Presidente do CREA-RJ no Rio Innovation Week: ‘Falta estratégia de saneamento para a população rural’
Acompanhado de diretores e assessores, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), engenheiro Miguel Fernández, correu uma verdadeira maratona nesta quarta-feira, dia 13, para dar quatro palestras sobre temas diversos na Rio Innovation Week, a maior conferência global de tecnologia e inovação, que acontece no Píer Mauá até sexta (15/8). Com pique de atleta, Fernández correu de um palco para outro para não perder a hora de cada agenda. De 11h30m às 18h, o engenheiro esteve à frente de quatro eventos e ainda arrumou tempo para duas entrevistas para plataformas de streaming da rádio BandNews FM. Miguel Fernández com o subsecretário de Agricultura do estado, engenheiro agrônomo Felipe Brasil “Dentro das minhas possibilidades, vale todo esforço para contribuir com a nossa estratégia de retomar o protagonismo das engenharias em nosso estado”, afirmou Fernández que participou do palco do governo do estado para falar sobre “Infraestrutura essencial: saneamento, adaptação climática e IA para cidades inclusivas”; de um talk show com Eric Beraldo, head de marketing da PD7 Tecnologia; de um masterclass intitulado “Decidir é preciso – Teoria dos jogos para vida real”; e de outro bate-papo, desta vez com o subsecretário de Agricultura do estado, o engenheiro agrônomo Felipe Brasil, com o tema “Do campo à inovação: caminhos para o saneamento rural sustentável”. Neste painel, realizado no pavilhão Agrotech do governo do estado, Miguel Fernández apresentou um panorama do saneamento rural no país, que é muito precário. Segundo dados do censo do IBGE, de 2010 a 2022, o abastecimento de água chegou a 85% de toda a população brasileira, enquanto que apenas a 24% da população rural. No caso de esgotamento sanitário, apenas 5,6% da população rural têm acesso a esse serviço. “Infelizmente no Brasil a região rural está fora do sistema de saneamento básico. E o pior: não existe estratégia para a população rural”, apontou Fernández, lembrando que 30% da população brasileira vivem nas áreas rurais. Apesar do cenário catastrófico, Fernández lembrou que oferece enormes oportunidades para os profissionais das engenharias, sobretudo a agronomia, o “A” do CREA-RJ. Ex-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária do Rio (ABES), com experiência em recursos hídricos e saneamento, o presidente do CREA-RJ destacou que é fácil perceber que a ausência de saneamento e abastecimento de água é a principal causa do aumento de doenças. Fernández lembrou que “na zona rural as soluções não são coletivas como acontece no contexto urbano; são soluções individualizadas, para apenas uma família”, o que torna mais difícil a capacidade de investimento do poder público. Fernández destacou quatro alternativas para se ter acesso para o fornecimento de água e o saneamento em zonas rurais: a captação de água de chuva; as fossas sépticas biodigestoras garantem o tratamento da água, evitando a contaminação; os jardins filtrantes; e sistemas de cloração da água (uma colher de café para 500 a 1.000 litros de água a ser consumida). Ele observou que poços artesianos precisam ter profundidade para escapar do risco de contaminação do lençol freático. Após a palestra, Fernández aceitou o convite de Felipe Brasil para conhecer os estandes de startups de agronomia e de 47 produtores agrônomos e empreendedores que oferecem as maiores guloseimas da Rio Innovation Week – de laticínios a morangos, passando por sucos de laranja, água de coco e cachaças regionais. Fernández foi recebido no pavilhão Agrotech pelo presidente da Pesagro (Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio), o engenheiro Paulo Renato Marques, e homenageado pela pró-reitora de Pós-Graduação e Capacitação Profissional da Univassouras, a professora Cristiane Siqueira. No Palco 4 do Armazém 1B, no espaço Sociedade 5.0, Miguel Fernández participou de debate sobre infraestrutura essencial com Allan Borges, superintendente de ESG da Cedae, e Bernardo Cardozo, presidente do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro (IEEA), com intermediação da jornalista Luana Paes. Eles falaram sobre o papel estratégico do saneamento básico e da infraestrutura adaptável como pilares fundamentais para a resiliência urbana e a Justiça Climática. O presidente do CREA-RJ enfatizou que o bem-estar nas cidades inteligentes depende cada vez mais da fiscalização feita pelo Conselho nos serviços de manutenção. Ele citou o exemplo de uma ação de fiscalização do CREA, que resultou em providências tomadas pela prefeitura de Niterói para recuperar uma ponte que estava ameaçada de cair e causar uma tragédia ambiental na Baía de Guanabara. Allan Borges, da Cedae, defendeu que os gestores públicos precisam entender que é impossível separar desenvolvimento econômico de sustentabilidade. “A agenda da engenharia civil e da arquitetura precisa preparar a cidade para as pessoas. E isso significa trabalhar a saúde e o social. Cidade boa é a cidade que existe muito além das pranchetas”, afirmou Borges, questionando como cumprir o Marco do Saneamento, previsto para 2033, “sem ligar as favelas na rede formal de saneamento da cidade”. Em talk show com Eric Beraldo, head de marketing da PD7, o presidente do CREA-RJ afirmou que o Conselho está se preparando para capacitar os engenheiros eletricistas para lidar com a transição energética e o aumento da frota de veículos elétricos no estado. “Os engenheiros eletricistas compõem o segundo maior grupo de profissionais do CREA depois da construção civil. O CREA não pode estar ausente dessa questão da transição energética, seja para a infraestrutura existente seja para os novos desafios. Uma das nossas missões é a valorização profissional. Nessa lógica procuramos ampliar desde oportunidades de trabalho e remuneração melhor, assim como boa reputação e capacitação dos profissionais”, afirmou Miguel Fernández, lembrando que pela segunda vez o Conselho oferece aos profissionais do sistema ingressos gratuitos para a Rio Innovation Week. Nesta edição foram mil ingressos. Miguel acaba uma conversa e parte para outra, cruzando entre as centenas de pessoas que circulam pela Rio Innovation Week, que dura até sábado. No Armazém 3, Palco 9, o presidente do CREA-RJ deu um masterclass sobre sua metodologia de tomada de decisão, desmentindo o provérbio popular que diz que “azar no jogo, sorte no amor”. Fernández apresentou três exercícios que comprovam que a pessoa, se tomar as
CREA-RJ participa de debate inédito sobre a instalação de eletropostos em prédios, durante a Rio Innovation Week
O superintendente técnico do CREA-RJ, engenheiro Leonardo Dutra (segundo da esquerda para a direita) participa de debate sobre eletropostos O Revolution, palco de lançamentos tecnológicos da Rio Innovation Week, foi o cenário de um painel histórico sobre as regras, boas práticas e exigências técnicas para a instalação de estações de recarga de veículos elétricos em prédios residenciais e corporativos, nesta quarta-feira, dia 13. Em sua 5ª edição na cidade do Rio de Janeiro, a Rio Innovation Week é a maior conferência global de tecnologia e inovação, com o tema “Um olhar através da ética”. A mesa reuniu nomes relevantes: Leonardo Dutra, superintendente técnico do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ); o tenente-coronel Wanderson e o major Sermoud, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ); Gustavo Tanure, CEO da Ezvolt; e Paulo Duarte, CEO da PD7 Tech, uma das líderes no setor de tecnologia e inovação no Brasil. A PD7 participou com estande no CREA AQUI e montou um dos maiores estandes na Rio Innovation, com seis robôs atuando em vários segmentos. O encontro buscou tornar mais claras as regras vigentes, apresentando o panorama atual das normas e as orientações técnicas do CBMERJ publicadas em março de 2025, em caráter temporário, até a publicação da diretriz nacional e da futura norma estadual. O superintendente técnico do CREA-RJ, engenheiro civil Leonardo Dutra, destacou a aplicação da ABNT NBR 17019 e a necessidade de que empresas instaladoras possuam corpo técnico habilitado e acervo registrado, garantindo maior segurança para síndicos, gestores e administradores. Dutra destacou que é fundamental que a instalação de eletropostos seja feita por responsável técnico com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no CREA. “Sempre que você contrata um serviço técnico, é fundamental entender que é imprescindível contar com um profissional habilitado e qualificado para aquela atividade. Quando esse serviço é feito sem responsabilidade técnica, o proprietário, síndico ou gestor do empreendimento passa a assumir, sozinho, todas as responsabilidades legais — civis e até criminais. Mas não se trata apenas de ter “alguém para assinar”. Trata-se de ter um profissional verdadeiramente capacitado, que vai seguir todas as normas técnicas (como as NBRs), aplicar as boas práticas da engenharia e mitigar riscos”, explica Leonardo Dutra. O superintendente técnico do CREA-RJ assinalou que “a cidade do futuro será elétrica, conectada e sustentável”. “Mas a cidade também precisa ser segura, normativa e bem projetada. E isso só será possível com engenharia valorizada e responsabilidade técnica em cada etapa”, observou Dutra. O major Sermoud, dos bombeiros, ressaltou que, até o momento, “ainda não tivemos no Rio de Janeiro registros de incêndios envolvendo veículos elétricos”, mas reforçou a importância de seguir rigorosamente as medidas preventivas e recomendações do Corpo de Bombeiros. A visão do mercado Para Paulo Duarte, da PD7 Tech, a urgência é clara: “A instalação de novos eletropostos é uma demanda urgente. Ter empresas com cadastro no CBMERJ e no Crea, com lastro técnico comprovado, é mandatório para a segurança das edificações e de seus usuários”. Gustavo Tanure complementou, reforçando a importância da experiência: “Para garantir uma instalação adequada e segura, é fundamental contratar empresas especialistas em eletromobilidade, com histórico de projetos similares já executados. Isso evita riscos e problemas comuns quando o serviço é feito por empresas inexperientes em um setor tão novo e complexo”. O painel evidenciou a importância da colaboração entre órgãos reguladores, corpo técnico e empresas privadas para viabilizar um crescimento seguro e sustentável da infraestrutura de recarga no país. Mais informações sobre as diretrizes e orientações do Corpo de Bombeiros sobre eletropostos podem ser encontradas no site oficial: www.cbmerj.rj.gov.br