Mútua homenageia o engenheiro César Drucker na 80ª SOEA

O engenheiro civil César Drucker, de 93 anos, conselheiro vitalício do Clube de Engenharia e da SEAERJ e conselheiro suplente do CREA-RJ, foi homenageado pela Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais do CREA, como o mutualista com mais idade na 80ª SOEA, no dia 8 de outubro de 2025. Ele recebeu a placa das mãos do diretor geral da Mútua, engenheiro civil Joel Krüger.  Drucker já havia sido homenageado pelo CREA-RJ, na cerimônia comemorativa dos 90 anos do Conselho, que aconteceu no Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – Alerj, em 2024. Na ocasião, ele tinha 92 anos, dois a mais que o CREA-RJ. Confira a entrevista de César Drucker.  O que esta homenagem significa para o senhor? Eu já tinha sido homenageado pelo CREA-RJ quando ele completou 90 anos, em 2024,  em solenidade na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, por motivo de dedicação à entidade de classe Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro – Seaerj. Na ocasião eu era mais velho que o CREA-RJ, tinha 92 anos. Penso que a presente homenagem representa a confirmação, em nível nacional, da minha proposta , elaborada em nível estadual , para  que todos os profissionais, após a passagem para a aposentadoria, venham participar ativamente nas suas entidades de classe, não importa a idade. A pergunta é: se há colegas com mais de 90 anos  participando regularmente da sua entidade de classe, porque não participar também?  O que está escrito na placa ? Na placa com que fui agraciado pelo presidente nacional da Mútua, engenheiro Joel Krüger, no final da  SOEA 2025,  em Vitória (ES), há uma extensa descrição, que  poderia ser condensada em: ”Homenagem ao mutualista de maior idade da 80ª SOEA, pelo exemplo de dedicação, pioneirismo, compromisso com nossa entidade, e trajetória que inspira as novas gerações”. Há quantos anos é mutualista? Comecei a me interessar pelos assuntos da Mútua em 2018, quando meu amigo e ex-presidente da Seaerj, Luiz Felipe Pupe de Miranda, teve o primeiro cargo de diretor geral da Mútua RJ. Em 2024 me associei. Acho que a Mútua é um instrumento fundamental para a proteção social de engenheiros e agrônomos. Digo isso baseado na minha atividade de dezenas de anos na área da previdência dos servidores estaduais do Estado do Rio de Janeiro. E há quanto tempo é engenheiro? Sou engenheiro há 68 anos, pois formei-me em 1957, em Engenharia Civil  pela Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, no Largo de São Francisco. A turma foi destacada, pois demos um Ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, e um presidente do BNDES, Marcos Pereira Vianna. Mas a minha vida de trabalho tem mais de 70 anos. No segundo ano da faculdade, fui contratado como monitor na cadeira de Física II, cujo catedrático era o professor Antônio José da Costa Nunes, pai do estudo de Mecânica dos Solos no país. Então está acontecendo comigo uma contagem de tempo que nunca ocorreu antes. Trabalhei 35 anos para me aposentar, e estou trabalhando outros 35 anos nas entidades de classe da profissão. A força de trabalho crescente da terceira idade é assunto para ser estudado no mundo do trabalho.  Como tudo começou ? Porque escolheu ser engenheiro? Foi um encaminhamento natural. Quando criança, eu gostava de ferramentas, abria os aparelhos da casa, consertava coisas. Construía carrinhos para descer em ladeiras, era aeromodelista. Exame vestibular só fiz para Engenharia. Acho importante destacar que sempre quis ser engenheiro do serviço público. Nada contra a iniciativa privada. Mas minha vocação é agir no interesse da sociedade. O que a profissão significa para o senhor? Tive a sorte de que minha vida laboral decorreu em duas épocas seguidas de intensa atividade da Engenharia. No então Distrito Federal e posterior Estado da Guanabara participei das grandes obras de saneamento executadas pela Sursan – Superintendência de Urbanização e Planejamento, e fiz parte da equipe do governador Carlos Lacerda que tratava no Banco Interamericano de Desenvolvimento do financiamento para estas obras . Editei a revista “Engenharia Sanitária”, sobre setor que teve grande desenvolvimento nessa época. Ela existe até hoje,  e se tornou o órgão da Abes RJ – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental , com o nome de “Engenharia Sanitária e Ambiental”.  Após a extinção da Sursan, integrei, desde a sua fundação, a Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro – Metrô, e participei de curso  sobre a construção metroviária no Japão. Que legado o senhor quer deixar para a sociedade? Penso que minha imagem já está estabelecida perante meus familiares, cônjuge, amigos e colegas de profissão. Além do desempenho profissional, fazem parte da imagem outras atividades.  O senhor tem forte atuação nas entidades de classe. Na Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro – Seaerj, comecei ajudando a criar uma Diretoria Assistencial, para atender aos aposentados e aos pensionistas. Hoje, sou conselheiro vitalício da entidade. Participei da criação do Centro Cultural da  Seaerj, do qual fui presidente. No Clube de Engenharia do Brasil, participo do Conselho Diretor como conselheiro vitalício. Já integrei a Diretoria durante seis anos como diretor cultural. Como foi a sua atuação política na época da faculdade? Quando eu era aluno na faculdade, fui eleito, no Diretório Acadêmico, para diretor cultural. Isto abrangia biblioteca, xadrez e pingue-pongue. O meio político estava agitado devido à votação do projeto de lei que criava a Petrobras. Os estudantes participavam da greve geral em apoio ao projeto. Desmontamos as mesas de pingue-pongue no quarto andar e as remontamos na Avenida Passos no meio dos trilhos do bonde. Ficamos jogando pingue-pongue para impedir o tráfego. Nossas bandeiras eram Desenvolvimentismo e Industrialização. Hoje, no Clube de Engenharia, são Soberania e Inovação. Mudam os nomes, mas ao longo do tempo os ideais são os mesmos. Como foi a participação na Marcha dos 100 mil? Em 1968, ocorreu  “A Marcha dos 100 mil”, histórica manifestação popular que pedia o retorno das liberdades democráticas.

Meteorologistas alertam para a diminuição de monitoramento no Brasil

Foto: Confea. | A presidente do Crea-Rs, a engenheira ambiental Nancy no painel sobre meteorologia. A meteorologia como elemento de redução das incertezas climáticas e desenvolvimento sustentável foi o tema do painel realizado no Auditório Congo, na tarde de terça (7), e moderado pela engenheira ambiental. Nanci Walter, presidente do Crea-RS, trouxe a preocupação dos palestrantes sobre a diminuição de mapeamento e monitoramento meteorológico no país. A engenheira Nanci ressaltou a importância do tema em tempos de mudanças climáticas. O meteorologista Lúcio Silva de Souza defendeu o uso de ferramentas de redução das incertezas nas ações climáticas e chamou atenção para a redução dos mapeamentos de áreas de inundação. Ele destacou que a falta de atualização desses estudos compromete o planejamento e a segurança das comunidades. Durante sua apresentação, Souza apresentou dados sobre a evolução dos eventos extremos nos últimos anos e apontou a alta dependência de tecnologias para o monitoramento climático. Souza explicou que o mapeamento meteorológico e hidrológico depende de um conjunto de ferramentas e tecnologias, como radares meteorológicos, sensores remotos, estações pluviométricas, modelos numéricos de previsão do tempo, além de imagens de satélite e sistemas de georreferenciamento (GIS). Segundo ele, a integração desses dados permite identificar áreas vulneráveis, prever volumes de chuva e planejar medidas preventivas. Durante a exposição, o meteorologista também citou os principais episódios de chuvas e inundações registrados no Rio de Janeiro, que resultaram em graves prejuízos materiais e perda de vidas. Ele frisou que muitos desses desastres poderiam ter sido minimizados com o uso adequado das ferramentas de mapeamento e a presença de profissionais habilitados na elaboração dos planos preventivos. Souza ponderou ainda que as inundações não podem ser atribuídas apenas às mudanças climáticas. Para ele, o problema também passa pela ausência de profissionais qualificados atuando nos mapeamentos, além da falta de fiscalização e de políticas públicas permanentes. “O que vemos é uma combinação de fatores: menos investimento em prevenção, menos profissionais técnicos envolvidos e uma fiscalização que não acompanha a realidade das cidades”, afirmou o meteorologista. Ele reforçou que a atuação técnica e responsável de profissionais habilitados, aliada ao uso correto das ferramentas de monitoramento, é essencial para garantir o planejamento adequado, reduzir riscos e proteger vidas diante dos eventos climáticos cada vez mais intensos. Meteorologia no Brasil: desafios e lacunas no monitoramento  Em sua palestra, o meteorologista José Carlos Figueiredo também lamentou a diminuição de monitoramento do tempo e da modernização de estruturas ou fechamento de institutos meteorológicos, “que tem o objetivo de fazer a vigilância para garantir a vida”.  Ressaltou o quanto a meteorologia é importante em guerra, na Marinha, e é feita de equações. “Como modernizar estruturas para fazer com que as equações respondam com eficácia e grande escala. A experiência e o conhecimento técnico são fundamentais para a leitura de detecção das tempestades para contribuir, por exemplo, para orientar pessoas que estão nas estradas.” Figueiredo destacou que cada radar meteorológico custa cerca de R$ 5 milhões, e o Brasil conta atualmente com apenas 2 em algumas regiões. Ele ainda apontou a ausência de fiscalização. O especialista citou órgãos que atuam no monitoramento meteorológico, como IPMET, CPTEC e Simepar, e explicou a importância de diferentes tecnologias: radares meteorológicos, estações coletoras de dados em tempo real e em horários especiais, satélites e sistemas de detecção de descargas elétricas. Durante sua apresentação, mostrou um mapa com várias regiões sem nenhum radar de monitoramento, ressaltando que grande parte do país está praticamente sem cobertura. Comparou a situação com os Estados Unidos, onde todo o território é rigorosamente monitorado, com radares e sistemas de alerta avançados, garantindo que qualquer evento meteorológico seja acompanhado em tempo real. Questionou ainda se existe algum lugar em que, quando chove, as pessoas não deveriam se dirigir, enfatizando a necessidade de atenção, planejamento e investimentos em monitoramento para reduzir riscos à população. Meteorologia para assegurar o desenvolvimento sustentável Em sua palestra, o engenheiro agrônomo e climatologista Eronildo Braga Bezerra trouxe uma reflexão sobre desenvolvimento sustentável. Segundo ele, não se deve confundir sustentabilidade com apenas a preservação de recursos florestais. É possível incentivar o desenvolvimento, indispensável para um país, implementando práticas sustentáveis que também contribuem para a redução da desigualdade. “A meteorologia tem papel fundamental ao monitorar e trazer dados para planejamento. Não há desenvolvimento sem sustentabilidade, nem sustentabilidade sem desenvolvimento. Partimos da premissa de que todos os recursos são finitos, e toda ação humana provoca impacto ambiental. A solução é investir em ciência e tecnologia para que o desenvolvimento ocorra com menor impacto ambiental”, salientou. O palestrante traçou um histórico da atuação humana, lembrando que no início, o impacto era pequeno, mesmo com o desenvolvimento da agricultura, devido à população reduzida e simplicidade dos meios de produção. Ele também trouxe dados atuais sobre a crise climática mundial, ressaltando o papel do Brasil como parte da solução: em 2023, o país emitiu 1,3 bilhão de toneladas de CO₂, o que representa 6,16 toneladas por habitante. Segundo Bezerra, a ciência precisa de dados confiáveis. “Trabalhamos com números e mapas, que retratam o absoluto da incerteza. Como fazer previsão se não temos dados validados? Não há padrão, e a escassez de dados de campo nos deixa diante de uma grande incerteza”, explicou. Ele ressaltou que, para avançar no desenvolvimento sustentável, é preciso definir uma pauta mínima, com consciência de que os recursos são finitos e que ações estratégicas devem reduzir assimetrias nacionais e regionais. Com informações da Comunicação do Confea e do Crea-RS

80ª SOEA: Diretora da Petrobras defende a busca de ‘cabeças brilhantes’ no ensino médio para os quadros da engenharia

A diretora de exploração e produção da Petrobras, a geóloga Sylvia dos Anjos – que representou a presidente da empresa, a engenheira Magda Chambriard – afirmou nesta manhã na 80a SOEA, em Vitória (ES), que é muito importante o recrutamento de jovens talentosos do ensino médio para as carreiras de engenheiros, agrônomos e geocientistas. “A gente sabe que um país que cresce, um país que tem aspiração, precisa da engenharia, da tecnologia, da agronomia. Então, a SOEA é muito importante para integrarmos forças para que a gente saia de um patamar que ainda é muito pequeno para o tamanho do Brasil. Precisamos de mais engenheiros, precisamos fomentar isso. E é importante que a gente chegue lá no nível médio para trazer as grandes cabeças brilhantes para a engenharia, para as ciências exatas, como a Agronomia, as geociências. A gente não vai vencer o desafio da corrida desenvolvimentista sem engenheiro”, afirmou a diretora da Petrobras, em entrevista exclusiva ao site do CREA-RJ. Primeira mulher a embarcar numa plataforma de petróleo no Brasil, Sylvia dos Anjos disse ter ficado muito feliz por ter sido convidada pelo Confea e reforçou a importância da Semana Oficial da Engenharia e Agronomia para o desenvolvimento do Brasil. “Isso é fundamental para um país que tem a natureza de ser grande. Então, participar aqui dessa semana mostra como a indústria do petróleo alavanca não só a Petrobras, a maior empregadora de engenheiros, a maior empregadora de geólogos do país, mostrando que ela é grande para fomentar o desenvolvimento da empresa e o desenvolvimento do Brasil”, disse Sylvia dos Anjos, que respondeu a perguntas do gerente executivo de programas estratégicos da Petrobras, o engenheiro Wagner Victer. Representado a presidente da Petrobras, a engenheira Magda Chambriard, Sylvia Anjos recebeu a Láurea do Mérito 2025 das mãos do presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Vinícius Marchese, com a presença do presidente do CREA-ES, Jorge Silva, do presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández, e da conselheira federal Carmen Petraglia. Magda não pôde comparecer porque participava da reabertura de um estaleiro e uma fábrica de gás fertilizante na Bahia. Ela foi indicada ao prêmio pelo CREA-RJ. Em seu lugar, Sylvia dos Anjos recebeu as homenagens.  A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, enviou uma mensagem por vídeo para agradecer o convite da SOEA e a homenagem prestada pelo Confea e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ). “A Petrobras reconhece a SOEA como sendo fundamental para o debate técnico a fim de se propor soluções para o desenvolvimento sustentável é fortalecer o papel dos profissionais do sistema Confea/CREA. Esse reconhecimento é uma importante conquista quando acreditamos no poder transformador da engenharia. Divido esse prêmio com todos os funcionários e em especial os engenheiros e engenheiras. O Brasil é a nossa energia”, discursou Magda, no vídeo exibido num telão do auditório Moqueca Capixaba. Antes da homenagem, a diretora Sylvia dos Anjos falou sobre “a indústria do petróleo como a alavancadora do desenvolvimento econômico, da tecnologia e da sustentabilidade ambiental do Brasil”. Sylvia fez um breve histórico do crescimento da Petrobras que é hoje a maior empregadora de engenheiros e geólogos do país.  “Nosso maior desafio sempre foi provar que havia petróleo, depois que poderíamos produzir petróleo no país; competimos e vimos que podemos ganhar de todos”, ressaltou a diretora de exploração e produção de petróleo. Sylvia lembrou que a Petrobras passou, em sete décadas, de uma produção de 2.700 barris para quatro milhões e 600 mil barris por dia, transformando o Brasil no sexto maior produtor de petróleo do mundo. “Em 2006, conseguimos nos tornar auto suficientes com a Bacia de Campos e hoje o petróleo é a maior receita de exportação do país”, destacou a executiva que faz parte de uma empresa que tem mulheres em cinco dos nove cargos de direção, incluindo a presidência. A diretora da Petrobras ressaltou também a importância da descoberta de novas fronteiras do petróleo, como a Margem Equatorial. “Tivemos três descobertas nas bacias de campos e de Santos, aumentando a produção. Toda vez que há alta produção, a tendência é esquecer que esse patamar vai ocorrer ad infinitum. Por isso, a importância de novas fronteiras como a margem equatorial”, disse Sylvia. Tanto Sylvia dos Anjos e Wagner Victer destacaram a importância da indústria do petróleo para a economia, em contraposição às críticas de que a indústria prejudica o meio ambiente. “O IDH dos povos é dependente de energia”, afirmou Sylvia. “A Petrobras produz petróleo com menos carbono associado. O primeiro objetivo do desenvolvimento sustentável é acabar com a miséria. O Brasil é responsável por 1% das emissões de combustível fóssil. Quando falam em parar a produção de petróleo da Petrobras, possivelmente é para atender a interesses internacionais e geopolíticos”,  apontou Wagner Victer, gerente executivo de programas estratégicos da Petrobras. Wagner Victer destacou também a importância dos conselhos profissionais para o desenvolvimento econômico do país. “Através da engenharia e tecnologia conseguimos superar uma série de desafios no Brasil. A Petrobras tem um compromisso com todos os conselhos de classe e em especial com os Crea. Os profissionais da empresa só conseguem alguns bônus se estiverem em dia com as unidades de seus conselhos”, explicou Victer.

Engenharias brasileiras lançam manifesto rumo à COP-30

A tarde de 8 de outubro, durante a 80ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), foi marcada por reflexões sobre o papel da Engenharia, da Agronomia e das Geociências diante da crise climática global. O painel “Manifesto da Engenharia, da Agronomia e das Geociências para a COP-30” reuniu profissionais e lideranças do Sistema Confea/Crea e Mútua em um debate que destacou a responsabilidade técnica e ética das profissões na construção de um futuro sustentável. A mediação foi conduzida pelo coordenador da Comissão Temática de Meio Ambiente do Confea, eng. eletric. Sérgio Maurício Mendonça Cardoso, e contou com as participações da presidente do Crea-PA, eng. civ. Adriana Falconeri; do vice-presidente do Crea-PA, eng. contr. autom. Everton Ruggeri Silva Araújo; do secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo, eng. pro. Felipe Rigoni Lopes; e do diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), eng. amb. Gustavo Picanço Feitoza. A origem do manifesto A presidente do Crea-PA, Adriana Falconeri, abriu o painel compartilhando sua trajetória dentro do Sistema, onde atua desde 2011. Com base em sua vivência, ela fez um apelo pela união da categoria. “Percebi, ao longo desses anos, o quanto somos desunidos e até parados. Precisamos entender que não somos concorrentes, somos colegas. Nossos concorrentes são aqueles que não são engenheiros e estão fazendo o nosso trabalho”, afirmou. Foi desse sentimento coletivo de valorização profissional que nasceu o Movimento das Engenharias, Agronomia e Geociências para a COP-30, culminando na elaboração do manifesto. “Este documento é a opinião da engenharia nacional sobre um evento planetário, mundial, que pela primeira vez será realizado no Brasil, na América Latina e no Estado do Pará. A engenharia precisava se posicionar — e esse é o nosso posicionamento”, explicou Adriana. A COP-30 e o protagonismo técnico Os palestrantes contextualizaram a importância da COP-30, conferência global que reunirá líderes de mais de 190 países em Belém, em novembro deste ano, para discutir políticas de enfrentamento às mudanças climáticas. O painel destacou dados alarmantes: em 2025, o mundo ultrapassou o sétimo dos nove limites planetários estabelecidos pela ciência, e 2024 foi o ano mais quente já registrado. As consequências estão cada vez mais visíveis — enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul, seca histórica na Amazônia, erosão costeira em Atafona (RJ) e o chamado “ponto de não retorno” na Floresta Amazônica. Diante desse cenário, a Engenharia, a Agronomia e as Geociências foram apresentadas como linhas de frente no combate à crise climática. Com 322 títulos profissionais reconhecidos pelo Sistema Confea/Crea, essas áreas abrangem praticamente todos os campos necessários ao desenvolvimento sustentável. “Nós mesmos, dentro da Engenharia, muitas vezes não conhecemos a fundo o que as outras especialidades fazem. Imagine, então, a sociedade. Antes de conscientizar o público, precisamos nos conscientizar como classe”, ressaltou Adriana. A consulta pública e o Manifesto NacionalO painel também detalhou como ocorreu a Consulta Pública Nacional promovida pelo Sistema Confea/Crea e Mútua, que reuniu contribuições técnicas de profissionais de todo o Brasil. A iniciativa tem como objetivo selecionar propostas em mitigação e adaptação climática que irão compor o Manifesto das Engenharias, Agronomia e Geociências para a Governança Climática — documento que será apresentado como posicionamento técnico qualificado na COP-30. Segundo o vice-presidente do Crea-PA, Everton Ruggeri, o movimento surge em um momento histórico. “A COP-30 é o maior evento climático do mundo, e era fundamental que o Sistema se manifestasse. O Manifesto será entregue a órgãos públicos e à ONU, e representa a voz técnica dos nossos profissionais”, destacou. Everton explicou que, para estimular a participação, foram realizados grupos de trabalho e eventos preparatórios no Pará, como o estudo sobre a manutenção de árvores na região metropolitana de Belém. Ele também mencionou que o Sistema Confea/Crea marcará presença na Green Zone da COP-30, espaço de participação da sociedade civil, e destacou a fiscalização das obras do evento — que contam com 80% da mão de obra proveniente do próprio estado. As propostas da consulta pública foram organizadas em sete eixos principais: saneamento e infraestrutura resiliente (20%), inovação tecnológica e empreendedorismo verde (20%), planejamento territorial e cidades (15%), mudanças de uso da terra e florestas (12%), gestão de resíduos sólidos (12%), agropecuária de baixo carbono (7%) e transportes e mobilidade urbana (5%). O Pará liderou o número de contribuições, seguido pelo Paraná e pelo Espírito Santo. Everton destacou que o Crea-PA criou um grupo de trabalho para sistematizar as propostas com base em critérios técnicos rigorosos de avaliação, como o alinhamento às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) do Brasil, compatibilidade com o Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) e harmonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre os critérios de exclusão estão propostas voltadas a órgãos específicos, ideias repetidas e soluções genéricas sem detalhamento técnico. Os resultados parciais apontaram proposta nas áreas de alta taxa de aproveitamento nas áreas de saneamento (57,4%), agropecuária de baixo carbono (70,6%) e gestão de resíduos sólidos (55,2%). “Essa é a forma de cada um de vocês contribuir para a COP-30 e para as ações de enfrentamento ao clima”, concluiu Everton. Mitigação, adaptação e formação profissional O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo, eng. prod. Felipe Rigoni Lopes, falou sobre o papel das Engenharias, Agronomia e Geociências nas ações de mitigação e adaptação climática. “Mitigação são as ações que nos fazem ter menos mudanças. Adaptação é aprender a conviver com as mudanças que já aconteceram ou estão acontecendo”, explicou.  Rigoni destacou que a descarbonização da economia é uma meta inevitável: “precisamos chegar ao ponto em que a quantidade de carbono emitida seja igual à que conseguimos absorver.” Ele apresentou exemplos de atuação técnica em reflorestamento, monitoramento de barragens e transição energética em indústrias capixabas, destacando que todas as ações possíveis de enfrentamento climático envolvem, no mínimo, um dos 322 perfis profissionais do Sistema Confea/Crea e Mútua. Para o secretário, além das mudanças tecnológicas, é necessário repensar a formação profissional. “Nossos futuros engenheiros precisam ser preparados para um mundo de extremos

Estande da Mútua na 80ª SOEA recebe lançamento de livro sobre Pioneirismo Feminino

O estande da Mútua na 80ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), em Vitória (ES), foi palco de importantes lançamentos que valorizam o conhecimento técnico, o empreendedorismo e a representatividade na Engenharia. O Mútua Mulher promoveu, na quarta-feira (08/10), o lançamento da publicação “Pioneirismo Feminino na Engenharia Brasileira”, de autoria da engenheira civil Carmem Eleonôra Amorim. O texto destaca trajetórias de mulheres que abriram caminhos e se tornaram referência na Engenharia brasileira, reforçando o papel transformador feminino nas profissões da área tecnológica.  “Quero agradecer ao Joel Krüger, que sempre me incentivou e hoje estamos ocupando vários espaços na Paraíba, na OAB  e até no Governo Federal”, agradeceu Carmem Eleonôra. Com a presença do presidente da Mútua, Joel Krüger, e da presidente Nacional das Associações de Mulheres da Engenharia, Agronomia e Geociências (Fameag), Poliana Krüger, Carmem apresentou seu projeto que resgata a história das mulheres que desbravaram a engenharia. “Nós temos que nos inspirar nas pioneiras para poder olhar para a frente”, afirmou o presidente da Mútua nacional, engenheiro civil Joel Krüger. “A nossa federação nasceu com muito amor à engenharia, à profissão e queremos incentivar as mulheres. Temos um propósito: aumentar o número de mulheres profissionais dentro do nosso Sistema. Estamos em 20%, precisamos de voz, precisamos estar em todos os lugares, nas políticas públicas e privadas”, disse Poliana Krüger. Com informações do site e do Instagram da Mútua (@mutuadeassistencia) https://www.mutua.com.br/estande-da-mutua-na-80a-soea-recebe-lancamento-de-livros-e-documentario/