
O Telescópio Espacial Euclides, lançado pela Agência Espacial Europeia (ESA) com apoio da NASA, deu início a uma das mais ousadas missões astronômicas da atualidade: a criação do maior atlas cósmico já produzido pela humanidade. O projeto tem como objetivo principal mapear em três dimensões mais de um bilhão de galáxias, revelando a estrutura do universo ao longo de 10 bilhões de anos-luz.
Em sua primeira grande liberação de dados, o Euclides já observou impressionantes 26 milhões de galáxias, das quais cerca de 380 mil foram classificadas. Os números, além de grandiosos, apontam para descobertas que podem desafiar as teorias atuais sobre a formação e evolução das galáxias — e, potencialmente, reescrever parte do conhecimento astronômico construído ao longo do último século.
A principal meta da missão é investigar os componentes mais misteriosos do cosmos: a matéria escura e a energia escura, que, juntas, compõem cerca de 95% do universo conhecido, mas ainda são pouco compreendidas. Ao mapear com precisão a distribuição das galáxias e suas formas ao longo do tempo, os cientistas esperam obter pistas importantes sobre como essas forças invisíveis moldam a expansão e a estrutura do universo.
Um dos marcos mais recentes da missão foi a divulgação de um gigantesco mosaico cósmico com 208 gigapixels — uma resolução impressionante que cobre uma área do céu 500 vezes maior do que a da Lua cheia. Essa imagem, que representa apenas 1% do que se espera obter ao final da missão, já revelou cerca de 14 milhões de galáxias e dezenas de milhares de estrelas da Via Láctea.
A riqueza dos dados coletados e a qualidade das imagens produzidas fazem do Euclides uma peça-chave para uma nova era da astronomia observacional. Os pesquisadores acreditam que, ao longo dos próximos anos, a missão não apenas trará respostas sobre a origem e o destino do universo, mas também abrirá caminho para novas perguntas e possibilidades científicas.
Fonte: Super Interessante