição.
A pesquisa é liderada pela professora do Instituto, Mônica Montero-Lomelí. Com o projeto, a equipe conquistou a medalha de prata na última edição do International Genetically Engineered Machine (iGEM) Grand Jamboree, em outubro de 2024, em Paris. O produto que foi apresentado na competição internacional de biologia sintética é uma nova aplicação de um antigo projeto da equipe: o RevitaNad+.
Segundo Ana Paula Goulart, uma das participantes e estudante de Biotecnologia, o produto consiste em um suplemento farmacológico de nicotinamida ribosídeo, suplemento alimentar que melhora o metabolismo, à base dessas leveduras probióticas. Ele também tem o intuito de aumentar a biodisponibilidade de NAD+ (enzima que auxilia na produção de energia e na saúde imunológica) em humanos e retardar doenças relacionadas ao envelhecimento. Assim, o processo de aplicação do produto na agricultura tem como base a ideia da junção da planta com a levedura modificada que irá gerar o aumento de NAD+, a tornando saudável e produtiva.
O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), com 720 mil toneladas de pesticidas, essa quantidade representa por volta de 60% a mais do que a empregada pelos Estados Unidos, este ocupando o segundo lugar do ranking mundial. E a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) chama atenção para a grande quantidade de agrotóxicos banidos em outros países que ainda são usados no Brasil. E 20 insumos utilizados no país são proibidos na União Europeia.
Com isso, o produto desenvolvido pelos pesquisadores pretende diminuir o uso de agrotóxicos, químicos que controlam as pragas: “Nos testes foi vista a capacidade do produto de aumentar a taxa de germinação e a resistência tanto sobre o estresse salino quanto na seca”, destaca Ana Paula. Clarissa Chacon, estudante de Biomedicina e pesquisadora do projeto, completa ao dizer que as substâncias utilizadas estimulam os processos naturais do vegetal e não possuem elementos tóxicos para o ambiente, como os agrotóxicos.
Além de o produto ser sustentável, é economicamente viável para as empresas. Segundo Lucas Santiago, estudante da pós-graduação em Química Biológica no IBqM e pesquisador do projeto, aderir ao produto seria benéfico também porque “as empresas que investem em produtos e pesquisas sustentáveis ganham alguns incentivos fiscais, como a redução da taxa de impostos”. A Lei n° 11.196/05, mais conhecida como Lei do Bem, oferece incentivos fiscais a empresas que investem em atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (PD&I).
Fonte: UFRJ
