Setembro Amarelo: valorização da vida e prevenção ao suicídio

Setembro Amarelo é uma campanha nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio, instituída em 2014 por iniciativa conjunta do Centro de Valorização da Vida (CVV), da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM). A escolha da cor amarela e a realização das ações ao longo do mês estão alinhadas ao Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, reconhecido internacionalmente, em 10 de setembro, pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2003.

A campanha tem contribuído para ampliar o diálogo sobre o tema, promovendo a quebra de tabus e estimulando abordagens mais abertas e sensíveis em diversos contextos sociais, como nas famílias, instituições de ensino, ambientes de trabalho, meios de comunicação e nas esferas governamentais. No entanto, apesar dos avanços observados, o suicídio ainda é uma questão complexa e cercada de estigmas, o que reforça a importância de ações contínuas de informação, acolhimento e incentivo à busca por ajuda especializada.

A escuta empática, o apoio emocional e o encaminhamento ao acompanhamento médico especializado, sobretudo ao psiquiatra, são fundamentais para prevenir o agravamento de crises emocionais. Identificar sinais de alerta, oferecer apoio sem julgamentos e fortalecer vínculos de confiança são atitudes que podem salvar vidas.

Panorama no Brasil

De acordo com estudo publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas, conduzido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em parceria com pesquisadores da Universidade Harvard, no período de 2011 a 2022 a taxa de suicídio entre jovens brasileiros apresentou um crescimento médio anual de 6%. No mesmo período, os registros de autolesões na faixa etária entre 10 e 24 anos aumentaram, em média, 29% ao ano.

Embora os dados globais indiquem uma redução de 36% nas taxas de suicídio entre os anos de 2000 e 2019, a situação nas Américas seguiu em sentido contrário, com um aumento de 17% no período. No Brasil, o crescimento foi ainda mais significativo: 43%. Ainda segundo a pesquisa do Cidacs/Fiocruz, em 2022 houve elevação das notificações de autolesões em todas as faixas etárias, desde os 10 anos até os maiores de 60 anos.

Entre adolescentes de 15 a 19 anos, as taxas de mortalidade por suicídio subiram 49,3% entre 2016 e 2021, chegando a 6,6 por 100 mil habitantes. Já entre adolescentes de 10 a 14 anos, o aumento foi de 45%, com taxa de 1,33 por 100 mil. Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde, divulgados em 2022, mostram ainda que a taxa de mortalidade por suicídio entre homens (12,6 por 100 mil) é mais que o dobro da observada entre mulheres (5,4 por 100 mil).

Em termos globais, as taxas entre homens tendem a ser mais elevadas em países de alta renda (16,6 por 100 mil), enquanto as mulheres apresentam maior incidência em países de renda baixa e média (7,1 por 100 mil). Até o momento, apenas 38 países no mundo possuem estratégias nacionais específicas para prevenção do suicídio.

O papel do CVV na prevenção

Fundada em 1962, o Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma organização que atua de forma voluntária, gratuita e sigilosa, oferecendo apoio emocional por meio do telefone 188 — disponível 24 horas por dia, todos os dias do ano — além de atendimento por chat, e-mail e, em alguns locais, presencialmente.

Atualmente, cerca de 3,5 mil voluntários, distribuídos em aproximadamente 100 postos em todo o país, acolhem pessoas que buscam um espaço de escuta sem julgamentos, com respeito, empatia e compromisso com a valorização da vida. Desde 2015, com a implantação do número 188, em parceria com o Ministério da Saúde, os atendimentos anuais ultrapassam 3 milhões.

Mais informações sobre os canais de atendimento e sobre como se tornar voluntário estão disponíveis no site www.cvv.org.br.

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