A conservação da biodiversidade brasileira depende, em grande medida, das áreas localizadas dentro de propriedades privadas. Com essa premissa, o projeto GEF Áreas Privadas – Conservando Biodiversidade em Paisagens Rurais atua para ampliar o manejo sustentável da paisagem, fortalecer a proteção dos ecossistemas e promover a integração entre produção rural e conservação ambiental.
A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com financiamento do Global Environment Facility (GEF), implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e execução do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). O projeto parte do entendimento de que aproximadamente metade da vegetação nativa brasileira encontra-se em imóveis rurais privados, o que torna essas áreas fundamentais para a manutenção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.
Entre os objetivos da iniciativa estão a ampliação da conectividade entre remanescentes de vegetação nativa, a redução da degradação ambiental, a proteção de espécies ameaçadas e o fortalecimento da capacidade das paisagens rurais de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas. O projeto também busca incentivar práticas produtivas compatíveis com a conservação dos recursos naturais.
As ações estão concentradas em duas áreas-piloto. A primeira é a Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto, localizada no Cerrado goiano, com cerca de 872 mil hectares distribuídos por seis municípios. A segunda é a Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João, situada no estado do Rio de Janeiro, abrangendo aproximadamente 150,7 mil hectares em sete municípios da região.
O projeto está estruturado em três componentes principais. O primeiro é voltado à conservação da biodiversidade em propriedades privadas, com ações destinadas à recuperação da vegetação nativa, à redução da fragmentação dos habitats naturais e à criação de mecanismos de incentivo para proprietários rurais. A proposta inclui o apoio à adequação ambiental das propriedades e o estímulo a atividades econômicas compatíveis com a conservação.
O segundo componente tem como foco a conectividade da paisagem e a integração da biodiversidade ao setor florestal. As ações buscam aproximar áreas de vegetação nativa e florestas plantadas, promovendo práticas capazes de conciliar produção e conservação, além de subsidiar decisões relacionadas à recuperação ambiental e ao planejamento territorial.
O terceiro eixo concentra-se no fortalecimento das políticas públicas voltadas à conservação em áreas privadas. Entre as medidas previstas estão o apoio à gestão de Áreas de Proteção Ambiental, o fortalecimento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, o desenvolvimento de instrumentos para a tomada de decisão e o aprimoramento de mecanismos de governança ambiental.
Além da atuação direta nos territórios selecionados, o projeto busca gerar conhecimento e instrumentos que possam ser replicados em outras regiões do país. A iniciativa informa contribuir para a implementação de diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e para metas estabelecidas pelo Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal.