Com apenas 1,61 quilate – o equivalente a 0,32 grama, a kyawthuite é reconhecida pela Associação Mineralógica Internacional (IMA) como o mineral mais raro já catalogado pela ciência. No mundo inteiro, existe um único espécime natural conhecido, atualmente em exibição no Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, nos Estados Unidos.
A história da kyawthuite começa em 2010, quando garimpeiros que buscavam safiras no leito de um riacho próximo à cidade de Mogok, em Mianmar, encontraram um pequeno cristal alaranjado. A pedra chegou ao mercado local de Chaung-gyi, onde chamou a atenção do mineralogista, petrologista e gemólogo Dr. Kyaw Thu, da Universidade de Yangon, a maior cidade de Mianmar (antiga Birmânia), no sudeste asiático.
Desconfiando tratar-se de algo incomum, ele encaminhou o material ao laboratório do Gemological Institute of America (GIA), em Bangkok. As análises confirmaram que a composição química do cristal, um antimonato de bismuto com fórmula BiSbO₄, nunca havia sido encontrada na natureza antes. Em 2015, a IMA reconheceu oficialmente a kyawthuite como um novo mineral, e a descrição científica detalhada foi publicada em 2017 na revista especializada Mineralogical Magazine. O mineral recebeu o nome em homenagem ao próprio Dr. Kyaw Thu.
Apesar de sua singularidade, a raridade da kyawthuite não decorre da escassez dos elementos que a compõem. O bismuto, por exemplo, é mais abundante na crosta terrestre do que o ouro, e o antimônio supera em disponibilidade a prata. O que torna esse mineral praticamente irrepetível são as condições geológicas extremamente específicas necessárias para sua formação, provavelmente associadas ao processo de cristalização de magmas ricos em metais pesados, sob temperaturas superiores a 1.000 °C, em rochas do tipo pegmatito. A região de Mogok, onde o espécime foi encontrado, está situada em uma área geologicamente moldada pela colisão entre as placas tectônicas indiana e asiática – evento que também é responsável pela abundância de gemas raras na região, como rubis, safiras e espinélios.
Do ponto de vista físico, a kyawthuite apresenta cor alaranjado-avermelhada, transparência e dureza de aproximadamente 6,5 na escala Mohs, o que a situa entre o feldspato e o quartzo. Sua densidade é oito vezes superior à da água e o dobro da do rubi, característica atribuída à presença do bismuto, elemento de elevada massa atômica. O cristal é tão denso que parece muito menor do que seu peso sugere.
Por ser o único exemplar existente, cada análise científica precisa equilibrar a obtenção de informações e a preservação do espécime, o que limita estudos mais aprofundados. Seu valor comercial é considerado incalculável; para referência, a painita, o segundo mineral mais raro do mundo, com apenas algumas centenas de exemplares conhecidos, é avaliada entre US$ 50 mil e US$ 60 mil por quilate.