Presidente do CREA-RJ defende adesão do Programa Calçada Acessível, da Firjan, pela prefeitura do Rio de Janeiro

O vice-presidente da Firjan, Marcelo Kaiuca, apresenta o balanço do Programa Calçada Acessível, na Casa Firjan

Depois de participar do evento de comemoração dos 15 anos do Programa Calçada Acessível, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), na Casa Firjan, em Botafogo, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ), engenheiro Miguel Fernández, sugeriu nesta sexta-feira, dia 14 de novembro, que a Prefeitura do Rio de Janeiro também participe do programa que atende hoje mais da metade dos municípios (49) do estado do Rio de Janeiro.  O auditório da Casa Firjan ficou lotado.

“O Programa Calçada Acessível, da Firjan, é um marco muito importante, com 15 anos de evolução sobre a questão da acessibilidade, da principal forma de transporte, que é o transporte a pé. Apesar disso, ainda são muitos os desafios. Metade dos municípios do Estado do Rio conseguiu avançar sobre essa discussão, mas falta aprofundar isso na capital do estado, o Rio de Janeiro, onde vive a maioria da população. Eu enxergo que é uma tomada de decisão fundamental e estratégica para qualquer município ter um projeto bem estabelecido para as suas calçadas. Esse é um tema que envolve 100% dos cidadãos do município e que tem transversalidade com vários assuntos do dia a dia, seja operacional do município, seja do desenvolvimento econômico, seja até da valorização do ambiente”, afirmou Fernández, que tem mestrado em Engenharia Urbana pela UFRJ.

Para o presidente do CREA, o cuidado com as calçadas contribui para a redução dos custos da saúde pública com quedas de pedestres, assim como a melhor manutenção das redes de serviços que funcionam sob o calçamento.

“Um calçamento adequado reduz as quedas e, com isso, o custo da saúde pública com a reabilitação das vítimas. Isso tem um valor significativo na redução dos custos de saúde pública de um município. Com um calçamento adequado você garante também a manutenção das redes sob a calçada, como a de água, de gás, de esgoto, de drenagem, de cabos elétricos ou de dados. Essa manutenção pode ser feita de forma muito mais adequada e barata, dependendo da solução adotada, como por exemplo o uso dos blocos intertravados, que você pode retirá-los, para fazer a manutenção e depois recolocá-los. Além disso, são soluções que recebem a infiltração da água de chuva, melhorando também as condições do sistema de drenagem pluvial, diminuindo as questões de alagamento”, explicou Miguel Fernández, que voltou a defender o uso de calçadas portuguesas apenas em locais históricos.

“Já passou da hora de ser criada uma norma padronizada para as calçadas, que enxergue todas essas questões e não ficar preso simplesmente a ideia de sempre foi assim, como é o caso das pedras portuguesas. Não se pode pensar “sempre foi assim”. Se for assim, não vamos discutir as evoluções tecnológicas e de demandas que o município e o calçamento dele necessitam”, ponderou o presidente do CREA-RJ.

O coordenador do Programa Calçada Acessível é o vice-presidente da Firjan, Marcelo Kaiuca, que fez um balanço “totalmente positivo” do trabalho que se tornou um case de sucesso com a proposta de fortalecer a Mobilização Ativa no Estado do Rio de Janeiro. A Mobilidade Ativa (MA) é um conceito central no planejamento urbano moderno e na engenharia pública, pois se concentra no ser humano e em modos de transporte sustentáveis e saudáveis.

“O Programa Calçada Acessível alcança hoje 49 dos 92 municípios, portanto, mais da metade do Estado do Rio. Existe uma demanda reprimida e a gente precisa de mais braços para isso.

O programa tem custo zero para as prefeituras; é um bônus que a gente dá, a gente quer arrumar o caminho das pessoas nos municípios, para que elas tenham prazer de andar nas calçadas e não pelo meio da rua”, explicou Cauica.

O técnico do programa é o arquiteto e urbanista Luiz Gustavo Guimarães, que atuou também como apresentador do evento na Casa Firjan.

“Cidades que convidam a caminhar são cidades que acolhem – cada calçada acessível é um passo rumo à inclusão e a à vida urbana com mais qualidade”, afirmou Guimarães, agradecendo a presença de secretários municipais, do presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, e dos presidentes do CREA-RJ e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RJ), respectivamente Miguel Fernández e Sydnei Meneses.

O arquiteto e urbanista Luiz Guimarães apresentou um balanço do Programa Calçada Acessível que, em 15 anos, já capacitou 2.600 profissionais para a padronização das calçadas que chegam a 350 mil metros quadrados em obras. Além dos 49 municípios, novos 22 municípios aderiram ao Calçada Acessível. O programa conseguiu influenciar os planos diretores dos municípios. Muitas prefeituras já estão incluindo no plano diretor projetos de mobilidade ativa, assim como os protocolos do manual do programa Calçada Acessível. O programa também estimula um melhor diálogo entre os gestores públicos e as empresas que ganham as concorrências para as obras, incluindo na conversa os diversos setores de cada prefeitura.

“O acesso à mobilidade não é mais opcional, mas obrigatório”, destaca Guimarães.

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