O novo mapa-múndi lançado pelo IBGE durante a abertura das comemorações pelos 90 anos do órgão apresenta uma proposta de representação territorial voltada à visualização proporcional das massas continentais e à divulgação de informações ambientais em escala global. Intitulado “Riqueza de Espécies 2025”, o material reúne dados sobre biodiversidade e utiliza uma projeção cartográfica desenvolvida para reduzir distorções de área presentes em modelos tradicionalmente utilizados na representação do planeta.
Apresentado em evento realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília, o mapa integra uma série de publicações desenvolvidas pelo IBGE nos últimos anos relacionadas a diferentes formas de visualização do mundo. O lançamento abriu oficialmente a agenda comemorativa dos 90 anos da instituição e ocorreu junto às publicações “Brasil em Números – 2025” e “IBGE pelo Mundo”.
O principal diferencial técnico do novo mapa está na utilização da projeção Equal Earth, criada em 2018 pelos pesquisadores Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny. Segundo o IBGE, o modelo foi concebido para representar as massas continentais em proporções mais próximas das áreas reais, reduzindo distorções observadas em projeções historicamente difundidas, como a de Mercator.
Desenvolvida no século XVI pelo cartógrafo Gerardus Mercator, a projeção homônima tornou-se uma das representações mais conhecidas do planeta. Entretanto, o modelo amplia visualmente áreas localizadas próximas aos polos e reduz proporcionalmente regiões situadas em faixas tropicais e equatoriais.
A comparação entre Groenlândia e África costuma ser utilizada como exemplo desse efeito visual. Em representações baseadas na projeção de Mercator, ambas aparentam possuir dimensões semelhantes, embora o continente africano tenha área significativamente superior. Segundo o IBGE, em uma representação proporcional como a Equal Earth, seria possível acomodar aproximadamente 14 Groenlândias dentro da área africana.
Do ponto de vista técnico, a Equal Earth pertence ao grupo das projeções pseudocilíndricas equivalentes, utilizadas para manter a equivalência das áreas continentais em representações planas do globo terrestre. O modelo é utilizado em representações temáticas globais relacionadas a variáveis ambientais, climáticas, territoriais e populacionais.
O novo mapa também utiliza orientação Sul-Norte invertida e posiciona o Brasil no centro da representação global. As escolhas seguem propostas já apresentadas anteriormente pelo IBGE em outras publicações recentes voltadas à representação do planeta sob diferentes perspectivas visuais.
Outro elemento central da publicação está relacionado ao conteúdo ambiental apresentado. O mapa utiliza o indicador de riqueza de espécies para representar a distribuição potencial de fauna em diferentes regiões do planeta. O levantamento considera anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce distribuídos em células de 100 quilômetros quadrados.
A publicação funciona como um mapa temático ambiental de escala global, integrando informações geoespaciais e estatísticas ambientais. Esse tipo de representação é utilizado em levantamentos relacionados ao monitoramento territorial, estudos ambientais, conservação da biodiversidade e análise espacial de fenômenos naturais.
O lançamento também dialoga com o Dia Internacional da Diversidade Biológica, celebrado em 22 de maio pelas Nações Unidas. Segundo o IBGE, a edição de 2026 busca relacionar ações ambientais locais aos impactos globais sobre a biodiversidade.
Além do conteúdo ambiental, a publicação evidencia a importância das geotecnologias e dos sistemas de informação geográfica na produção de representações espaciais contemporâneas. Em aplicações relacionadas ao planejamento territorial, monitoramento ambiental, sensoriamento remoto e análise geoespacial, a definição da projeção adequada permanece como etapa técnica essencial para a representação de dados em escala regional ou global.
Toda representação plana do planeta exige escolhas matemáticas e geométricas que produzem diferentes tipos de distorção. Dependendo da finalidade do mapa, determinados modelos podem priorizar preservação de áreas, formas, distâncias ou direções.
O mapa “Riqueza de Espécies 2025” dá continuidade a uma sequência de produções recentes do IBGE voltadas a diferentes formas de representação do globo terrestre. Em 2024, o instituto lançou uma versão com o Brasil no centro do mundo. Em 2025, apresentou um mapa com orientação invertida entre Norte e Sul. A edição de 2026 incorpora, pela primeira vez, a projeção Equal Earth associada ao tema da biodiversidade global.
