Allan Borges, da Cedae, defende urbanismo conectado com a dignidade dos cidadãos

Em artigo publicado na seção de Opinião do jornal “O Dia”, o presidente do Comitê de Sustentabilidade e chefe de Gabinete da Cedae, professor Allan Borges, afirma que o futuro das cidades não está em planos grandiosos, mas, sim, nas pequenas e cotidianas ações que transformam espaços em lugares de alta potência estética, funcional e simbólica. Ele defende a ideia de que a cidade ideal não é a perfeita, mas a que existe, com suas imperfeições, e que a essência do “fazer-cidade” reside no direito insurgente de moldar o ambiente de acordo com as necessidades e desejos de seus habitantes.

Borges argumenta  também que as legislações e os planos formais, lentos e previsíveis, não conseguem acompanhar a urgência da vida urbana. O urbanismo tático surge, então, como uma resposta a essa ineficiência. Segundo ele, é um método e uma ética que devolve à população a capacidade de coautoria sobre o território, de acordo com o que o geógrafo britânico David Harvey chama de direito perdido da população de não apenas usar a cidade, mas de moldá-la.

“Essa transição do “onde se passa” para o “onde se vive” é o cerne do fazer-cidade. Jan Gehl (arquiteto e urbanista dinamarquês) ressalta que cidades projetadas para caminhar, sentar e conversar conduzem à distribuição equitativa da dignidade urbana”, escreveu Borges.

​O texto do professor destaca exemplos concretos dessa abordagem, como as Superilles de Barcelona, que reordenaram quarteirões para priorizar pedestres, resultando em melhoria da qualidade do ar, redução de ruído e fortalecimento dos laços comunitários. Para Borges, esses projetos são uma prova de que a transformação urbana pode acontecer por meio de intervenções rápidas e criativas.

​Allan Borges ressalta, ainda, que a cidade não é um cenário neutro, mas um palco de projetos de vida, onde o espaço é disputado. Ele relaciona o “fazer-cidade” com o “fazer-justiça”, ampliando as capacidades humanas e garantindo que a cidade seja um lugar para permanecer e não apenas para passar. O urbanismo tático, embora não resolva todos os problemas, segundo o autor, amplia as capacidades, reabilita os sentidos e dá margem à criação coletiva.

​Ao final de sua análise, Borges nos convida a uma reflexão sobre a questão fundamental: para quem é a cidade? E conclui que se for para ser apenas um local de passagem, ela se perde. Mas se for para ser um lugar de viver, ela se encontra. Para ele, fazer-cidade é devolver a cidade ao corpo e o corpo ao lugar.

O urbanismo, portanto, não deveria ser apenas um conjunto de intervenções pontuais. Ele se torna importante se apresentar uma mudança de paradigma, uma quebra com a visão tradicional que via o espaço urbano como algo a ser rigidamente planejado e imposto de cima para baixo. Em vez disso, ele promove a criação de uma cidade mais democrática e humana, onde a voz e a ação da comunidade são tão importantes quanto as diretrizes técnicas. 

​Ao abraçar essa filosofia, a cidade se torna um organismo vivo em constante evolução. Cada jardim comunitário plantado em um terreno baldio, cada mural pintado em uma parede cinza e cada rua transformada em praça de convivência são pequenos atos de rebeldia criativa. Eles não apenas melhoram a estética e a funcionalidade do lugar, mas também reforçam a identidade local e o senso de pertencimento. A cidade, então, passa a ser um reflexo de seus habitantes: imperfeita, em constante transformação, mas cheia de vida, personagens e suas histórias. Ela não é mais apenas uma estrutura física, mas um espaço de afeto, onde a vida é possível.

LEIA A ÍNTEGRA DO ARTIGO DE ALLAN BORGES

https://odia.ig.com.br/opiniao/2025/09/amp/7121837-allan-borges-fazer-cidade-o-direito-vivo-ao-lugar.html

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