Próximos Encontros Microrregionais acontecem em São Pedro D’Aldeia e Nova Friburgo
O CREA-RJ segue promovendo os Encontros Microrregionais (EMRs) preparatórios para o 12º Congresso Estadual de Profissionais (CEP), que mobilizam profissionais de todo o estado em torno do tema: “Engenharia, Agronomia e Geociências no desenvolvimento das cidades”. O debate está alinhado aos eixos temáticos: Acessibilidade e Mobilidade Urbana; Saneamento Básico; Engenharia Pública; Qualidade Ambiental e Desenvolvimento Sustentável Energético para os municípios. As próximas reuniões acontecem em São Pedro D’Aldeia (10/07) e Nova Friburgo (11/07). Podem participar dos encontros com direito a voz e voto profissionais registrados no Crea-RJ com anuidade de 2025 em dia. Estudantes da área tecnológica e convidados podem participar com direito a voz, mas não a voto. O encontro microrregional de Nova Friburgo contará com a participação especial do geólogo Guilherme Estrella, da Petrobras, um dos responsáveis pela descoberta do Pré-Sal. Após o evento, a AEANF (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Nova Friburgo) realizará uma confraternização por adesão e com vagas limitadas. Para mais detalhes e reserva de vaga, acesse: https://forms.gle/sFEPkhkoQMqmxQ9X8. Com participação gratuita, os EMRs são espaços para o debate e elaboração de propostas que serão consolidadas no 12º CEP, marcado para 2 de agosto, no Hotel Windsor Guanabara, no Centro do Rio. Os profissionais registrados no CREA-RJ com anuidade em dia também podem concorrer a delegados que irão representar suas regiões no 12º CEP, podendo, se eleitos, participarem do Congresso Nacional de Profissionais, que acontecerá em outubro no Espírito Santo. As inscrições podem ser feitas antecipadamente pelo site www.crea-rj.org.br/12cep ou presencialmente no local. Confira as próximas datas e locais: 09/07 (quarta-feira): São Pedro D’AldeiaHorário: 18h às 21hLocal: Firjan (RJ-140 – Vila São Pedro) 10/07 (quinta-feira): Nova FriburgoHorário: 14h às 18hLocal: Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (Av. Alberto Braune,111 – Centro) Na sequência, os próximos encontros microrregionais acontecem em Maricá (17/7) e Rio de Janeiro (23/7).
Domo de Araguainha, uma cicatriz de 250 milhões de anos, no coração do Brasil

Na divisa entre os estados de Goiás e Mato Grosso, entre as pequenas vilas de Araguainha e Ponte Branca, encontra-se um verdadeiro monumento natural que poucos brasileiros conhecem: o Domo de Araguainha. Trata-se da maior cratera de impacto meteórico já registrada no Brasil — e também em toda a América do Sul. Com impressionantes 40 quilômetros de diâmetro, a estrutura é resultado do choque de um asteroide contra a crosta terrestre, há cerca de 250 milhões de anos. A colisão ocorreu no fim do período Permiano, quando a região fazia parte de um mar raso que recobria grande parte do supercontinente Gondwana. Estimativas baseadas em datações isotópicas (U–Pb) indicam que o impacto se deu por volta de 254,7 ± 2,5 milhões de anos atrás, coincidindo, em termos geológicos, com o evento de extinção em massa que dizimou cerca de 90% das espécies do planeta — o maior da história da Terra. À primeira vista, a cratera não se parece com uma típica cavidade circular. Com o passar do tempo, o impacto foi sendo disfarçado por processos erosivos e deposições sedimentares. Mas o que ainda impressiona é o domo central elevado, com cerca de cinco quilômetros de diâmetro, formado por rochas como granito alcalino (datado em aproximadamente 512 milhões de anos) e sedimentos mais antigos, como filitos e meta-arenitos neoproterozoicos — materiais que antes se encontravam a quilômetros de profundidade. Essa elevação no centro da cratera foi causada por um fenômeno conhecido como “rebound” elástico: após o impacto, as camadas da crosta se comportaram como um líquido sendo atingido por uma gota, criando uma elevação central devido à força do choque. Ao redor desse núcleo, há uma faixa anelar de arenitos deformados, brechas e suevitos — rochas fragmentadas e parcialmente fundidas durante o impacto, características típicas de crateras de origem extraterrestre. Reconhecida como geossítio de importância internacional e incluída na lista dos 100 patrimônios geológicos mundiais da IUGS, a cratera de Araguainha tem sido objeto de estudo de geólogos desde a década de 1970. A estrutura guarda pistas valiosas sobre processos geológicos extremos e fornece dados essenciais para áreas como estratigrafia, petrologia, geoquímica e geologia estrutural. Hoje, Araguainha é considerada uma espécie de “livro aberto” para a história da Terra, e vem sendo cada vez mais visitada por pesquisadores, estudantes e entusiastas. O local também possui potencial turístico, com trilhas geológicas, mirantes e afloramentos expostos — e poderia ser transformado em um parque geológico de interesse nacional, ajudando a promover o turismo sustentável e a educação científica. Apesar de seu valor natural e científico, a cratera enfrenta desafios. A construção da rodovia MT-100, por exemplo, que corta parte da borda norte da estrutura, pode gerar impactos ambientais caso não haja fiscalização e preservação adequadas. Para especialistas, o ideal seria integrar a região a políticas de conservação e incentivo à ciência, valorizando esse verdadeiro tesouro geológico. Descoberta por acaso em 1969 e identificada como cratera de impacto apenas anos depois, Araguainha ainda guarda muitos segredos sob seus solos vermelhos. Ela é, ao mesmo tempo, uma cicatriz e um testemunho do passado planetário — e segue esperando que mais brasileiros a descubram. Fonte: artigo da Coluna Deriva Continental (Superinteressante), dos geólogos Álvaro Penteado Crósta, Natalia Hauser, Wolf Uwe Reimold e Joana Paula Sánchez. https://super.abril.com.br/coluna/deriva-continental/conheca-o-domo-de-araguainha-a-maior-cratera-de-impacto-meteoritico-do-brasil