Criado em 1948, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro é um dos mais importantes centros culturais do Brasil e desempenha um papel fundamental na promoção da arte no país. O MAM, como é conhecido, possui uma das mais relevantes coleções de arte moderna e contemporânea da América Latina, com mais de 16 mil obras. Sua atuação se dá sobre o tripé arte-educação-cultura.
Reconhecido como um marco da arquitetura moderna mundial, o edifício sede do MAM foi projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy e se localiza, desde 1958, em terreno doado pela prefeitura – espaço aterrado junto à Baía de Guanabara, que hoje compõe o Parque do Flamengo. Famoso pela integração harmoniosa com o entorno natural, o MAM teve seus jardins projetados pelo paisagista Roberto Burle Marx, que também integrou a equipe que realizou alguns anos depois o paisagismo do próprio parque.
O início das obras se deu em dezembro de 1954, quando o bate-estaca foi acionado pelo então presidente Café Filho. Uma cápsula do tempo foi enterrada junto às fundações, contendo marcas do período, como moedas, notas e recortes de jornal. A inauguração do Bloco Escola se deu em janeiro de 1958, quando uma palmeira foi plantada pelo presidente Juscelino Kubitschek nos jardins do MAM. O Bloco Escola foi o primeiro a ficar pronto e serviu como espaço de exposições até 1967, quando o Bloco de Exposições foi finalizado. Reidy não chegou a ver sua obra acabada.
Intelectualidade e o pós-guerra
Fruto do colecionismo nacional de artistas modernos em um período de pós-guerra na Europa, a fundação de uma instituição que colecionaria e exibiria a arte do século XX, em especial as de vanguarda, faz com que o meio das artes visuais cariocas finalmente deslocasse a ênfase acadêmica da Escola e do Museu Nacional de Belas Artes em direção a um novo momento.
Em diálogo com a criação de museus com o mesmo perfil em outras cidades (seu modelo foi a fundação do MoMA de Nova York em 1929), o MAM nasce como entidade civil, cujo grupo de intelectuais sediados no Rio – como o presidente Raimundo Castro Maya, além de Manuel Bandeira, Rodrigo Melo Franco de Andrade e Quirino Campofiorito – criam em 1948 sua ata inaugural. Em 1951, ano da primeira Bienal Internacional de Artes de São Paulo, o MAM já realiza exposições – inicialmente no prédio do Banco Boa Vista (um projeto de Oscar Niemeyer), localizado na Avenida Presidente Vargas, na altura da Candelária. Em 1952, ainda sem sede definitiva, se instala no Palácio Gustavo Capanema, prédio modernista do Ministério da Educação. No mesmo ano, obtém a doação da prefeitura e a licença da Câmara dos Vereadores para ocupar um terreno de quarenta mil metros quadrados, localizado no aterro da praia de Santa Luzia, nas bordas da Baía da Guanabara.
Sua Diretora-executiva e nome forte da recém-criada instituição, Niomar Muniz Sodré, encomenda ao arquiteto Affonso Eduardo Reidy o projeto da nova e definitiva sede, realizado em 1953. Com o início das obras em 9 de dezembro de 1954, seu primeiro conjunto de prédios – o famoso Bloco-Escola – é inaugurado com a presença do Presidente Juscelino Kubitscheck em 27 de setembro de 1958. Até a conclusão do Bloco de Exposições, em 1967, todos os eventos do museu — mostras, cursos, seminários e cinemateca — ocorrem nesse espaço.
Com a direção ativa de Niomar e a participação de diversos segmentos do meio cultural carioca, o MAM se torna, em pouco tempo, um epicentro de arte, cultura e saber, exibindo grandes exposições de nomes internacionais que atualizaram o meio artístico local. Seus espaços comuns, como café e cantina, além dos diversos cursos oferecidos e conferências, ampliaram as trocas geracionais e entre áreas – como o diálogo produtivo que se instalou entre as artes visuais, o design e o cinema. Nas décadas seguintes, o MAM seguiu como espaço fundamental para a produção estética e intelectual da cidade, fazendo de sua localização privilegiada entre prédios e jardins modernistas – ainda mais após a inauguração do conjunto do Parque do Flamengo (conhecido popularmente como Aterro) – um campo de experimentações públicas frequentado por toda a população.
Força na cena da Cultura Nacional
Ao longo de sua história, o MAM Rio realizou exposições que até hoje marcam as expressões e linguagens das artes e da cultura, tendo abrigado movimentos que transformaram o país. Sua Cinemateca, com audiovisuais em todos os formatos e sala de exibição, configura-se importante polo de documentação e fruição fílmica.
O MAM Rio é uma instituição cultural constituída como sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos, apoiada por pessoas físicas e por empresas. O Museu brigou parte considerável dos movimentos artísticos brasileiros, como o Grupo Frente (1954), o Neoconcretismo (1959), a Nova Objetividade Brasileira (1967), o Cinema Novo (anos 1960), o Cinema Marginal (anos 1970), o curta-metragismo e o documentarismo independentes (anos 1970-1980) e o Cinema Experimental Contemporâneo (anos 2000).
O Ateliê de Gravura (a partir de 1959), as exposições históricas “Opinião 65″ e ” Opinião 66″, os cursos na área externa em fins de semana abertos ao público como os Domingos da Criação (1971) e a Área Experimental (1975-1978) no espaço expositivo interno são marcos da história da arte brasileira.
O acervo do museu é composto por mais de 7 mil obras de arte modernas e contemporâneas nacionais e internacionais. Outras cerca de 6.600 obras da Coleção Gilberto Chateaubriand e mais de 1.800 fotografias da Coleção Joaquim Paiva estão em comodato no museu. Entre os artistas estrangeiros, o acervo conta com obras de Constantin Brancusi, Keith Haring, Alberto Giacometti, Auguste Rodin, Marino Marini, Maria Helena Vieira da Silva, Jean Arp, Alexander Calder, Carlos Cruz-Diez, Anselm Adams, Diane Arbus, A. R. Penck,Gerhard Richter, Josef Albers, Victor Vasarely, César e Andy Warhol, entre muitos outros. Entre os brasileiros estão Anita Malfatti, Cícero Dias, Maria Martins, Candido Portinari, Ivan Serpa, Bruno Giorgi, Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Helio Oiticica, Lygia Clark, Antonio Dias, Hercules Barsotti, Willys de Castro, Anna Bella Geiger, Rubens Gerchman, Artur Barrio, Cildo Meireles, Waltercio Caldas, Antonio Manuel, Nelson Leirner, Regina Silveira, Tunga, Carlos Vergara, Marcia X, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão.
Projeto, estrutura e construção
O MAM é caracterizado por sua estrutura de concreto armado, que apresenta linhas retas e uma forma orgânica que dialoga com a paisagem ao redor. Um dos elementos mais marcantes é o pavimento elevado do museu, que cria uma sensação de leveza e fluidez, permitindo aos visitantes uma vista panorâmica dos jardins, do Parque do Flamengo e da Baía de Guanabara. O espaço expositivo é flexível, permitindo uma variedade de configurações para as diferentes mostras de arte.
A construção do MAM foi um desafio devido às técnicas inovadoras que Reidy propôs: o uso do concreto exposto e a ideia de integrar arte e natureza. O museu foi cuidadosamente projetado para que a luz natural iluminasse as galerias, proporcionando um ambiente adequado para a contemplação das obras.
Além das galerias tradicionais, o MAM conta com espaços alternativos, como um auditório e áreas ao ar livre, que são utilizados para performances, cinema e música, ampliando a interação com outras formas de arte. A integração entre os jardins do MAM e do Parque do Flamengo representa uma das áreas verdes mais importantes do Rio de Janeiro. Sua localização estratégica permite que o museu e a natureza se complementem, criando um espaço de convivência.
Fonte: MAM e Rio Memórias